RJ: Policiais executam dois jovens após abordagem em Belford Roxo; assista ao vídeo

Edson, de 20 anos e Jhordan, de 17, foram torturados e mortos após abordagem policial, em Belford Roxo. Foto: Reprodução.

Dois jovens foram executados por policiais militares (PMs) em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, estado do Rio de Janeiro.

O episódio de total violência aconteceu na madrugada do dia 12 de dezembro, por volta de 1h15, na rua Margem Esquerda, no bairro Vila Medeiros em Belford Roxo.

Vídeos gravados por uma câmera de segurança gravaram mostram o momento em que os dois jovens passam pela blitz, neste momento, sem dar ordem de parada, o soldado Jorge Luiz Custódio da Costa atira em um dos jovens, os rapazes caem da moto e em seguida um deles é chutado pelo PM. Logo após o tiro, um carro branco que estava no local próximo a viatura dá a partida e vai embora.

Em seguida os dois jovens são arrastados para o canto da rua onde são colocados sentados, enquanto o cabo Júlio Cesar Ferreira dos Santos fala ao celular. Depois os rapazes são algemados e levados até a viatura. Um dos PMs sai do local pilotando a moto.

Policiais responsáveis pelas mortes dos dois jovens. Foto: Reprodução.

Jhordan Luiz Natividade, de 17 anos, Edson Arguinez Júnior, de 20, foram encontrados mortos na tarde do dia 12 com sinais de tortura e marcas de tiros pelo corpo. Jhordan estava nu e com o maxilar quebrado. Os corpos dos jovens estavam na estrada de Xerém, no bairro Babi, também em Belford Roxo. O bairro é controlado por grupos paramilitares.

Familiares e amigos disseram que os garotos estavam em uma festa e tinha saído para encontrar algumas garotas. Após o sequestro, familiares buscaram pelos jovens, foram eles que descobriram as imagens da abordagem e as levaram até a Polícia Civil.

Os policiais que participaram da execução dos jovens foram presos. Eles não relataram aos superiores o que tinha ocorrido e nem que tiros foram disparados durante o plantão. As armas utilizadas pelos PMs na noite do crime foram apreendidas para perícia, que já encontrou manchas de sangue no tapete da viatura utilizada pelos policiais no dia. Os policiais alegam que liberaram os rapazes depois de 40 metros do local da abordagem, contudo os investigadores acreditam que os jovens foram assassinados pelos próprios PMs e que estes entregaram os jovens para terceiros cometeram o crime de homicídio.

Familiares e amigos se revoltaram com a covardia feita pelos PMs

Natalia Esteves, tia de Jhordan, disse "Esse é o sentimento de revolta. Porque ali na situação ele não reagiram em nada. Nada que os policiais pudessem se sentir ameaçados. Não tem resposta."

"Em vez de proteger o cidadão, eles fazem covardia", disse Renata Santos Oliveira, mãe de Edson.

"Eles não podiam andar de moto só porque são negros? Eu tô colocando a minha cara a tapa porque o seu filho pode ser o próximo", desabafou Renata Santos de Oliveira, mãe de Edson Arguinez Júnior, durante o velório dos jovens.

Histórico de Violência na Baixada Fluminense

A região da Baixada Fluminense abarca 13 municípios. Essas pequenas cidades que circundam a cidade do Rio de Janeiro, apesar do pequeno território são o lar de milhares de pessoas.

Nas décadas de 1950 e 1970 agiam na região, os chamados esquadrões da morte. Nos anos de 1980 se conformaram os grupos de extermínio, compostos por policiais, bombeiros, policiais civis, militares das Forças Armadas e outros agentes do estado. Foi messe período que os matadores profissionais, uma espécie de pistoleiros urbanos, começaram a se candidatar a cargos públicos e eleitorais, tendo assim esses grupos, influência nas esferas legislativa, executiva e judiciária.

Com a década de 1990 o que se viu foi a expansão da capital para a baixada do tráfico de drogas do tipo varejista e depois a chegada de grupos paramilitares mais organizados, principalmente a partir dos anos 2000.

As taxas de violência na Baixada Fluminense, sobretudo no que tange a homicídios violentos, são umas das mais altas do país. Somente entre os anos de 2006 e 2016, foram assassinadas 20.645 pessoas na região da Baixada, uma média de cinco mortes por dia, número este que representa 30% de todas as mortes violentas em todo o estado do Rio. No mesmo período cerca de 17 mil tentativas de assassinato também foram registradas. As taxas anuais de assassinatos na Baixada passam de 60 execuções por 100 mil habitantes.

Não por acaso a região foi palco da maior chacina já realizada no estado do Rio de Janeiro. Em 31 de Março de 2005, Policiais Militares mataram em uma só noite 29 pessoas e feriram outras duas em bairros dos municípios de Nova Iguaçu e Queimados, no episódio que ficou mundialmente conhecido como Chacina da Baixada.

Neste contexto, a morte provocada por PMs durante o referido período citado chega ao número alarmante de 2.216 casos registrados, o que corresponde a 12% de todas a mortes violentas da Baixada Fluminense.

A cruel realidade de violência a que está submetido o povo da Baixada tanto por parte do Estado como de suas forças auxiliares e a luta das mães e familiares das vítimas por justiça e punição podem ser vistas no documentário Nossos Mortos têm voz dos diretores Fernando Sousa e Gabriel Barbosa.

 

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Paula Montenegro
Taís Souza
Rodrigo Duarte Baptista
Victor Benjamin

Ilustração
Paula Montenegro