Após privatização, BR Distribuidora aumenta salário dos novos gestores em 272% em meio à retirada de direitos dos trabalhadores

Foto: Diego Vara.

Após completar um ano e quatro meses da venda, pela Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobrás), do controle da Petrobrás Distribuidora S.A. (BR Distribuidora) - a maior do setor de distribuição de combustíveis no país e até então, subsidiária integral da estatal - os salários dos novos membros da diretoria dispararam enquanto que os salários dos trabalhadores despencaram.

De acordo com o Formulário de Referência 2020 da BR Distribuidora, documento no qual pode-se verificar detalhadamente a composição dos salários, benefícios, bônus e ações recebidos pelos 17 gestores - composto por nove membros do Conselho de Administração, cinco da Diretoria Estatutária e três do Conselho Fiscal -, o total que será desembolsado neste ano é R$ 51.920.483,40, o que significa que cada executivo receberá um pagamento anual médio correspondente a R$ 3.054.146,05. Isso configura um aumento de 272% em comparação a 2019, em que o valor despendido foi de R$ 13.954.018,97.

Em contrapartida, em janeiro deste ano, 1030 trabalhadores sofreram drásticas reduções salariais, algumas, inclusive, chegando a 50% dos honorários mensais - limite estabelecido no acordo coletivo assinado pela BR e as entidades sindicais, que contou com a mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST). 

Já em 2019, após a privatização, 860 trabalhadores - o equivalente a 27,4% do quadro de funcionários - foram desligados. Dentre eles, encontram-se não somente trabalhadores terceirizados, como também funcionários concursados, que sofreram forte assédio moral para pedirem demissão através do Plano de Demissão Voluntária (PDV) instituído pelos novos gestores. De acordo com as Demonstrações Contábeis da BR, em 2020 está prevista a demissão de mais 337 trabalhadores.

Empobrecimento do país e retirada de direitos dos trabalhadores: um retrato da privatização

Em 2017, a Petrobrás, que até então detinha 100% da BR Distribuidora, se desfez de 29% da empresa. Em seguida, vendeu mais 30% de suas ações, resultando na perda de seu controle acionário.

Com a BR se tornando privada, seu objetivo principal se fixou não somente na obtenção de lucro fácil e rápido de modo a garantir o retorno do investimento de seus acionistas, como também, na obtenção de lucros elevados alcançados a partir de forte redução de custos. Por sua vez, tal objetivo prejudica diretamente os trabalhadores, que têm seus direitos e interesses retirados e pisoteados.

A BR, que antes, enquanto empresa pública, garantia o abastecimento de derivados de petróleo nos rincões do Brasil, atualmente, vai apenas até as grandes cidades, onde há rendimento econômico garantido. Locais de difícil acesso ou pequenos centros, principalmente no Norte e no Nordeste, onde o lucro costuma ser menor, deixaram de ser interessantes para sua atuação.

Além disso, em meio à pandemia, o Conselho de Administração da Petrobrás aprovou a venda da integralidade de sua participação, que hoje é de 37,5%, por meio de oferta pública secundária de ações.

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