Peru: Centenas de políticos e altos funcionários do governo furam a fila para a vacinação contra a Covid-19

Foi revelado, na metade do mês de fevereiro, que quase 500 pessoas, entre políticos e vários funcionários do governo do Peru, receberam em segredo as doses da vacina contra a Covid-19 antes do início oficial da campanha no país. Além disso, a lista ainda inclui familiares e parentes de vários funcionários públicos.

O ex-presidente Martín Vizcarra, por exemplo, já havia sido vacinado em outubro, semanas antes de sofrer um impeachment. Também furaram a fila a esposa e o irmão dele.

Enquanto a alta casta dos políticos e funcionários públicos eram vacinados antecipadamente e às escondidas, com 1,2 milhão de casos e 43,7 mil mortes por coronavírus, o Peru é o segundo colocado na lista de países com maior taxa de mortalidade na pandemia, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins. No topo da lista está o México (8,7%). O Brasil aparece na 11ª posição, com taxa de 2,4%.

Nem mesmo há ainda data para o início da vacinação da população em geral, pois o país conta atualmente com apenas um milhão de doses das 48 milhões que contratou da Sinopharm.

Embora presidentes e funcionários públicos de cargos altos em muitos países venham se vacinando publicamente, o caso peruano (a título de exemplo, pois os fura-filas existem em todos países) é emblemático por centenas membros do governo receberem as doses sem nenhuma "transparência" e em datas muito anteriores ao início da campanha formal de vacinação.

A situação de instabilidade política e desmoralização frente ao povo fez com que pelo menos duas ministras renunciassem. No dia 12/02, Pilar Mazzetti, que chefiava a pasta da Saúde, pediu demissão depois da publicação da reportagem que revelava a vacinação de Martín Vizcarra. Também foi revelado que a própria ministra tomara a vacina.

Já no dia 15/02, Elizabeth Astete, ministra das Relações Exteriores do Peru, se afastou do cargo. Ela admitiu que furou a fila da campanha de imunização ao receber, em 22 de janeiro, a vacina para a Covid-19.

Além desses (Vizcarra e as duas ministras), foram também divulgados os nomes de figuras como o médico da família de Alberto Fujimori, Antonio Aguinaga, o marido de uma congressista, o motorista da ex-ministra Mazzetti, os reitores das universidades San Marcos e Cayetano Heredia, dois Vice-ministros da Saúde, entre outros.

A procuradora-geral do Peru abriu uma investigação contra o ex-presidente Vizcarra e outros possíveis envolvidos na "vacinação antecipada", com mais nomes podendo ainda emergir e sacudir a já frágil situação política do país. 

Tudo isso se dá próximo às eleições presidenciais convocadas para abril desse ano.

Em sua defesa, Vizcarra admitiu que recebeu as doses da vacina produzida pela empresa chinesa Sinopharm no âmbito de um ensaio clínico ao qual ele teria se voluntariado.

A versão do ex-presidente, no entanto, foi negada pela Universidade Peruana Cayetano Heredia, instituição responsável pelos testes do imunizante no país. "O senhor Martín Vizcarra e a senhora Maribel Díaz Cabello [esposa de Vizcarra] não fazem parte do grupo de 12 mil voluntários.

Ele, por sua vez, respondeu no Twitter que lhe causava “grande estranheza” não figurar no cadastro de voluntários. O político e atual candidato a deputado afirmou, também, que não divulgou publicamente o uso da vacina porque isso “teria posto em risco o normal desenvolvimento do ensaio experimental”. 

Além de Vizcarra e Astete, dois vice-ministros da Saúde também foram denunciados por furarem a fila da vacinação.

Não obstante, de acordo com o monopólio de imprensa peruano, o número de funcionários do governo imunizados às escondidas pode ser muito maior, já que, além das doses experimentais utilizadas nos estudos, a Sinopharm forneceu outras 2.000 "vacinas de cortesia" a responsáveis pelos ensaios e membros do governo.

A Faculdade de Medicina do Peru –  uma das  instituições de saúde mais importantes do país – expressou “indignação” com o escândalo. “Especialmente porque ao mesmo tempo médicos, enfermeiras, técnicos e outros trabalhadores da saúde adoeciam e morriam durante a luta contra a pandemia”.


Médicos e funcionários da Saúde peruanos esperam em longas filas a vacinação contra a Covid-19. Foto: Hugo Perez.

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