USA: Moradores realizam protestos contra despejos em meio à pandemia

Inquilinos realizam protesto contra proprietário predatório Aaron Marzwell, em Los Angeles. Foto: Tribune of the People.

Na segunda e terceira semana de janeiro, organizações e moradores de aluguel realizaram atos nas cidades de Los Angeles e na Cidade do Kansas, no Estados Unidos (USA), contra os despejos planejados pelo Estado reacionário ianque, que jogaria diversas famílias na rua em meio à pandemia do coronavírus.

Em Los Angeles, no dia 16/01 a North Madison Tenants Association (Associação de Inquilinos do Norte de Madison) organizou um protesto com cerca de 50 pessoas contra Aaron Marzwell, um proprietário conhecido por despejar e assediar inquilinos no complexo de apartamentos na avenida North Madison, no Leste de Hollywood.

Entre os manifestantes, encontrava-se militantes da Los Angeles Rapid Eviction Defense (Defesa contra Despejo Rápido de Los Angeles, LA RED), militantes da organização LA Tenants (Inquilinos de LA) e a  United Neighborhood Defense Movement (Movimento de Defesa do Bairro Unido), que marcharam de um parque próximo até a casa de Marzwell, no Oeste de Los Angeles, em um bairro rico de Los Angeles.

Cerca de mil panfletos com o rosto de Marzwell e com uma lista de exigências dos inquilinos foi distribuída no bairro, enquanto os manifestantes usavam palavras de ordem como Marzwell é um parasita! Organizar, defender e lutar!.

Enquanto a polícia de Los Angeles seguia a manifestação, tentando impedi-los de bloquear uma intersecção, os manifestantes responderam criando uma barricada improvisada com lixo e lixeiras, para impedir a polícia de segui-los.

Uma vez que os manifestantes chegaram à casa de Marzwell, as exigências dos inquilinos foram coladas em frente a sua casa, enquanto os manifestantes chamavam por ele, para que ele pudesse encarar os inquilinos que ele quer despejar. Marzwell não compareceu.

“Não vai haver mais desculpas para despejos! E é por isso que estamos aqui”, disse um ativista da LA RED. “Você pensa porque vive deste lado da cidade - você pensa porque pode se esconder atrás de LLCs, que você é invencível e que ninguém pode detê-lo”, informa o jornal revolucionário Tribune of the People.

As LLCs (sociedades anônimas de responsabilidade limitada) são frequentemente usadas pelos capitalistas para escapar da retaliação por práticas comerciais impopulares, para se esconderem atrás do anonimato ou se registrarem sob o nome de outra pessoa. A Califórnia é um dos únicos quatro estados que permitem SRLs anônimas.

Os manifestantes encerram o protesto com mais de uma dúzia de cartazes colados na frente da casa de Marzwell, com palavras de ordem como Parem de despejar os mais velhos e Os vizinhos defendem uns aos outros!.

Já na Cidade do Kansas, entre os dias 19 e 21, a organização Kansas City Tenants (Inquilinos da Cidade do Kansas) realizou atos em frente as casas de duas juízes, a Juíza Kyndra Stockdale e a Juíza Mary Weir.

Militantes da Kansas City Tenants realizaram um outro ato, no dia 21/01, em frente à casa da juíza Weir, uma das maiores responsáveis por despejos na cidade. Os militantes exigiram novamente a petição da juíza Weir por uma moratória estendida, pregando uma faixa no chão antes que a polícia chegasse.

“O que mais devemos fazer?” um apoiador dirigiu-se à multidão. “Escrevíamos cartas, fazíamos telefonemas, tentávamos apenas estar fora do tribunal. Isso não funcionou. Não vamos embora”, segundo o jornal revolucionário Tribune of the People.

No dia 19, cerca de 50 pessoas realizaram um ato durante o dia, exigindo que Stockdale estenda a moratória de despejo. Se não pela pressão dos moradores em cima das autoridades, que prorrogaram a moratória de despejo, Stockdale teria dado ordem de despejo para mais 90 pessoas.

Durante à noite, em frente a casa de Stockdale, em seu jardim, ativistas colocaram uma faixa denunciando os despejos despejados e autorizados por ela, escrito Vergonha para a juiz Stockdale: Mais de 835 despejos e 361 julgamentos de despejo em meio ao COVID.

Moradores realizam protesto em frente a casa de juíza responsável por despejos na Cidade do Kansas. Foto: Tribune of the People.

Proprietários ameaçam jogar famílias na rua

Em meio à crise geral do imperialismo, a ameaça de viver na rua cresce entre o povo. A crise de superprodução já jogou milhares de americanos no desemprego, sendo 751 mil apenas em novembro de 2020, com os mais afetados sendo os trabalhadores de baixa renda, cuja taxa de desemprego sobe para 20% entre eles, segundo a Governadora da Reserva Federal do USA.

Em 2019, cerca de 43 milhões de americanos viviam de aluguel. Desde o início da crise, no entanto, cresce a chance desse número diminuir, com os antigos inquilinos morando na rua. Como muitos que vivem de aluguel estão sem emprego, o pagamento do aluguel acaba se tornando impossível para estes, com diversas famílias com o aluguel atrasado.

No entanto, os grandes proprietários de condomínios e moradias mesmo assim desejam o despejo daqueles que pouco ou nada tem, com mais de 10 mil ações de despejos chegando na justiça entre setembro e inicio de outubro de 2020. Em Nova Iorque, mais de 200 mil ações de despejos estão paradas na justiça e, em Los Angeles, cerca de 400 mil famílias correm o risco de despejo.

Os despejos, que agravam a disseminação do vírus, foram impedidos em alguns casos pelo banimento federal. Entretanto, tal medida não é o suficiente para impedi-los, uma vez que nenhuma agência federal de fato impõe a moratória do governo.

Ainda assim, moradores se organizam em movimentos para garantir um local para morar, enfrentando muitas vezes repressão por parte do Estado reacionário ianque.

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