Fim do auxílio emergencial jogará milhões de pessoas na miséria

Pichação exigindo auxílio emergencial até o fim da recessão e contra a eleição, em Montes Claros, Norte de Minas Gerais.

Com o fim do ano de 2020, após ás 23h59m do dia 31 de dezembro, também terá fim o auxílio emergencial. O programa foi criado em março pelo governo federal para ajudar os trabalhadores informais durante a pandemia do novo coronavírus. O benefício acabará justamente quando tem-se uma nova alta nos casos de Covid19 no país.

Segundo pesquisa do Observatório das Metrópoles e do Observatório da Dívida Social na América Latina (da PUC-RS), o auxílio impediu que 23 milhões de brasileiros moradores de grandes metrópoles caíssem na pobreza.

Outra pesquisa, dessa vez do Datafolha, publicada no dia 21 de dezembro no jornal Folha de São Paulo, mostrou que 36% das famílias que receberam o auxílio não têm outra fonte de renda.

As cinco parcelas de R$600 e as quatro de R$300 beneficiaram 67,8 milhões de pessoas, segundo dados da Caixa Econômica Federal (CEF). 

Surgido em março, após um acordo feito pelo Congresso e o Planalto, o auxílio inicialmente seria de R$200 por vontade do presidente fascista e sua equipe econômica. Porém, percebendo que isso agravaria ainda mais a crise do capitalismo burocrático no país, causando miséria e instabilidade social e política com ameaça de protestos populares, os representantes do chamado ‘centrão’ e da direita civil-militar fizeram pressão para que o valor aumentasse para R$600.

Antes mesmo do fim do auxílio, as massas populares foram prejudicadas

Marcado pela demora e burocracia, as primeiras parcelas do auxílio foram pagas com muitas dificuldades, causando grandes filas de trabalhadores nas agências da CEF. A dificuldade para ter o nome aprovado no benefício fez com que trabalhadores, revoltados com o descaso, destruíssem agências da CEF e caixas eletrônicos.

Em entrevista, no dia 15 de dezembro, Jair Bolsonaro afirmou: “Auxílio é emergencial, o próprio nome diz: emergencial. Não podemos ficar sinalizando em prorrogar, prorrogar e prorrogar.”

Com o fim do auxílio emergencial em 2021, a tendência é que a crise que assola o país se aprofunde ainda mais, uma vez que a economia passa longe de ter uma significativa recuperação. O desemprego tende a continuar crescendo, além de que os casos de Covid19 estão voltando com força e chegando ao número macabro de mil mortes por dia, fato que ocorre justamente após a farsa eleitoral, em que todas as forças políticas reacionárias unificaram-se em torno da propaganda massiva da obrigatoriedade do voto.

“Quando juntamos a segunda onda de Covid, restrição de atividade e nova quarentena com o fim do auxílio emergencial, vemos uma situação muito complicada no primeiro semestre de 2021”, diz Sergio Vale, economista-chefe e sócio da MB Associados.

Um fato que serve como parâmetro para o próximo ano é que com a redução do auxílio de R$600 para os R$300, 75% das famílias já reduziram a compra de alimentos, e 65% diminuíram a compra de remédios. Também segundo a pesquisa da Datafolha.

Outro fato apontado pelo economista, é o endividamento, principalmente da população mais pobre, durante este período de pandemia e recessão.

Para ele, na tentativa de manter o padrão de consumo com a perda de renda na pandemia, as pessoas tomaram empréstimos, principalmente os consignados para aposentados. Tal fato fez com que as famílias mais pobres passassem a contar com os rendimentos dos aposentados na composição da renda.

“As famílias se endividaram e devem chegar a 2021 com capacidade reduzida de consumo”, diz Vale.

A ENCRUZILHADA DOS REACIONÁRIOS

Desde o início afirmamos que este governo reacionário está fadado à divisão. Paulo Guedes e companhia, apologistas da “austeridade fiscal” e dos cortes de direitos, buscam só uma perspectiva: “segurança fiscal”. Ou seja, lhe importa mandar o seguinte recado ao capital financeiro internacional: “invistam” aqui que nós vamos garantir seu rentismo mórbido, nem que seja obrigando o povo a passar fome e sem nenhum direito. Como parte disso esses sequazes exigem manter o “teto dos gastos”, para que se imponha ao país, dentre outras coisas, o congelamento por 20 anos nos investimentos em saúde, educação etc., além de reduzir gastos com obras e outros monopólios estatais.

Por sua vez, os generais, com sua política contrarrevolucionária de tentar desarmar a radicalização da luta de classes e deter a rebelião das massas, buscam como eixo central da política econômica tentar atenuar a crise, apostando no receituário da fração burocrática da grande burguesia local, o surrado “desenvolvimentismo” antioperário e vende-pátria. Baseado no endividamento público para gerar ocupação extensiva de força de trabalho, “empregos rápido”, “recuperar o poder de compra”, embalados por massivo assistencialismo corporativizador e eleitoreiro, pretendem manter grande parte das massas empobrecidas e miseráveis encabrestadas. Não por outros motivo e objetivo impuseram, no grito, o auxílio emergencial, temendo profundamente a explosão de saques e de grandes instabilidades diante da fome que grandes contingentes das massas já experimentavam e na qual iriam afundar subitamente. Com o auxílio, embora o valor não dê para assegurar o sustento e ainda se passe fome, se pôde mitigar momentaneamente o sentimento de abandono e desprezo, abandono e desprezo reais que dispensam ao nosso povo esses governos e velho Estado. Toda essa política tem por preocupação central a inevitável degradação social, a cada dia agravada e prestes a converter-se, num salto, em caos social e grandes rebeliões de massas.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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