'Temos que levantar nossa bandeira e ir para a rua todos nós': entrevista com caminhoneiro

O Comitê de Apoio ao AND de São Luís do Maranhão realizou uma entrevista com o caminhoneiro Celso. Ele nos recebeu em sua casa com muito entusiasmo.

Após leitura conjunta de uma matéria da edição nº 237, realizamos uma entrevista na qual Celso expôs algumas das demandas e sofrimentos de sua categoria. Foi com elevada consciência político do porquê as suas condições de vida e de trabalho se encontram em nível duríssimo que o trabalhador contou-nos a forma pela qual ele entende e defende a greve da categoria: como um dos primeiros passos no sentido de realizar uma grande mudança no país. E foi com essa certeza que ele nos ensina: "Temos que levantar nossa bandeira, todas as categorias devem lutar, tem que ir para rua todos nós".

Confira abaixo a entrevista na íntegra:


Pergunta: Como está passando esse momento da pandemia, enquanto classe?

Resposta: Obrigado por levar ao ar essas reivindicações minhas e de muita gente, não só da categoria do transporte, mas de todas as categorias; e pedir que todas se unam para lutar por um Brasil democrático, porque isso que tá aí não é democracia de jeito nenhum. Somos uma democracia mascarada, de mentirinha, parece que só alguns que respiram essa democracia. País atrasado, que poderia ser de primeiro mundo se não fosse uns poucos aí. 

Os caminhoneiros hoje vivem pouco assistidos mesmo com essa pandemia – que nós que estamos à frente – e não podemos parar porque são vidas que estão nas nossas costas. Se o caminhão parar, o Brasil vai passar necessidades; mas estamos ficando sem opção alguma. 

Nos tratam como bicho, como se não pegássemos a Covid-19, como se não tivéssemos família – mas nós temos, e precisamos de auxílio. Já percebemos que esse jurídico não se dá com a gente, não ligam para pobres e trabalhadores, que é o que somos. A área da saúde e da alimentação está sendo movida pela gente. Merecemos respeito, a gente leva e traz alimentos e oxigênio.

Não nos oferecem uma beira de rodovia, álcool em gel, auxílio para não nos atolarmos de trabalho, regulagem do frete ou diminuição do óleo diesel... Tudo aumentando. Pensam que somos bestas – a gente sabe pra onde tá indo esse dinheiro daí e não é para povo nenhum, só para os ricos.

Pergunta: Essa luta dos caminhoneiros se mistura com a de outros serviços?

Resposta: Sim, as outras classes devem se unir nas reivindicações que garantam um Brasil mais justo, porque o trabalhador sofre muito com o preço da vida nas costas. A gente não pode mais nem se aposentar porque não damos o tempo certo da jornada de trabalho e vamos morrer antes de desfrutar da vida ou quando já estivermos inutilizados de tudo. 

Para se votar, eles apertam nossas mãos; no dia-dia tratam os trabalhadores como o mesmo que nada. Hoje em dia, se dão um salário mínimo para gente, ajuda a comprar o que? Só para não morrermos de fome. Parece que é isso mesmo, a gente trabalha a vida só para não morrer de fome. O trabalhador deveria ter no mínimo um salário de 3000 reais ou 5000 mil reais, vamos falar 5000 mil reais, poxa vida. Fica a minha revolta.

Pergunta: O que você pensa da greve dos caminhoneiros?

Resposta: Penso que ela deve acontecer, se não tiver guerra não tem paz. Temos que levantar nossa bandeira, todas as categorias devem lutar, tem que ir para rua todos nós. Palavra de ordem: Vamos levantar esse país para o povo. O Brasil tem caixa para um auxílio emergencial muito maior! Tem caixa! O salário dos grandes que estão nos poderes só aumentam, esse bando de vagabundos! Eles não vão abrir mão se a gente não forçar. 

Onde se viu pouca gente ganhando tanto dinheiro e a classe que trabalha, que alavanca esse país, ficar com tão pouco e sofrer tanto assim? É uma revolta que tá na garganta e precisa sair, senão a gente morre engasgado. Falo pelos meus colegas de trabalho que vivem as mesmas coisas que eu, ou até pior. Não dá para nossas crianças viverem o mesmo que a gente, de forma tão difícil. 

Fico feliz que estejamos tendo voz, já é um começo. 


Trabalhadores caminhoneiros se organizam durante a greve no ano de 2018. Foto: Banco de dados AND.

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