PR: 300 famílias são despejadas em Curitiba mesmo durante aumento de casos da Covid-19 em todo o país

 Grande aparato repressivo foi mobilizado para expulsar famílias de terreno em Curitiba. Foto: Pedro Carrano.

A prefeitura de Curitiba ordenou uma ação de despejo, no dia 17 de dezembro, contra cerca de 300 famílias que ocupavam um terreno abandonado na região da Cidade Industrial de Curitiba, localizada na periferia da capital do estado do Paraná.

A ação contou com forte aparato policial com a participação da Polícia Militar (PM) e da Guarda Civil Municipal (GCM). Segundo moradores da ocupação Nova Guaporé, o oficial de justiça entregou a notificação da ordem de despejo com o prazo máximo de 1h para que os moradores deixassem o local. Os trabalhadores estavam residindo ali desde outubro.

Segundo denúncias, o despejo ocorreu sem que houvesse nenhuma assistência social por parte do governo municipal. Várias famílias tiveram que sair deixando todos os seus pertences, justamente na época das comemorações de fim de ano. A ação causou ainda aglomeração e tumulto, contrariando a recomendação Nº 63 de 31/03/2020 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que trata de ações de despejo durante à pandemia.

Um morador do local, Robert, denunciou a situação: “nós não fomos notificados previamente e não temos onde pôr essas famílias. Queremos saber das autoridades onde vamos colocar esse povo.” E continua: “O pessoal está com medo, nervoso, não tem para onde ir, o que fazer, não foi recebida documentação nenhuma até agora, pessoal quer a moradia e deve ficar em cima do terreno, lutar pelos seus direitos.”

Advogados que apoiam a luta por moradia na capital paranaense denunciam que as ocupações têm relação direta com a pauperização cada vez maior nas condições de vida das massas.

Segundo Valéria Fiori, advogada do Instituto Democracia Popular (IDP) que presta assessoria às famílias, “a precarização da vida trazida com a pandemia do Covid, junto ao descaso do governo, levaram mais de 300 famílias a ocuparem a área, por não ter condições de pagar aluguel neste momento de crise”.

Alice Correia, da Rede Nacional de Advogados Popular (Renap), fala sobre a ação de despejo durante a pandemia: “em um momento pandêmico, em que diversas famílias estão sofrendo perdas econômicas consideráveis, reprimível é sim a ação do Estado que, alheio a todo o contexto social, se interessa apenas em manter sua terra vazia”, afirma a advogada popular.

Onda de despejos em Curitiba

No dia 7 de dezembro, a GCM e a PM realizaram uma outra ação de despejo dentro da Cidade Industrial. Na ocasião, moradores da ocupação Nova Caiuá foram despejados e tiveram 30 minutos para tirar seus pertences. Tudo isso sob a mira das espingardas de bala de borracha da Guarda Civil.

Os homens da força de repressão municipal atiraram balas de borracha, sprays de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo contra os trabalhadores desarmados.

Durante a ação truculenta a jovem Waleiska Cristina, 21 anos, autônoma, recebeu três tiros de bala de borracha dois deles no braço e outro na panturrilha. Outras pessoas também foram atingidas pelos tiros.

Bastante emocionada e com muita raiva, Waleiska Cristina, em entrevista ao site Brasil de Fato, contou que há dez dias perdeu o filho recém-nascido. Disse, ainda, que morava na ocupação pois não tinha dinheiro para pagar aluguel: “Quem que fica dois dias debaixo de chuva em um barracão de lona se não precisasse? Eu sonho em ter um filho adotivo e não tenho condição de ter um imóvel pela  Companhia de Habitação Popular (Cohab)”, relatou a moça.

Jovem foi atingida por tiros de balas de borracha disparados por GMs durante despejo, em Curitiba. Foto: Giorgia Prates.

 

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