Somália: USA bombardeia posições de grupo contrário à intervenção imperialista

Jato F-35B do USA sobrevoa a Somalia, 05/01/2021. Foto: Trevor T. McBride.

No dia 18 de janeiro, o imperialismo ianque (Estados Unidos, USA), por meio do seu Comando da África (Africom), voltou a bombardear a Somália após ter concluído a retirada de suas tropas terrestres do país. O Africom afirma ter atingido, com seus ataques aéreos criminosos, um complexo do grupo Al-Shabab no sul da Somália. 

Além do ataque do dia 18/01, que destruiu o complexo do Al-Shabab perto da cidade de Tiyeeglow, outros dois ataques conduzidos no dia seguinte mataram três combatentes do grupo, na região da cidade de Jamaame, também no sul do país. 

De acordo com um comunicado de 24/01 do porta-voz do Africom, desde o início do ano, o comando já conduziu oficialmente um total de seis ataques aéreos na Somália. Isto, mesmo depois de o comando declarar, no dia 18/01, ter reposicionado cerca de 700 soldados ianques que estavam alocados na Somália, cumprindo uma diretiva do Departamento de Defesa do USA (Pentágono) ainda do período do governo de Donald Trump. 

Não foi informado para onde essas forças anteriormente baseadas na Somália foram realocadas. Especula-se, todavia, que parte delas tenha ido para o Jibuti e Quênia, ambos países na África Oriental vizinhos da Somália, e com postos militares ianques usados ​​para realizar operações transfronteiriças. 

Apesar da afirmação do imperialismo ianque de que os soldados foram "retirados", a mudança não representa qualquer transformação na política imperialista do USA, mas sim, apenas da sua tática no atual momento. Trata-se de uma situação similar à que ocorre, por exemplo, no Iraque, onde bases militares utilizadas por tropas ianques estão sendo evacuadas, para se concentrarem novamente em outras posições estratégicas. 

A ação, realizada já no primeiro mês da administração do recém-eleito Joe Biden, também demonstra que pouco se altera para os povos e nações dominados pelo imperialismo a suposta alternância de poder entre "democratas" e  "republicanos" na presidência do USA.

O Africom é um dos 11 Comandos Combatentes das Forças Armadas do imperialismo ianque, cada um deles designado a uma missão funcional ou a uma região geográfica do globo. Além dele, há também o comando central (Oriente Médio), do Sul (América Latina e Caribe), europeu, indo-pacífico, do Norte, e a Força Espacial. 

INTERVENÇÃO DO USA NA SOMÁLIA CRESCE

Durante os últimos dois anos, o Africom conduziu mais de 200 ataques aéreos na Somália. Durante o ano de 2020, foram 52, 63 em 2019, 47 em 2018 e 35 em 2017, de acordo com o diretor de relações públicas do Africom, Chris Karns. Revela-se um crescimento progressivo das ações militares no país, apesar da queda em 2020, que foi um ano atípico em geral para as intervenções ianques.

O Al-Shabab, alinhado à Al-Aqaeda e que expressa uma ideologia feudal e limitada quanto ao seu caráter de classe, atua de forma expressiva no combate à presença de tropas militares estrangeiras na região. Em 2020, a servir de exemplo, um ataque do Al-Shabab contra uma base no Quênia utilizada por tropas ianques e quenianas resultou na morte de um soldado e dois empreiteiros ianques, além de vários feridos e diversas aeronaves destruídas.

Apesar de, agora, a suposta motivação para a atuação do imperialismo ianque na Somália ser o "combate ao terrorismo", seu intervencionismo no país já data de muito antes. Em 1992, o USA deu início à Operação "Restore Hope" ("Restaurar a Esperança"), em que o então presidente George H. W. Bush autorizou o envio de tropas ao país para "ajudar no combate à fome". Ou seja, antes mesmo do ataque às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, marco da narrativa da "guerra ao terror" criada pelo USA para justificar todas as suas guerras de rapina. 

À época, a agência do imperialismo ianque chamada "Organização das Nações Unidas" (ONU) permitiu o uso da força sem exigir o consentimento dos Estados envolvidos, no caso, a Somália. 

Um senhor da guerra local chamado Muhammad Farah Aideed foi contrário à intervenção e, em outubro de 1993, as tropas de elite ianques lançaram ataques criminosos contra a capital Mogadíscio. O objetivo era, supostamente, capturar Aideed, assim como o USA fez posteriormente com chefes políticos locais em outros países africanos. 


No episódio mais marcante desses ataques, dois helicópteros Black Hawk do USA foram abatidos. No total, cerca de 18 soldados ianques e dois da ONU foram mortos, enquanto centenas de somalis foram abatidos em decorrência dos ataques aéreos genocidas lançados pelo USA. Imagens de soldados ianques mortos sendo arrastados pelas ruas de Mogadíscio circularam no mundo representando o fracasso do imperialismo ianque.

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