Caxemira: Índia prende 75 ativistas e independentistas após 'eleições' locais

Militares indianos ficam de guarda enquanto caxemires aguardam do lado de fora de uma cabine de votação, durante as "eleições" locais na Caxemira ocupada, 28/11/2020. Foto: AP

No dia 26 de dezembro foram feitas múltiplas denúncias de que o velho Estado indiano, encabeçado pelo fascista Narendra Modi, havia prendido 75 lideranças políticas e ativistas da Caxemira, depois de uma aliança anti-Modi e pró-independência conquistar a maioria dos assentos em uma “eleição” local. 

As eleições para o Conselho Distrital de Desenvolvimento, que culminaram com a série de prisões políticas, foram a primeira consulta política a ocorrer desde que a Índia suprimiu totalmente qualquer resquício de autonomia que a região da Caxemira possuía em relação ao governo central indiano, em agosto de 2019. 

A eleição foi marcada pela mobilização de milhares de soldados e paramilitares, que se somaram aos mais de meio milhão de agentes indianos já empregados na ocupação da Caxemira, único território indiano de maioria muçulmana, e não hindu. Os residentes caxemires acusam os militares de assediá-los e tentarem impedi-los de participar das eleições. 

Segundo o monopólio de imprensa Al Jazeera, as forças coloniais indianas também instalaram arame farpado e ergueram barricadas de aço nas vias perto das seções eleitorais instaladas. 

Apesar do governo Modi alegar que as prisões foram feitas para “evitar protestos e violências”, as últimas detenções, que incluem líderes separatistas e membros do grupo muçulmano Jamat-e-Islami, considerado ilegal pela Índia, escancaram a evidente perseguição política.

A FARSA DAS ELEIÇÕES COLONIAIS NA CAXEMIRA 

A consulta, que “elegeria” 280 membros para os Conselhos de Desenvolvimento Distrital, não possuía de fato qualquer poder decisivo, como ficou evidente após as prisões. No entanto, mesmo eleitos, os candidatos caxemires não teriam poder para legislar ou emendar leis, uma vez que a região teve sua “autonomia” revogada e é completamente submetida ao poder colonial indiano. 

Um morador ouvido pela Al Jazeera, chamado Ghulam Nabi, contou que os residentes da região tinham “planejado boicotar as eleições, mas depois que a Aliança Gupkar foi formada, isso nos obrigou a repensar”. 

A fala do fascista Modi no dia 26/12, de que as “eleições transparentes” na Caxemira ocupada e a participação do povo eram um momento de orgulho para a Índia, em contraste com o cerco militar brutal que o seu governo impõe à região desde 5 de agosto de 2019, junto à supressão dos direitos e à repressão do povo da Caxemira, demonstram que as supostas eleições tinham como único objetivo legitimar e mascarar a ocupação indiana.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Paquistão, que controla parte do território da Caxemira e disputa o domínio da sua totalidade com a Índia, declarou no dia 26/12 que “A marca RSS-BJP de 'democracia' significa apenas amordaçar a voz e a vontade da Caxemira, sob as baionetas das armas do exército indiano”. Ele se referiu ao grupo paramilitar de extrema-direita hindu Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), que deu origem à organização extremista hindu Sangh Parivar, e ao partido de Modi, Bharatiya Janata (“Partido do Povo Indiano”), abreviado como BJP.

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