Desemprego bate recorde em 20 estados da federação

Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através do Programa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), 20 dos 27 estados da federação atingiram seus recordes de desemprego em 2020.

As maiores taxas de desemprego foram nos estados do Nordeste, os estados da Bahia (19,8%), de Alagoas (18,6%) e de Sergipe (18,4%) foram os entes com as maiores taxas. No Sudeste, Rio de Janeiro (17,4%) e São Paulo (13,9%) também atingiram recordes históricos, os maiores desde o início da pesquisa iniciada em 2012. Vale ressaltar que as pesquisas sobre desemprego do IBGE, não levam em consideração os números de pessoas desalentadas, fora da força de trabalho, portanto o números de pessoas desempregados pode ser ainda maior.

Em contrapartida, também segundo o IBGE, a taxa de ocupação caiu em 7,3 milhões, chegando a 86,1 milhões de pessoas desempregadas, outro recorde negativo. O nível de ocupação em 2020 foi de 49,4%, segundo o instituto. Cerca de 10 milhões de pessoas saíram do mercado de trabalho, atingindo, ao mesmo tempo, a menor taxa de ocupação e a maior taxa de pessoas fora do trabalho registrado pela série histórica.

A parcela mais pobre foi a que perdeu mais empregos

Pegando somente o resultado estatístico, é possível visualizar apenas parte da realidade. Para pegar o quadro mais completo, é necessário ter em conta outros elementos. Por exemplo: em média, o salário dos empregados cresceu, não porque as pessoas ganharam mais, mas sim porque os empregos de menor remuneração simplesmente desapareceram. 

Desde o começo da pandemia, aqueles que perderam seu emprego são os trabalhadores mais precários: os de menor remuneração e com a taxa de informalidade maior. Segundo o que aponta o diretor técnico do DIEESE Fausto Augusto Junior, essa é uma característica do mercado de trabalho brasileiro: “em todas as crises de alguma forma, aqueles que estão nos postos mais precários são os que sofrem mais. O acesso deles ao sistema de assistência social são muito limitados, uma vez que esses [direitos trabalhistas básicos] estão vinculados ao INSS e eles [os trabalhadores informais] estão fora disso: seja ao seguro-desemprego, fundo de garantia, etc”.

Pela primeira vez na história nacional, menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada. Em 15 estados o número de ocupados ficou abaixo da metade, são eles: todos os estados do Nordeste, os cinco do Norte e o Rio de Janeiro com 45,4%.

A analista Adriana Beringuy, do IBGE, relaciona o fato da queda no número de trabalhadores informais, não ao aumento do trabalho formal, mas sim ao fato de que até essa renda os trabalhadores perderam: “A queda da informalidade não está relacionada a mais trabalhadores formais no mercado. Está relacionada ao fato de trabalhadores informais terem perdido sua ocupação ao longo do ano, com menos trabalhadores informais na composição de ocupados, a taxa de informalidade diminui”, concluiu.

No ano em que os alimentos tiveram um aumento geral (com uma média de 15%), a perda de renda, comprovada agora nos próprios índices oficiais, é sintomático da grave crise geral do capitalismo burocrático brasileiro. Também retrata a situação explosiva que se vive no país.

Fila gigante para vagas de trabalho em um supermercado no Rio de Janeiro, julho de 2020. Foto: Reprodução.

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