SP: Médicos residentes em greve contra a falta de insumos e medicamentos básicos

Médicos residentes protestam contra falta de insumos e medicamentos no Hospital São Paulo Foto: Tiago Queiroz.

Médicos residentes que trabalham no hospital São Paulo, na capital paulista, entraram em greve no dia 9 de fevereiro. Eles organizaram um protesto na manhã desse dia. A mobilização ocorre devido a falta de medicamentos básicos e insumos na unidade.

Durante a ação, 30% dos residentes atuaram no atendimento aos pacientes. Todos os demais levaram cartazes e faixas com as frases A saúde pede socorro e A luta é pelos pacientes em um protesto que foi até a frente da unidade. O ato cumpriu o papel de denunciar o descaso com um serviço público que atende a população.

Os trabalhadores (muitos dos quais são estudantes de medicina em período de residência) afirmam que o hospital não tem condições de atender os pacientes e que falta itens como suturas, luvas cirúrgicas, agulhas, seringas, sacos plásticos, insumos para exame de sangue e até medicamentos básicos com dipirona e calmantes. Até mesmo insumos para exames de sangue.

Uma equipe do monopólio de imprensa (Estadão) foi até o hospital e encontrou pessoas internadas em macas nos corredores da unidade.

Mateus Franco, que trabalha no hospital desde 2012, disse em entrevista que apesar de já ter sofrido com falta de insumos em outras ocasiões (no que ele define como “crises cíclicas”) , nunca viu algo tão desesperador como agora. Ele diz que diante dos riscos que os pacientes estão correndo, os residentes decidiram parar.

Segundo o estudante, no dia 12 de fevereiro, outros médicos e demais funcionários do hospital também vão parar.

Uma das listas de itens faltantes que foi entregue pelos médicos a direção do hospital. Foto: Reprodução

Outro residente, que preferiu não se identificar, relatou que o hospital sofre de uma “falta crónica” de insumos. O mesmo ainda relatou que a direção do hospital decidiu aumentar os leitos para atender pacientes com Covid-19, porém não houve planejamento algum. Ele  questionou: “Como continuar com o serviço aberto se não temos condições de atender os que já estão aqui?”

Médicos presentes no protesto denunciaram várias ocasiões em que pacientes sofreram por conta da falta de insumos. Um dos casos foi relatado por uma médica que, ao atender um paciente com AVC hemorrágico na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), descobriu não haver medicamento para estancar o sangue. Outras denúncias dão conta de equipes médicas tendo que realizar cirurgias com luvas normais que não são as melhores indicadas para o procedimento pois não tem esterilização adequada. O descaso com os pacientes vai além: pessoas que precisam de quimioterapia estão tendo suas sessões adiadas.

Em entrevista, Sandro Barbosa, que leva a filha de 13 anos ao hospital regularmente para tratar febre reumática, relatou: "Me disseram que não havia material para fazer nem o exame de sangue que ela precisa e me encaminharam para o Hospital Santa Marcelina".

Já Adriana Aga Buzetto, que acompanha o marido Marcelo desde agosto de 2020 nas idas ao Hospital São Paulo, contou que nem sequer a bolsa de colostomia que o marido precisa foi oferecida. A mulher também relatou que não foi feita a lavagem intestinal e exames de sangue no marido, também por conta da falta de materiais. 

O residente Mateus Franco contou que em reunião, o diretor administrativo do Hospital, Marcelo Santos, disse que o estoque de medicamentos e insumos será normalizado somente daqui a dois meses: "Ele disse que só vai normalizar o estoque daqui a dois meses, mas também explicou que nada impede de o hospital voltar à mesma situação dois meses depois". Mateus também denuncia que a situação do hospital é  "deficitária desde setembro".

Em comunicado, o Hospital São Paulo divulgou que “a unidade tornou-se um hospital preferencialmente Covid-19, atendendo a um grande volume de pacientes graves, que geraram maiores custos que não estavam previstos”.

Contudo, médicos presentes no protesto contaram que até mesmo os remédios usados em pacientes com Covid-19 estão em falta na unidade: "Se a pessoa desenvolver uma pneumonia, não tem antibiótico", afirmam.

“É o risco que estamos correndo e, diante do cenário perigoso aos pacientes, decidimos parar", afirmou Mateus Franco sobre a posição dos médicos e funcionários diante da precária situação do hospital.

Médica leva cartaz explicando os malefícios causados pela falta de alguns medicamentos. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

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