MA: Os ataques contra os jornaleiros de São Luis

Bancas de jornais em São Luís estão sendo ameaçadas. Foto: Reprodução

Os anos de 2019 e 2020 foram marcados pelo programa São Luís em Obras,  projeto da prefeitura de São Luís sob o mandato do ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. de revitalização das praças no centro da cidade, mercados, ruas, avenidas e logradouros.

O projeto de revitalização do centro histórico de São Luís faz parte de uma política de higienização urbana da prefeitura. Suas consequências, porém, afetam a toda a região: o afastamento, a expulsão e o desalojamento dos grupos considerados indesejados estão entre elas.

Com as reformas das praças, um setor da classe trabalhadora foi particularmente prejudicado: os jornaleiros. 

Há décadas estabelecidos, muitos trabalhadores tiveram suas bancas realojadas, postas em locais com pouca circulação. Outros estão sob risco de ver suas bancas fechadas, o que já ocorre. 

No circuito que vai da praça João Lisboa até o Complexo Deodoro são mais de 20 bancas de jornal e revista que desapareceram. É visível: já não existe banca de revista em praças de referência da cidade, como a Deodoro e João Lisboa. 

O que se assiste em São Luís é a extinção gradual das bancas de revistas e, por consequência, da extinção dos jornaleiros não apenas no centro da cidade, mas em outros pontos, como o despejo de bancas ocorrido no bairro Renascença II. 

O Comitê da AND de São Luís esteve em contato com alguns jornaleiros e registrou queixas sobre o manejo arbitrário da questão pelo governo.

Em período de crise, governo promove a destruição e remoção das bancas de jornais

Uma jornaleira relatou que sua banca foi removida. Pela forma truculenta que foi feita a ação, a banca ficou com dano quase total. O teto e as portas foram destruídos, o piso ficou totalmente danificado

- Tive que correr atrás de ajuda e empréstimos para refazer toda a banca” disse a jornaleira. 

O ocorrido se deu no período chuvoso, o que causou mais transtornos por ser trabalhar com livros e revistas. 

- Tenho lutado para pagar as dívidas contraídas, o que até agora não consegui.

O governo do Estado se apoia no que chama de “potencial turístico” da capital, São Luis. Por outro lado, prejudicam o trabalho local. Em São Luís existem poucos espaços de cultura acessíveis ao povo. Segundo uma entrevistada, reduzir as bancas terá impacto negativo na solução desse problema:

- A nossa exigência é para que a gente volte para os nossos locais de antes e para que cada tenha uma praça (...) em qualquer lugar que você vai, em Teresina, Belém, Fortaleza... Tudo tem banca nas praças, só em São Luís que não vai ter? É um projeto contra a cultura!

Diante de situação de ameaça e insegurança, ano passado os jornaleiros  resolveram se unir como categoria para se fortalecer em torno da Associação dos Jornaleiros do Estado do Maranhão; que já não se organizava fazia 40 anos, de acordo com a informação que recebemos de uma das jornaleiras entrevistadas.

Ficam às claras as prioridades do governo do Maranhão (Flavio Dino, PCdoB) quando, dentro do contexto de pandemia, de crise econômica e sanitária e com índices de desemprego em alta, age contra um setor de trabalhadores.

A luta dos jornaleiros, assim, diz respeito ao direito à  informação e à cultura. É uma luta pelos mais básicos direitos, que se dá contra a arbitrariedade do velho Estado e pela defesa de trabalho digno para todos.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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