Estado peruano prende 70 do Movadef na tentativa de associá-los ao Presidente Gonzalo

O velho Estado peruano culminou uma megaoperação de captura de membros do grupo revisionista peruano, Movimento pela Anistia e Direitos Fundamentais (Movadef), no dia 2 de dezembro. As prisões, cuja justificativa legal é a de que o Movadef seria uma "frente única" do Partido Comunista do Peru (PCP) e, portanto, uma organização ilegal, são um flagrante caso de ilegalidade. Dessa operação participaram a Divisão Antiterrorismo (Dircote) a Divisão de Investigações de Alta Complexidade (Diviac), Diretoria de Inteligência do Exército Peruano e Terceira Promotoria Criminal Supraprovincial. 

Tal megaoperação, batizada de “Olimpo”, tenta colocar Abimael Guzmán Reynoso, o Presidente Gonzalo (chefe do PCP e da Revolução Peruana), como chefe da Linha Oportunista de Direita (LOD) estruturada e ligada ao Movadef. O objetivo estratégico é desmoralizar o chefe comunista para tentar dividir os revolucionários e esmagá-los.

A origem dessa operação da intelligentsia reacionária peruana, segundo o Movimento Popular Peru (MPP), remonta a 2015 e é dirigida pela CIA através do próprio Rubén Vargas Céspedes, ex-ministro do Interior do último governo peruano, sujeito treinado em “combate ao terrorismo" no próprio USA. 

De acordo com o MPP (organismo gerado do PCP para o trabalho internacional), tal LOD veio à tona com força após a queda do Comitê Central do PCP e do Presidente Gonzalo, em 1992, num esforço conjunto com a CIA para tentar dividir o PCP acusando o seu chefe de ser autor de fraudulentas "cartas de paz".

Segundo o MPP, tal LOD tenta apresentar a “traição e renegação total promovidas pela LOD, inimiga mortal do maoismo e da guerra popular” como uma questão tática, “tentando desviar o proletariado internacional e os povos do mundo do caminho”; fingindo que o cretinismo parlamentar, o caminho eleitoral, serve para "acumular forças" para um outro momento, o momento de fazer "luta armada ou insurreição".

Em uma declaração intitulada Os dois pecados capitais do Movadefa Frente de Defesa de Lutas do Povo (FDLP) do Equador traça um histórico da organização, criada em 2009 para, supostamente, exigir a liberdade dos presos políticos no Peru (pró-anistia). De acordo com a publicação, o Movadef não deixou de ser um instrumento da LOD que se dedicou a reciclar capituladores, guerrilheiros arrependidos, treinados pela reação, e com esse contingente fazer todo o possível para dinamitar a liderança do PCP. Os revolucionários do Equador mencionam que o objetivo da LOD é eliminar e enterrar a guerra popular no Peru com a peroração de que essa foi derrotada e, consequentemente, levantar a necessidade de traçar um "novo caminho" para a luta no Peru onde o centro ou eixo dessa luta passa necessariamente pela participação na via eleitoral, constitucionalista e burocrática.

Em 2011, a FDLP afirma que o Movadef tentou inscrever-se como partido político perante o Júri Nacional de Eleições, mas foram rejeitados, fechando a porta a esse caminho, pelo menos circunstancialmente. Ironicamente, mesmo jogando abertamente em função dos planos do Estado reacionário, os revisionistas agrupados no Movadef são alvos de perseguição.

‘O diabo paga mal a seus devotos’

Os revolucionários da FDLP afirmam que a história está cheia de tais "exercícios" democráticos aos que apoiam os "revolucionários" ressentidos e ideologicamente deprimidos.

“Movadef e Fudepp [Frente de Unidade de Defesa do Povo Peruano], os filhos bastardos da capitulação, entregaram-se de corpo e alma ao velho Estado burocrático-latifundiário, tornando-se subservientes à velha democracia, reação e imperialismo. Hoje o velho Estado paga-lhes com a única moeda que o sabe fazer, com repressão, perseguição e prisão. Depois disto virá a nova camarilha que cumprirá a sua tarefa: nomeações para governos setoriais e municipais, assembleias, presidências, etc. Uma crônica que tem um livreto pré-estabelecido”, descrevem os revolucionários.

Os equatorianos dizem ainda que, em todo caso, é importante dizer que, “de forma alguma estaremos do lado da reação e regozijamo-nos com este golpe que lhes estão a infligir; manteremos sempre que o povo deve punir os carrascos do povo; os traidores do povo devem ser castigados pelo povo, e cabe aos comunistas conscientes esmagar o revisionismo, de todas as maneiras”.


Cartaz da FDLP.

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