Iraque: Sentimento de revolta após militares envolvidos em massacre de civis receberem perdão de Trump

Local onde os agentes da Blackwater abriram fogo contra civis, em Bagdá, 16/09/2007. Foto: Ali Yussef.

Os iraquianos, principalmente familiares das vítimas, responderam com indignação após quatro agentes da empresa militar de segurança privada Blackwater (rebatizada de Academi em 2011), condenados por um dos maiores massacres de civis no Iraque, serem listados entre as 20 concessões de perdão presidencial lançadas por Donald Trump nas últimas semanas do ano. 

Os quatro ex-militares que receberam indultos, Paul Slough, Evan Liberty, Dustin Heard e Nicholas Slatten, foram responsáveis pela morte de 17 pessoas na praça Nisour, em Bagdá, em 2007, após abrirem fogo indiscriminadamente contra os civis. Entre os mortos estavam dois meninos de 8 e 11 anos.

“Para eles, nosso sangue é mais barato do que água e nossas demandas por justiça e punição são apenas um incômodo”, afirmou um amigo de um estudante morto no massacre, ouvido pelo monopólio de imprensa Al Jazeera

Em 2014, Slough, Liberty e Heard foram condenados a 30 anos de prisão cada, por várias acusações de homicídio voluntário e tentativa de homicídio, enquanto Slatten, o primeiro a atirar, foi condenado a prisão perpétua por assassinato em primeiro grau. 

O massacre na Praça Nisour foi um marco na história da invasão ianque no Iraque, iniciada em 2003, quatro anos antes, eliminando qualquer resquício que ainda houvesse de credibilidade do USA perante o povo iraquiano. 

A Blackwater tentou alegar que seu comboio tinha sido atacado, e foi desmentida pelas declarações das testemunhas de que os mercenários haviam aberto fogo sem provocação. Os advogados de defesa afirmaram que os relatos das testemunhas foram falsificados, porém um total de 71 pessoas, incluindo 31 do Iraque (o maior grupo de testemunhas estrangeiras a viajar para o USA para um julgamento criminal), testemunharam contra a empresa.

O caso também trouxe à tona o papel de destaque que empreiteiros militares contratados, como a empresa Blackwater, possuíam enquanto forças auxiliares ao exército oficial nas guerras de agressão dirigidas pelo imperialismo ianque ao redor do mundo. Estas "empresas" atuam como mercenários que não respondem a lei nenhuma.

Ribal Mansour, que testemunhou a chacina na praça Nisour, afirmou à Al Jazeera: “Tínhamos medo deles [ianques], especialmente da Blackwater, que eram os piores de todos. O que eu vi lá vai me assombrar para sempre”.

De acordo com o monopólio de imprensa The New York Times, os indultos concedidos aos agentes da Blackwater têm ligações diretas com dois aliados políticos de Trump: Erik Prince, o ex-chefe da Blackwater, e a irmã de Prince, Betsy DeVos, a secretária de educação do presidente. 

Embora Prince tenha se distanciado da empresa em 2010, ele continuou a trabalhar no ramo, e montou um exército mercenário liderado por agentes ianques nos Emirados Árabes Unidos e que atua no Iêmen, onde o USA apoia mais uma guerra de agressão, encabeçada pela Arábia Saudita.

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