O 'Dia D' de quê, cara pálida?

Eduardo Pazuello, general que está a frente do Ministério da Saúde. Foto: Banco de dados AND.

Em entrevista, o ministro da Saúde Eduardo Pazuello deu ‘certeiras’ informações sobre a vacinação, em todo território nacional, contra a Covid-19. Quando será realizada? No dia “D”. E ainda deu a hora exata: na hora “H”. O general, que ficou com sequelas por vários meses após contrair o coronavírus, ainda repetiu por duas vezes esta incrível informação.

Ao jogar tais palavras ao vento, o general anunciou a falta de condições concretas para definição do plano de vacinação do governo federal, querendo que o povo brasileiro sofra por tempo indeterminado a peste do coronavírus, além das já antigas fome, violência policial, desemprego, miséria e da guerra contra o povo - desgraças de nosso tempo. Ele, afinal, deu a prova de que o reacionário exército brasileiro que se colocou perante a tarefa de empalmar o eleito Bolsonaro e seu governo é, na realidade, um fantoche, que a capacidade logística das Forças Armadas é tão patética que, mesmo empenhados seriamente em impedir uma desmoralização completa aos olhos do mundo de seu governo, falham miseravelmente.

O que é possível entender, tendo em vista as informações que o leitor tem até hoje, é mais ou menos o seguinte: o Ministério da Saúde (MS) demorou três meses para responder à Organização Panamericana da Saúde (Opas) acerca da proposta de 40 milhões de seringas oferecida pelo organismo multilateral. E quando o fez escolheu a opção mais demorada, de entrega via navio (e não por avião). Neste ínterim, porém, o Ministério do general Pazuello tentou outras vias. Realizou, no dia 29 de dezembro, um leilão para adquirir 331 milhões de seringas, porém só conseguiu menos de 8 milhões. Fracasso total! Após definir que 30 milhões de seringas seriam vindas de fabricantes nacionais, restando ainda cerca de 230 milhões de seringas no cálculo das duas doses que os 150 milhões de brasileiros devem receber, a saída foi assaltar o SUS: tudo aquilo que estivesse em mãos de estados e municípios e pudesse ser um estoque de seringas passou a ser vislumbrado pelo reacionário militar Pazuello. Os estoques cobiçados, por sua vez, são destinados anualmente para a aplicação de vacinas contra sarampo, gripe, febre amarela e outras. Especialistas em epidemiologia já afirmam que a continuidade de campanhas de vacinação da primeira infância (que precisam ser aplicadas em meses corretos) está ameaçada.

Após a resmungação de que “os preços estão caros”, Bolsonaro e o ministro se deram conta de que estavam travados pelas próprias engrenagens do sistema que defendem, que beneficia primeira e exclusivamente os países imperialistas, para enviar para os povos oprimidos aquilo que é seu resto, e à preço de ouro!

Ainda que existam os interesses em deixar o genocídio acontecer pela maior duração de tempo possível (destruição de forças produtivas em meio à crise de superprodução que atinge o mundo e o país), além da chantagem da “classe empresarial” (donos das empresas multinacionais de saúde privada) em torno de colocar o sistema privado de saúde como carro-chefe da campanha de vacinação, o governo reacionário, dividido que se encontra entre extrema-direita e direita, está em um limbo: deixando o povo morrer às mínguas, não conseguirá atingir a meta (sempre inalcançável) da “recuperação econômica do país”; porém retornando à dita “normalidade”, encontrarão forças sociais suficientemente indignadas e indispostas a aceitar a situação de escravidão assalariada mais agravada à qual pretendem impôr-lhes os reacionários de sempre. A rebelião das massas e a explosão de lutas radicalizadas em todo o país em torno dos direitos mais básicos está sempre presente seja em qual cenário for. E é justamente em torno deste perigo que as classes dominantes se organizam e buscam dar soluções, sem, contudo, lograr atingir tal objetivo.

Já foi dito pelo AND que entre as três tarefas reacionárias, estava a de “conjurar o perigo de Revolução através da restrição máxima da liberdade de organização e manifestação das massas, do incremento das leis de criminalização do protesto popular, do endurecimento penal e da escalada da ação violenta dos órgãos de repressão do Estado com a intervenção das Forças Armadas. E se a Revolução se desencadeia, tratar de esmagá-la a ferro, sangue e fogo o mais rápido possível”.

Frente a este perigo é que as Forças Armadas reacionárias estão interessadas. E na visão dos generais, que demonstraram pouco saber sobre vacinas e seringas, o povo pode esperar, calado e sentado que elas virão em tal “dia D, hora H”, afinal.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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