Estudo aponta que pretos são maioria entre mortos pela polícia

Crédito: Alma Preta Jornalismo

A Rede de Observatórios da Segurança divulgou um estudo, no dia 9 de dezembro, mostrando que os pretos são maioria entre a vítimas de homicídios praticados por policiais em cinco estados da federação.

Os estados pesquisados foram São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Ceará. Desses todos os dados mais alarmantes são do estado da Bahia, local em que 97% das 650 pessoas assassinadas por agentes do Estado, em 2019, eram negras. Em pernambuco, as pessoas de cor preta representaram 93% do total de mortos.

Sobre os dados, a pesquisadora Silvia Ramos, coordenadora da Rede de Observatórios da Segurança e do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, afirma que "Hoje não dá mais para dizer que tem viés racial. A gente tem que dizer o nome exato que isso tem. Tem que dizer que existe racismo por parte do Estado".

No estado do Rio de Janeiro, as morte decorrentes de intervenção policial da população preta (que representa um total de 51% da população) ficou em 86% no ano de 2019. Com esses números, a capital fluminense bateu um recorde histórico que já durava três décadas.

No estado de São Paulo, também na região Sudeste, os pretos representaram 64% do total de mortos pela polícia.

A pesquisadora ainda afirma: "Esse tipo de problema de violência é muito específico. Não estamos falando de crimes contra patrimônio, de homicídios ocorridos em brigas de facções. Estamos falando de um agente da lei que produziu uma morte, sem considerar se depois foi julgado como legítima defesa ou não". E continua: "Estamos olhando a cor dessas mortes, patrocinadas pelo Estado, seja contra um criminoso ou uma vítima inocente", conclui a pesquisadora.

No estado do Ceará, as mortes que não tiveram sua cor declarada representam um total de 77%, e entre as que tiveram 87% eram pretas.

"Quando um agente público não preenche um dado, como sexo da vítima, idade ou grau de escolaridade, por exemplo, você até entende que isso pode demandar algum tipo de trabalho, de levantamento. Mas não informar a cor da vítima? É uma combinação de indiferença, de desleixo e, muito mais grave, de racismo por parte de agentes do Estado", coloca pesquisadora Silvia.

Silvia Ramos também comenta sobre a dificuldade em coletar os dados para realizar a pesquisa sobre a violência praticada por agentes policiais e militares: "É quase que uma batalha que temos que travar com cada secretaria de Segurança. Apesar de a gente ter Lei da Transparência, as Leis de Acesso à Informação, está mais difícil agora do que há dois ou três anos. É muito mais fácil conseguir dados de outros crimes do que os da violência policial. Parece que há uma orientação para não divulgarem", conclui a coordenadora da Rede de Observatórios da Segurança e do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania.

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