BA: Trabalhador sofre com repressão policial

No último dia 20 de dezembro, às 17 horas, os agentes dos órgãos municipais realizaram um cerco para confiscar uma caixa de isopor com geladinhos de um trabalhador. Nesta operação conjunta da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), estiveram presentes a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a Polícia Militar do Estado da Bahia (PM-BA). Seu objetivo era cumprir com o  decreto do prefeito ACM Neto (DEM) que proíbe o comércio de bebidas alcoólicas em locais públicos nos bairros de Itapuã e Rio Vermelho.

O ocorrido aconteceu na rua em frente a uma casa de discos e discotecagem. Ali era onde se realizava o evento de Chá de Fraldas para o filho de “Figo”, o trabalhador que teve sua mercadoria apreendida.

Numa ação rápida e abrupta, os fiscais da Semop escoltados pela GCM com armas de grosso calibre e com a PM acompanhando de mais distante se aproximaram da mercadoria e perguntaram a Figo se ele estava comercializando algo. De imediato, sem se identificarem, foram pegando o isopor com a mercadoria dentro, dizendo que a levariam. Figo e as pessoas que estavam no local tentaram segurar a caixa e entender o porquê daquela situação arbitrária.

O evento que ocorria numa rua ampla e arejada e que só reunia algumas poucas pessoas fugia muito do padrão das aglomerações de centenas de pessoas, criticadas pela prefeitura e que foram a justificativa que ACM deu para o decreto. Cabe destacar também que Figo vendia geladinhos e não bebidas alcoólicas como se tinha na proibição. 

Foto: Comitê de Apoio AND Salvador

Em entrevista para o AND, Figo nos relata:

- O cara chegou metendo a mão na caixa, aí eu e Dudu seguramos. Falaram “tá apreendido” e forçaram para levar a caixa (...). Tinha uns na maldade com arma grande na mão... ’Pra’ que isso, véio? ’Pra’ tomar uma caixa de geladinho? 

Figo, de 33 anos, que está para ser pai, faz parte de um número alarmante de mais de 1 milhão de desempregados na Bahia. Neste estado, há a maior taxa de desemprego de todo o país (1,3 milhões segundo dados do IBGE) e que tem sua capital, Salvador, como a terceira capital com maior índice de desemprego em todo o Brasil. 

Figo nos fala que não sabia do decreto e denuncia toda a arbitrariedade, falta de empatia e qualquer espaço para o diálogo dos agentes. Em conversa com o AND, apontou a hipocrisia dos políticos que durante as eleições participavam de comícios e faziam passeatas em seus carrões luxuosos reunindo centenas de pessoas e que agora com o aumento de casos em decorrência do afrouxamento para a farsa eleitoral, empurram decretos autoritários onde quem mais sente são os mais pobres. 

E ainda diz: 

- Rapaz, a polícia e o estado são inimigos do povo. Eu vou ser pai, tô desempregado, tava vendendo lá para ter um retorno. O auxílio emergencial acabou. Como que o Estado tem moral pra dizer que não posso trabalhar? 

O prejuízo que Figo levaria com a apreensão da caixa com os geladinhos seria em torno de R$200,00. A mercadoria apreendida só poderia ser recuperada com o pagamento de uma multa que o valor mínimo é de R$157,00. Mas, diante da cena de injustiça contra um trabalhador e pai, as pessoas que estavam no local onde ocorria o evento mostraram solidariedade e ajudaram a repor o prejuízo com doações.  

As forças de repressão têm realizado muitas apreensões nestas últimas semanas. Como consequência, se agudiza mais ainda as contradições com as massas exploradas. De acordo com informações da Guarda Civil, durante apreensão de material, em Itapuã, um homem foi detido após ameaçar atear fogo nos veículos que participavam da operação. O cenário de desemprego, informalidade, alto de preço nos produtos, redução e corte do auxílio emergencial colocam as massas numa situação de vida ou morte.

Foto: Comitê de Apoio AND Salvador

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