Crise no Acre: 130 mil pessoas afetadas por enchentes, casos de Covid-19 aumentam, surto de dengue, e crise migratória na fronteira com o Peru

130 mil pessoas já foram afetadas por enchentes que atingem 10 cidades do Acre. Foto: Marcos Vicentti.

A população do estado do Acre, no Norte do país, tem sofrido triplamente. As cheias dos rios Acre, Juruá, Envira, Iaco, Purus e outros mananciais e igarapés atingiram dez cidades do estado e mais de 120 mil pessoas foram afetadas. Desde o dia 16 de fevereiro, o governador do Acre, Gladson Cameli (PP), decretou estado de calamidade.

As cidades de Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Tarauacá, Sena Madureira, Santa Rosa do Purus, Porto Walter, Feijó, Jordão e Rodrigues Alves foram atingidas pelas maiores enchentes da história do Acre. A situação caótica fez com que 37 mil famílias fossem desalojadas e desabrigadas, segundo informe da Defesa Civil do estado. Para piorar a situação do povo, o Acre ainda sofre com a falta de energia elétrica e água potável. 

Os casos de Covid-19 dispararam no estado, o número de casos registrados é de 60.069 e 1.047 mortes desde o início da pandemia, em um estado com 900 mil habitantes.

Não bastasse isso, a população ainda enfrenta um surto de dengue. Somente em 2021, já são 8.626 casos suspeitos de dengue e 1.552 casos confirmados. Na capital Rio Branco, o aumento no número de casos de dengue foi de 573,9%, em comparação com o mesmo período de 2020.

Além de todos esses problemas, o estado lida com uma crise migratória especificamente na cidade de Assis Brasil, na fronteira com o Peru. Cidadãos haitianos e de origem africana tentando atravessar a fronteira para o lado peruano, são constantemente  impedidos por policiais do país vizinho, que disparam bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e agridem os imigrantes, entre eles mulheres grávidas e crianças. Os trabalhadores respondem com paus e pedras. O Peru fechou a fronteira com o Brasil em março de 2020 por conta da pandemia.

Aproximadamente 600 imigrantes tentam atravessar a fronteira para chegar à rodovia Pan-Americana, uma malha rodoviária que vai do Chile até o Alasca, no Estados Unidos. Eles também saem do Brasil, pois são um dos grupos que mais foi atingido pela crise geral do capitalismo burocrático em nosso país, agravada ainda mais com a pandemia do novo coronavírus. Sem empregos, eles vão tentar a vida em outros países, em geral, em centros imperialistas, que, não por coincidência, são os mesmo países que pilham e saqueiam as nações de origem desses imigrantes, fazendo com que tenham que sair de seus respectivos países para tentar levar uma vida melhor e fugir da fome e miséria extrema que o imperialismo impõe a sua terra.


Policiais peruanos atacam imigrantes que tentam atravessar fronteira Brasil-Peru. Alexandre Noronha.

Tragédia?

Na região amazônica é comum as cheias sazonais dos rios, principalmente no início do ano, o que torna o problema das enchentes totalmente previsível. Porém, mesmo assim, os governos municipais, estaduais e federal, não tomam qualquer providência para dar assistência à população que será atingida.

Os desabrigados nas enchentes que atingem o Acre, são, em sua maioria, a população pobre, que por falta de moradia constroem suas casas em beiras de rios, mananciais e igarapés. Esses locais são extremamente alagadiços.

O velho Estado brasileiro, sem cumprir o seu papel de fornecer moradia segura, emprego e saúde, deixa o povo à míngua. Prova disso é a lei do Teto de Gastos, que entrou em vigor no ano de 2017, congelando por 20 anos os investimentos em serviços públicos tais como: saúde, infraestrutura, saneamento e outros direitos fundamentais do povo para garantir o pagamento dos juros da dívida pública dos agiotas, grandes bancos e magnatas do capital financeiro.

O que se vê no Acre é resultado de todo esse descaso praticado há anos por todos os governos federais e estaduais, os quais deixaram o povo habitando moradias precárias, sem assistência médica, desempregado e com fome.

No Acre, apenas 39,4% da população com idade economicamente ativa trabalha em empregos formais, e a renda média per capta no estado é de R$ 890; no interior este número cai pela metade. Tudo isso deixa o estado na 23ª posição em comparação aos outros entes federativos no quesito de renda, sendo um dos estados mais pobres do país.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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