USA: Dezenas morrem durante tempestade de inverno devido a descaso com o povo

Pessoas esperam em filas para supermercado abrir. Foto: Tamir Kalifa.

Baixíssimas temperaturas atingiram o sul o Estados Unidos (USA) na metade do mês de fevereiro, causando a morte de mais de 70 pessoas em causas relacionadas ao frio extremo, na tragédia premeditado do Estado ianque junto das empresas distribuidoras de energia que ano após ano não adequaram seus sistemas para aguentar baixas temperaturas.

Três semanas se passaram desde que o desastre de inverno causado pelo capitalismo atingiu o Texas. Deixando milhões sem serviços básicos por dias, o resultado foi de um número crescente de mortos. Apesar do retorno da energia e das temperaturas normais, muitos foram deixados para lamentar seus entes queridos, lidar com dívidas de milhares de dólares e permanecer em condições impossíveis de viver sem água ou com graves danos em suas casas.

Christian Pavon, de 11 anos, foi um dos mais jovens mortos durante o crime contra o povo, quando sua família passou dois dias sem energia em casa sob temperaturas baixíssimas. A família de Christian, entre outros, está processando o Conselho de Confiabilidade Elétrica do Texas (ERCOT, na sigla em inglês) pela morte de seu filho.

A ERCOT é uma empresa privada “sem fins lucrativos” que gerencia o fluxo de eletricidade em todo o estado. Atualmente, ela está enfrentando uma ação coletiva que decidirá se a organização continuará a ter imunidade soberana, uma proteção geralmente concedida a agências governamentais que nenhuma outra operadora em rede no país possui. Se a ERCOT vencer, eles não podem ser processados, embora tenham sido responsáveis ​​pelos apagões "contínuos" com milhões de pessoas sem luz por dias, resultando nas dezenas de mortes.

Em 22/02, 4,4 milhões de pessoas não tinham eletricidade, o fornecimento de eletricidade e água encanada entrou em colapso, principalmente no estado do Texas.

Como discorreu o jornal popular e democrático alemão Dem Volke Dienen, todas as áreas possíveis da vida e do lar, como a preparação de alimentos, não eram mais possíveis ou só eram possíveis em circunstâncias muito difíceis.

Vídeos divulgados na internet denunciam que, enquanto as famílias populares tinham de cozinhar em fogueiras e bairros inteiros da classe operária e arredores das cidades estavam completamente escuros, os arranha-céus no centro da capital, Houston, ainda estavam muito bem iluminados.

As fábricas dos grandes burgueses, inclusive, ainda funcionavam com energia dias após a população ficar sem energia (e os trabalhadores tinham de comparecer ao ofício em meio ao caos).

Os aquecedores, muito utilizados nos países do hemisfério norte, falharam e o frio penetrou implacavelmente nas casas dessas famílias. Uma mãe e sua filha asfixiaram-se após deixarem o motor do carro ligado, sentadas dentro do veículo, para não congelarem até a morte. Outros morreram em incêndios causados pela utilização de fogueiras

Diante disso, os fornecedores de eletricidade tiraram vantagem da situação catastrófica de abastecimento e elevaram os preços da pouca luz que havia.

A água da torneira, em dado momento, não estava mais disponível para muitos lares: ou estava suja devido à paralisação das estações de tratamento, ou congelavam nos canos. Muitos canos de água também rebentaram e casas ficaram debaixo d'água.

Especialmente nas casas das pessoas mais pobres, os canos não estão isolados contra o frio. Romperam-se as paredes e os tetos pelos quais os tubos correm. O hospital St. David's em Austin teve que evacuar os pacientes. Naturalmente, a falta de água também significa que não se pode mais higienizar objetos, salas, banheiros ou pacientes, ou mesmo dar-lhes de beber.

No dia 02, as ruas estavam tão congeladas que os trabalhadores não podiam mais ir trabalhar, o que com a falta de quaisquer direitos trabalhistas no USA, significou que não havia mais dinheiro para a população. Na Interestadual 35 perto de Fort Worth, cinco pessoas morreram em um amontoado no qual mais de 100 veículos colidiram.

Entretanto, grande parte disso poderia ter sido evitado. Em 1989 e 2011 também houve o caos da neve no Texas. O governo já declarou em 2011 que se deveria estar mais bem preparado para o inverno. Hoje - dez anos depois - absolutamente nada mudou e o povo se viu diante do mesmo problema. A superpotência hegemônica única (Estados Unidos, USA) não está interessada em fornecer à sua própria população uma rede de abastecimento de energia segura e constante e estradas preparadas para os invernos extremos.

Exemplo disso foi apenas aplicar pequenas multas às empresas de distribuição de energia que não adequassem seus sistemas para aguentar o frio extremo. As multas custaram muito menos a essas empresas que reformar todos seus sistemas.

Pessoas morreram de causas evitáveis. Pessoas congelaram até a morte enquanto edifícios de escritórios vazios tinham aquecimento. Mesmo quando o clima esquentou novamente, muitos trabalhadores tiveram suas casas arruinadas pelos vazamentos de água, muitas das quais tinham acabado de ser restauradas após a enchente causada pelo furacão Harvey em 2017.

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