RJ: Moradores protestam após morte de enfermeira durante operação policial; vídeo mostra agentes combinando versão

Moradores protestam contra assassinato de jovem por policiais em Vigário Geral. Foto: Fabiano Rocha.

Moradores da favela Vigário Geral, na zona norte do Rio, protestaram contra uma operação da polícia civil que matou uma enfermeira, de 28 anos, no dia 4 de março. A operação foi feita pela 38ª DP (Brás de Pina) em conjunto com a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

Os policiais e o monopólio de imprensa espalharam a versão de que os dois tiros, uma na cabeça e outro na barriga, que atingiram Luanna da Silva Pereira, partiu de traficantes, porém um vídeo que circula nas redes sociais mostra policiais na cena do assassinato combinado uma versão para a morte da trabalhadora.

Diante de mais essa crueldade contra o povo pobre e favelado, moradores da favela prontamente foram às ruas protestar contra os agentes do Estado e fecharam a rua Bulhões Marcial, em Vigário Geral. Covardes que são, os policiais atacaram as massas revoltadas com tiros de bala de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

A operação que vitimou Luanna, começou por volta das 7h da manhã, quando as pessoas saiam para trabalhar. Policiais civis e policiais militares adentraram a favela depois de um pedido da empresa privada que administra o sucateado sistema ferroviário do Rio de Janeiro, a sonegadora de impostos Supervia.

A concessionária acionou a Polícia para denunciar que traficantes estavam montando bocas de fumo próximo às linhas férreas, contudo a ação da Supervia em conluio com a polícia pôs em risco a vida de centenas de pessoas que no momento do tiroteio estavam no trem, na estação de Vigário Geral. Segundo informações dos próprios passageiros, eles tiveram que deitar no chão do trem para não serem atingidos pelos disparos. Outros se abrigaram dentro da estação de Parada de Lucas.

“Estamos deitados no trem que está parado há mais de duas horas. Eu estou indo pra Laranjeiras porque sou cuidadora. Eu não vou sair daqui de dentro. Estou com muito medo disse Cláudia Regina dos Santos, que estava dentro do trem.

“O maquinista fugiu. Ele mandou a gente descer e deixou os passageiros sozinhos. É uma falta de cuidado mandar a gente sair de dentro do trem”, completou a mulher.

Policiais andam pela linha férrea durante operação. Fabiano Rocha.

Justiça Pela Luanna

Luanna morava sozinha com a filha de 9 anos e não tinha mais os pais. A memória dela pelos amigos e vizinhos será a da jovem batalhadora e que trabalhava bastante para conseguir sustentar a casa. Mãe solteira, Luanna se formou e exercia a profissão de enfermeira, e foi morta não em decorrência de sua atuação na prevenção ao coronavírus, mas pela violência de estado praticado pela polícia assassina e terrorista do Rio de Janeiro.

Luanna é mais uma jovem preta e moradora de favela a ter a vida ceifada por mais uma operação genocida da PM no Rio. Foto: Reprodução.

Karolayne Conceição Moreira da Silva era comadre de Luanna. Segundo ela, a Polícia Civil entrou atirando na comunidade, também segundo ela, os policiais não deixaram que a vítima fosse socorrida.

“Eles entraram pela Cidade Alta. A Luanna foi sair de casa e eles, com certeza estavam na porta, deram dois tiros. Eles não deixaram socorrer ela e até agora está no chão. A filha dela estava dormindo e saiu com o rosto tampado para não ver. A filha dela não sabe da morte. Pensa que está no trabalho. Ela era guerreira, esforçada, cuidava da filha sozinha” 

A amiga ainda contou que Luanna, tinha acabado de se curar da Covid-19, enfermidade que assola os moradores de comunidades brasileiras:“Ela havia acabado de vencer a Covid-19, estava longe da filha há vários dias, e agora ela morre. A Luanna não tinha mãe e pai e agora deixou uma filha linda”.

Luzineide Vieira de Souza, presidente da Associação de Moradores do Parque Proletário Vigário Geral, contou que Luanna era muito conhecida na comunidade e foi assassinada brutalmente:“Luanna era uma mãe de família, trabalhadora e foi morta covardemente. Eles entraram atirando para qualquer lado. Era antes das 7h quando tudo aconteceu. A menina era nascida e criada na comunidade. Não merecia isso”.

“A Luana estudou, se formou e agora morre assim? É inaceitável. Ela era guerreira, criava uma filha sozinha. A polícia vem, mata, e coloca a culpa nos bandidos? Ela trabalhou no Afroreggae e se formou para dar uma vida melhor para a filha. Ela só queria isso. Ela estava saindo de casa”, disse a cabeleireira, Joice Gonzaga.

Márcia Patrícia, amiga de Luanna, criticou a operação da polícia: “de manhã eles entraram dando tiro. Ela é moradora, mãe de família. Na pandemia a gente não pode trabalhar, não pode fazer nada, mas eles podem vir aqui para matar. A comunidade está revoltada. Vocês não têm noção do que estão fazendo: eles vêm, matam e fazem muita coisa contra a gente. Eles estão oprimindo os moradores”.

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