BA: Família protesta após PMs matarem jovem em Camaçari

Ruan sonhava em ser cavaleiro, porém este sonho foi interrompido após uma operação da PM. Foto: Arquivo Pessoal

Familiares e amigos de Ruan dos Santos Neves, de 19 anos, protestaram em frente ao Ministério Público de Camaçari, região metropolitana de Salvador, no dia 3 de fevereiro.

Eles cobram justiça e punição para os assassinos do jovem. Ruan foi morto durante uma operação da Polícia Militar (PM), no dia 31 de janeiro, num local conhecido pelo nome de Invasão da Buri.

Segundo a família do jovem, Ruan estava voltando da casa da namorada, quando foi baleado por PMs, o garoto correu e foi alvejado novamente.

“A população disse que ele estava caído, desorientado. Foi na hora que ele, já baleado, saiu em direção à outra rua. Foi quando a guarnição avistou ele e ele correu, com medo de perder a vida. Mas, infelizmente, a vida dele foi embora em vão. Ele correu em direção à casa da namorada e nem deu tempo dele chegar na casa da namorada. Ele foi tentar buscar abrigo e pedir socorro”, disse o pai da vítima, Luciano Neves, em entrevista ao monopólio de imprensa G1.

Como de práxis a PM comunicou que o jovem trocou tiro com a guarnição, versão negada pela família de Ruan, de acordo com os familiares, o jovem nunca teve envolvimento com o crime.

“O meu filho era um menino bom. Um menino de família e tiraram a vida dele cruelmente. Eu só peço justiça, que quem fez isso com ele que pague, porque destruíram uma mãe. Eu clamo por justiça. Os amigos, o pai, os vizinhos, todo mundo clama por justiça. Todo mundo aqui conhecia meu filho, que não era pessoa ruim", disse Renivalda , mãe de Ruan, que de tão abalada que estava com a morte do filho, sequer conseguiu ir ao protesto. 

A mãe disse ainda em entrevista que os PMs destruíram a sua vida "Eu estou aqui acabada, desde domingo. Eles me destruíram".

O irmão de Ruan contou que o sonho do menino era ser cavaleiro: "o sonho dele era ser cavaleiro, o sonho dele era ir para a vaquejada. Andava só em vaquejada, montando nos cavalos, cuidava dos cavalos, cuidava das pessoas. Era isso o que o meu menino fazia. Estava na casa da namorada e chegaram lá e destruíram a vida dele. Eu só peço Justiça, é só o que eu quero”, contou o irmão.

O pai em entrevista durante o protesto, relatou de forma emocionada o momento em que recebeu a notícia de que o filho foi baleado e a reação ao vê-lo morto na viatura.

“Eu estava na minha casa junto com minha esposa e meu netinho, quando chegou uma pessoa me chamando, pedindo para eu correr, porque uma guarnição da polícia tinha baleado meu filho. Imediatamente eu corri para o local onde meu filho foi baleado e não encontrei mais ele, nem a guarnição que o baleou, imediatamente, eu peguei meu carro e me dirigi ao hospital geral aqui de Camaçari, aonde eu fiquei aguardando por cerca de 10 a 15 minutos. Eles saíram na minha frente. Eu resolvi ir na UPA próxima para ver se levaram

ele para lá. Quando eu estava descendo, me deparei com a viatura que estava levando ele e voltei para o hospital geral, foi quando eles tiraram meu menino da viatura morto. Meu filho estava morto”.

Bahia é o 3° estado com mais mortes causados por intervenção policial no primeiro semestre de 2020, segundo dados do monitor da violência

Em dados divulgados pelo Monitor da Violência, que calcula as mortes ocorridas em razão de intervenções policiais, a PM baiana ocupou o 3° lugar entre os estados em que as polícias mais mataram, com 512 ocorrências, somente atrás de Rio de Janeiro com 775 e São Paulo com 514.

Em todo o país, foram 3.148 pessoas mortas por policiais durante o primeiro semestre de 2020, com um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano de 2019. Fato que mostra que mesmo com a pandemia e com menos pessoas nas ruas a polícia matou ainda mais.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

LEIA TAMBÉM

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro

E-mail: [email protected]om
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin