PA: Pistoleiros atacam camponeses e provocam incêndios no Acampamento Osmir Venuto


Casas e pertences de camponeses são incendiados por pistoleiros no Pará. Foto: Banco de Dados AND

Pistoleiros a mando do latifúndio invadiram o Acampamento Osmir Venuto, queimaram casas e feriram camponeses. O ataque ocorreu na madrugada do dia 14/12, em Eldorado dos Carajás, sul do Pará, contra a área organizada pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP).

Segundo relatos dos camponeses, por volta de meia noite as famílias foram acordadas ao som de disparos de arma de fogo. Neste momento, os pistoleiros iniciaram a invasão de barracos e os incêndios nas casas. Os camponeses relatam que os pistoleiros usavam roupas camufladas e portavam armas de grosso calibre.

Buscando refúgio, as famílias desataram uma fuga pela mata. Várias pessoas, entre elas idosos e crianças, ficaram feridas. Uma senhora portadora de necessidades especiais foi retirada da área por outros camponeses em meio ao ataque.

Uma camponesa da área relatou: “Os pistoleiros da fazenda atirando e as famílias correram tudo pro mato”. Afirmou também: “Lá a gente vive em constante ameaça, a situação é difícil”.

Imagens registradas pelos camponeses demonstram que o fogo consumiu as casas, animais e veículos. Eles relatam ainda que seus pertences, como roupas e documentos, também foram consumidos pelas chamas.

Uma camponesa relatou ainda: “Queimou tudo, queimou papagaio, cachorro morreu queimado, queimou galinha, nossas motos, queimou tudo, tudo!”. Disse também: “Teve muito lá que nem o documento pessoal não pegou, foi queimado tudo [...] Os companheiros lá ficaram só com a roupa do corpo, teve gente que ficou de short, não deu tempo nem de pegar uma camisa”.

Os sucessivos ataques do latifúndio em conluio com o velho Estado

As famílias, que há oito anos vivem no local, travam uma intensa luta pela terra. Sucessivos ataques do latifúndio foram denunciados pelos camponeses ao longo destes anos e repercutidos pelo AND.

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A área era parte da antiga fazenda Surubim, cujo suposto proprietário é identificado como Almikar Farid Yamim, latifundiário e grileiro de enormes proporções de terras públicas, fato comprovado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

A região também já foi palco do episódio que ficou conhecido como “Massacre de Eldorado dos Carajás”, ocorrido em 17 de abril de 1996, quando, em uma ação de despejo, 150 policiais sem identificação assassinaram 19 camponeses e feriram 69. Outro episódio de repercussão nacional foi a chacina de Pau D’Arco, no dia 24 de maio de 2017, evento em que dez camponeses foram executados a sangue frio por policiais, na fazenda Santa Lúcia, na cidade de Pau D’Arco, no sudoeste do Pará.


Recebemos a seguinte nota da Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres acerca dos graves ataques ocorridos no estado do Pará:

Goiânia, 16 de dezembro de 2020

Ataque ao Acampamento Osmir Venuto é crime premeditado, anunciado e acobertado pela ditadura genocida dos generais e Bolsonaro.


Por volta da meia-noite de segunda feira 14 de dezembro, pistoleiros fortemente armados atacaram e incendiaram diversos barracos do acampamento Osmir Venuto, localizado em Eldorado dos Carajás, sul do Pará.

Chegaram atirando, dezenas de camponeses correndo para a mata, companheiras idosas, crianças e até um companheiro com deficiência.

Covardes, sabiam que não encontrariam muitos camponeses na área. Dezenas de famílias já lutavam em outras tomadas de terras na região, fruto da criminosa leniência e prevaricação das “autoridades “Incra, Iterpa, justiças federal e estadual” que durante anos a fio enrolaram as famílias, sumiram com mapas, prometiam e “desprometiam” vistorias. Mesmo os advogados dos camponeses tendo conseguido provar (nesse processo de enrola sem fim, verdadeira tortura a conta-gotas) que em torno de metade das terras do “Complexo Surubim”, formado por várias fazendas, foram roubadas e griladas pelo latifundiário Amilcar Farid Yamim.

Mais covardes ainda porque iniciaram seus ataques contra os companheiros e companheiras que resistiam e não aceitavam as migalhas oferecidas por gerentes e emissários do latifundiário para que saíssem do acampamento, que por sinal estava nas terras do DNIT, à beira da estrada.

E mais ignominioso ainda é mais este crime contra os camponeses brasileiros porque o ataque foi executado em meio a pandemia da COVID 19, que já matou quase 200.000 (duzentos mil) brasileiros(as) menos pelo vírus em si e muito mais pelas péssimas condições de vida e de saúde da grande maioria de nossa sofrida população. Pandemia em que os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres.

Não custa lembrar: no Pará, e particularmente nesta região, a fraude nos grilos é tão gritante que nos cartórios de registro de imóveis estão falsamente documentadas áreas que, somadas, ultrapassam 4 vezes a área do Estado. Como se o Estado do Pará tivesse 4 andares!

E a denúncia deste criminoso ataque é tarefa para todos os democratas em todos os rincões do País. No Pará os camponeses não têm onde denunciar.

A DECA, Delegacia Especializada em Conflitos Agrários, foi a força policial que executou o Massacre de Pau D`arco assassinando, dentro da Fazenda Santa Lúcia, dez camponeses (a área estava sendo comprada pelo INCRA, surgiu um impasse por conta de R$ 500.000 pois o Incra oferecia R$ 21.000.000 (vinte e um milhões de reais) e a “viúva do latifundiário” e seus espertos advogados queriam vinte e um milhões e quinhentos mil).

Em Marabá, nos idos de 2007 e 2008, um defensor público que ouviu os camponeses e comprovou a tortura na operação de guerra levada a cabo pelo governo Lula e governadora Ana Júlia Carepa (PT) (a maior já realizada contra camponeses em luta pela terra desde os tempos da Guerrilha do Araguaia) contra as mais de 600 famílias que tomaram o latifúndio escravagista conhecido como “Forkilha”. Pois bem, a esposa deste defensor público havia recém dado a luz. Eles receberam em sua casa um caixão em miniatura. Ameaçado, pediu transferência para Belém.

Esta é uma das regiões mais disputadas do país. Onde atuou o sanguinário e criminoso de guerra Major Curió. É o berço do agrupamento paramilitar, braço armado do latifúndio, conhecido por UDR, que jamais foi desmontado por Itamar, FHC, Lula, Dilma e Temer, e que agora tem seu chefe Nabhan Garcia, miliciano e assassino, comandando a Secretaria de Assuntos Fundiários de Bolsonaro. Onde a Vale, JBS, o filho do Lula, e agora os sojeiros, disputam o butim das riquíssimas terras roubadas da União e massacram os camponeses.

Os camponeses, afirmamos, não vão deixar de lutar jamais! Com toda esta repressão, com o massacre de Eldorado dos Carajás, com o massacre de Pau D`arco, com a operação de guerra da Forkilha, com o assassinato de dezenas de camponeses, religiosos e advogados, como o querido Gabriel Pimenta em 1982, aqui e ali, enquanto não acabar de vez tanto roubo de terras, tanta exploração e tanta injustiça, vai brotar e surgir com força redobrada a luta pela terra de camponeses, indígenas e quilombolas e atingidos por mineração e barragens.

Os covardes e assassinos pagarão por seus crimes!

Todo apoio aos camponeses do Acampamento Osmir Venuto!

Terra para quem nela vive e trabalha!

Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres

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