MT: Famílias camponesas e latifúndio recebem tratamento diferentes com relação a despejo em terras da União

Local onde ocorrem as assembléias das famílias do Acampamento Boa Esperança. Foto: CPT

Famílias camponesas, moradoras do Acampamento Boa Esperança, no município Novo Mundo, a cerca de 635 km de Cuiabá, capital do estado do Mato Grosso, tiveram suspensa tentativa de despejo. A vitória parcial das massas camponesas se dá em meio a um longo histórico de luta pela terra, onde, sob o mesmo ordem de despejo emitidas pelo judiciário, exigindo a saída da área tanto para os camponeses quanto para o latifúndio, as decisões só são levadas a cabo quando relativas ao primeiro grupo.

Cerca de 300 camponeses, entre eles 75 crianças e 22 idosos, ocuparam há aproximadamente 15 anos uma parcela de 4,1 mil hectares (ha) de uma área da União denominada Gleba Nhandu. Ali é onde incidia também o latifúndio conhecido como “Fazenda Araúna” com cerca de 14,5 mil ha. 

A área foi definida em 2008 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como sendo de interesse para implantação de um assentamento, todavia o processo nunca foi concretizado e em 2020 novo parecer do órgão reafirmou esta condição.

Dois pesos e duas medidas

No ano de 2016, houveram duas tentativas de despejo contra as famílias camponesas: uma levada a cabo pelo judiciário e outra coordenada por paramilitares a serviço do latifúndio. Em ambas ocasiões os camponeses voltaram a ocupar a terra. A ocupação mais recente ocorreu em março de 2020.

O judiciário também reconheceu em 2019 que os latifundiários da família Bassan fizeram uma “ocupação irregular” da fazenda e estabeleceram um prazo de 60 dias para saírem do local, prazo que venceria em novembro do mesmo ano. Porém, nem o latifúndio saiu, nem as forças reacionárias cumpriram sua promessa de despejo contra esses.

Longe disso, o Incra enviou um ofício à família de latifundiários afirmando que não criaria um Projeto de Assentamento na área, e se justificaram alegando a paralisia da “reforma agrária”. Quem assinou o documento foi o então superintendente do Incra em Mato Grosso, Ivanildo Teixeira Thomaz, que já havia declarado em suas redes sociais ser contra a criação do assentamento.

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