AM: PM assassina mais um trabalhador na periferia de Manaus e trabalhadores reagem com barricadas


O entregador Felipe Cavalcante dos Santos foi morto com um tiro no rosto. Foto: Reprodução.

O jovem trabalhador Felipe Cavalcante dos Santos, 21 anos, foi assassinado por um Policial Militar (PM) com um tiro no rosto, por volta das 19h do dia 3 de fevereiro, enquanto realizava entregas no bairro Mauazinho, zona leste de Manaus. No momento em que foi assassinado, o mesmo estava com sua moto em uma borracharia na Avenida Solimões aguardando o envio de outros pedidos.

O jovem era muito conhecido na comunidade Parque Mauá, uma das comunidades do bairro. Os trabalhadores cercaram o PM que conseguiu fugir, na fuga avisou outros PMs que o levaram para um posto de combustíveis no bairro vizinho.

A população chamou o SAMU, contudo não foram atendidos diante do caos da pandemia de Covid-19 em Manaus. Os trabalhadores, então, se organizaram e transportaram o jovem em um carro para o Pronto-Socorro João Lúcio. Contudo, Felipe não resistiu e morreu no caminho.

De acordo com informações da Polícia Civil, o PM estava de folga quando iniciou uma perseguição por conta do roubo da moto da sua irmã em um bairro nas proximidades. A moto com dispositivo de GPS travou pouco tempo depois e os homens fugiram para uma região de mata. O PM continuou a perseguição efetuando vários disparos a esmo porque se assustou, no momento havia outras pessoas na Avenida, uma das mais movimentadas do "mauazinho".

Em entrevista ao monopólio local de imprensa Rede Amazônica, o pai do jovem, o industriário Léo Miranda, relatou que o PM estava mentindo. "Eu falei, lá na delegacia, que ele estava mentindo. Ali não tem área de mata, é uma borracharia. Eu espero a justiça de Deus"

Em entrevista ao monopólio de imprensa emtempo/Manaus, o pai relatou que o jovem sonhava ser Engenheiro mecânico. “Aqui no bairro ninguém falava mal do meu filho, porque ele era trabalhador. Não devia nada para ninguém, eu jamais deixei que ele se envolvesse com algo errado. Quando me falaram não acreditei, corri feito um louco para o hospital, mas quando cheguei, meu filho já tinha falecido"

Em entrevista ao monopólio de imprensa, os moradores temendo mais represálias não se identificaram. Uma delas denuncia que o PM chegou atirando e questiona se a farda dos agentes serve como licença para matar na periferia. “Tava fazendo entrega de lanche, mal ele chegou aqui o policial chegou e deu lhe um tiro. Quer dizer que eles podem matarem só porque tá fardado? Ai eles vão ficar acobertando eles? Quer dizer que nós que somos família vamos ficar sofrendo por causa desse vagabundo que tirou a vida dele. Eles esconderam ele!”, denunciou.

Outra moradora cobra punição ao assassino. “E foi policial, é policia que veste uma farda ainda bota o nome pra dizer que é polícia não pode uma coisa dessas! Ele vai ter que ser punido! Nós queremos justiça.”

Outro morador denuncia que ele foi assassinado na frente de todos. "Se não fosse uma pessoa correta e trabalhadora, eu jamais estaria aqui. Ele morreu sem nenhum motivo, na frente de todo mundo".

Outros moradores afirmam que o jovem era trabalhador e que a PM na periferia são bandidos com farda. “Ele era um homem trabalhador, aí falaram que ele tava roubando”. “Polícia é bandido fardado!”

Trabalhadores protestam com barricadas e interditam avenida

Por volta das 20h foi confirmada a morte do jovem. Os trabalhadores iniciaram os protestos com barricadas de pneus, pedaços de madeira e grades de cerveja na rua onde ocorreu o assassinato de mais um jovem na periferia da Amazônia. Além dos trabalhadores, mulheres e até mesmo crianças estavam presentes no ato

Rapidamente foram acionadas equipes da Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), Companhia Independente de Policiamento com Cães (CIPCães) e Comando de Policiamento Especializado (CPE) para repressão.

Novamente a PM chegou ao local atirando, desta vez balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Os trabalhadores reagiram atirando pedras, pedaços de madeira e garrafas. Somente após 2h a PM conseguiu dispersar o ato e depois de 4 horas conseguiu desfazer as barricadas.

Diante da combatividade das massas a PM tentou outra maneira de conter o ato. Durante o protesto, o assassino foi levado para a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), onde foi autuado em flagrante por homicídio doloso, com intenção de matar. Durante a madrugada ele foi encaminhado para um Batalhão da PM.

https://twitter.com/jornaland/status/1357747790626054147

PM assassina no campo e nas cidades da Amazônia

O AND vem denunciando constantemente os assassinatos realizados pela PM no campo e nas cidades da Amazônia.

Em 2018, um homem foi atropelado por uma viatura em alta velocidade na Zona Norte de Manaus, com o impacto o homem morreu na hora, após seu corpo ser arremessado a vários metros, viatura da Polícia Militar assassina pedestre atropelado na periferia de Manaus.

Em julho de 2020, o secretário estadual do Fundo de Promoção Social do governo do AM e sua comitiva, em meio a pandemia, invadiram sem autorização a Terra Indígena (TI) Kwatá-Laranjal e o Assentamento Agroextrativistas Abacaxis I e II, entre os municípios de Nova Olinda do Norte e Borba, interior do Amazonas. 

Após serem expulsos pelos camponeses e povos indígenas, a PM realizou, durante todo o mês de agosto, diversas operações nas comunidades com membros do COE (Comando de Operações Especiais) e do Batalhão Ambiental. A maioria dos agentes de repressão estavam sem identificação.

Durante as operações foi proibida a circulação de alimentos, houve invasão de residências, tortura de lideranças e uma chacina com o assassinato de dois jovens do povo Mundurukus, além de três camponeses ribeirinhos, as mesmas só foram interrompidas após repercussão nacional.

Leia mais em: Militares promovem chacina às margens do rio Abacaxis e camponeses impõem resistência.

Em agosto de 2020 uma universitária foi executada com um tiro na nuca, assim como ocorreu no "mauazinho" em Manaus, o PM alegou em depoimento que atirou sem querer, versão completamente diferente da relatada pela família da vítima e por testemunhas que presenciaram o assassinato. O crime ocorreu em Rio Preto da Eva, a 84 quilômetros de Manaus.

Leia mais em: PM assassina estudante com tiro na nuca no interior do Amazonas.

Em outubro de 2020, PMs agrediram covardemente mulheres na praça do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamin) Mestre Chico, na zona sul de Manaus, após filmarem parte das suas ações arbitrárias no local. As mulheres não conseguiram registrar a denúncia na delegacia da mulher e ainda por cima uma delas foi abordada a noite na sua casa por PMs sem identificação, como forma de intimidação.

Leia Mais em: Temendo filmagens PMs agridem covardemente mulheres em praça no centro de Manaus.



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