Filipinas: Maoistas enfrentam ataques da reação e avançam a Guerra Popular

No dia 4 de janeiro o Comando Narciso Antazo Aramil do Novo Exército Popular de Rizal (CNAA-NEP-Rizal) realizou uma emboscada bem-sucedida contra o 80° Batalhão de Infantaria - Exército Filipino e a Polícia Nacional Filipina de Rizal, matando um agente da reação e ferindo vários outros. A ação ocorreu após um ano de terror perpetrado contra as massas pelos mercenários na província. 

Diversas outras ações do NEP foram realizadas nacionalmente no mês de dezembro de 2020 contra as forças reacionárias do velho Estado, na medida em que essas também recrudesceram sua ofensiva contra o povo filipino e a sua vanguarda, o Partido Comunista das Filipinas (PCF), e o NEP.

A ação contra as forças reacionárias no dia 04/01, na cidade de Matan do Sítio Dapis, foi realizada em memória às vítimas do terrorismo do 80° Batalhão de Infantaria - Exército Filipino e Polícia Nacional Filipina de Rizal na região. O último caso de terrorismo dos mercenários contra o povo rizalenho fora o massacre de cinco civis na cidade de Baras, em 17/12.

A emboscada do CNAA contra a unidade entre as Forças Armadas reacionárias das  Filipinas e a Polícia Nacional Filipina em Rizal é também uma resposta do NEP-Rizal à luta do povo rizalenho contra a construção em curso de projetos antipovo da barragem de Wawa-Violago que irão devastar a província ambientalmente e economicamente. Estas construções são conhecidas por causarem graves inundações e mortes de civis, como nos casos dos tufões Rolly e Ulysses em grandes partes de cidades como Rodriguez e Marikina. O alvo escolhido pelos guerrilheiros para a ação de emboscada servia como força de segurança de tais projetos.

OUTRAS AÇÕES SÃO REALIZADAS CONTRA OS REACIONÁRIOS

Em 17/12, um veículo policial em Barangay Balicua, em Tubungan, Iloilo, foi emboscado. O ataque se deu com um dispositivo explosivo improvisado. Nenhum policial foi ferido. A detonação danificou gravemente o veículo. De acordo com o monopólio de imprensa, o NEP reivindicou a responsabilidade pelo ataque.

Dois dias antes, um soldado da reação foi morto e outros três feridos por supostos membros do NEP perto da cidade de Matuguinao na província de Samar, de acordo com relatos do monopólio de imprensa.

Já em 10/12, um veículo policial foi atacado na aldeia de Logero, também na província de Samra. Como resultado, um policial foi morto. O veículo transportava um prisioneiro que, segundo consta, regressava de uma audiência judicial quando o ataque foi perpetrado e ficou levemente ferido. Até agora não está claro se o ataque foi ou não uma tentativa de libertar um prisioneiro de guerra.

ALGOZES DO POVO RECRUDESCEM SUA SANHA CONTRARREVOLUCIONÁRIA

Mais recentemente, em 31/12, na ilha de Panay, as Forças Armadas reacionárias das Filipinas conduziram um massacre contra a população indígena Tumandok. Nessa ação foram assassinadas nove pessoas e outras dezessete foram presas. 

Utilizando como pretexto as chamadas “operações de contra-insurgência”, o velho Estado planejava atacar o povo, atualmente  há uma luta contra o megaprojeto de construção da barragem Jalaur. Em seguida ao massacre, o exército reacionário filipino despejou cerca de 80 famílias do povo indígena de suas casas. Um porta-voz do PCF afirmou que há uma ordem expressa por parte da direção partidária em se formar grupos guerrilheiros partisans para vingar o massacre dos Tumandok.

Em 10/12, foram presos simultaneamente seis importantes líderes e militantes do movimento operário filipino, sob a falsa acusação de porte de armas e explosivos. Dias antes, também foi preso José Bernardino, membro da Aliança Operária da Região III, encarcerado por motivação da recém aprovada Lei Antiterrorista do governo reacionário de Duterte.

Ações da repressão também buscaram golpear diretamente o PCF. Em 25/11, na cidade de Angono, a polícia reacionária filipina metralhou a casa do casal Eugenia Topacio e Agaton Topacio, históricos militantes comunistas, que foram executados. Ambos estavam em seus quase setenta anos de idade, enfermos, quando foram fuzilados pela polícia. Cinicamente, os reacionários filipinos chegaram a declarar que os dois militantes históricos(idosos e em situação de enfermidade) foram metralhados por um batalhão da polícia por terem “resistido”. Em 10 de dezembro, outro histórico dirigente comunista, o camarada Joaquin (pseudônimo de Alvin Luque), foi executado por elementos da 4ª Divisão de Infantaria das “Forças Armadas das Filipinas”.

"NÃO HÁ MAIS ESPAÇO PARA A PAZ SOB O REGIME DE DUTERTE"

Diante das ameaças e crimes antipovo perpetrados pelo governo Duterte, os comunistas filipinos declararam recentemente que "não há espaço para o discurso democrático, nem espaço para o respeito aos direitos civis e políticos, não há mais espaço para a paz sob o regime de Duterte”.

Eles também afirmaram, em uma declaração no final do ano de 2020, que o NEP construiu novas frentes de guerrilha e expandiu antigas frentes em várias regiões, apesar das operações militares focalizadas em grande escala e sustentadas e orquestradas pelas Forças Armadas reacionárias das Filipinas . A informação baseia-se no texto divulgado pelo Comitê Central (CC) do Partido Comunista das Filipinas (PCF) por ocasião do 52º aniversário do Partido.

Segundo o CC, "as unidades do NEP estão a se expandir para novos territórios ou a recuperar áreas antigas e a formar novas frentes de guerrilha", a fim de aproveitarem áreas mais vastas para manobrar à medida que enfrentam e superam as operações de combate e bombardeamento aéreo em grande escala das unidades militares reacionárias. 

O CC do PCF não deu números específicos mas afirmou que existem experiências "excepcionais" na expansão do território de guerrilha nas regiões do sul de Tagalog, Bicol, Negros e Visayas Orientais, onde o exército reacionário enviou um grande número de tropas desde que estas foram colocadas em "estado de emergência" em 2018 por Duterte.

Os comunistas, ainda, informaram que a constante expansão das áreas de operação do NEP torna ineficazes as grandes operações da AFP, uma vez que as tropas fascistas não conseguem nem cercar e nem dominar as unidades menoresdo NEP. O CC conclamou, também, ao NEP para "continuar a dominar táticas de guerrilha de concentração, dispersão e deslocamento para se esquivar à principal força de ataque do inimigo, fazer com que este bata ao ar com operações grandes e esbanjadoras, e depois atacar as forças mais fracas a partir dos seus flancos".

O CC ainda afirmou que o regime de Duterte está "a desperdiçar milhares e milhares de milhões de pesos para manter o seu número crescente de tropas e o seu arsenal de drones de vigilância, aviões de combate e helicópteros, bombas aéreas, morteiros e howitzers".

Estima-se que existem, atualmente, cerca de 150 batalhões de tropas de manobra reacionárias destacadas contra o NEP. Até 82% do total das forças inimigas estão concentradas em oito regiões: Tagalo Sul, Bicol, Visayas Oriental, Negros, Mindanao Nordeste, Mindanao Centro-Norte, Mindanao Sul e Mindanao Extremo Sul. O Estado filipino visa aumentar ainda mais o número de paramilitares da Forças Armadas Cidadãs de Unidade Geográfica (FACUG) para 70.000, com o recrutamento de mais 9.000 paramilitares.

O CC do PCF salientou, contudo, que embora "o inimigo seja superior militarmente, é inferior politicamente", porque o sistema que defende é opressivo e explorador, apodrecido e cheio de crises que não servem os interesses das grandes massas.

De acordo com o portal popular de notícias Redspark, como não têm o apoio verdadeiro do povo, as Forças Armadas reacionárias Filipinas submeteram as massas camponesas nas zonas rurais a uma guerra suja, num esforço desesperado de as impedir de darem apoio ao NEP. O número crescente de mortes e massacres de camponeses desarmados, no entanto, apenas suscita indignação e aumenta a determinação das massas em apoiar ou aderir ao NEP.


Soldados do NEP. Foto: Redspark.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ana Lúcia Nunes
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira

Ilustração
Taís Souza