Senegal: Massas destroem lojas de monopolistas franceses durante manifestações

Carregando a bandeira nacional, massas se rebelam contra as forças da repressão em Dakar, capital do Senegal. Foto: Leo Correa.

Um intenso sentimento patriótico, anti-imperialista e anticolonial emergiu no Senegal, que tem registrado um verdadeiro levante popular nas últimas semanas. O movimento de massas teve início após a prisão de um líder da oposição parlamentar no país, Ousmane Sonko, porém suas causas estão no caldo de insatisfação popular devido à crise social, econômica e política que o país vive, agudizada pela pandemia da Covid-19 e as restrições decorrentes dela. 

Após a prisão de Sonko, cuja acusação de estupro foi interpretada pela população como maquinação do governo, as massas do Senegal, principalmente na capital Dakar, têm tomado as ruas para protestar de forma combativa. Nas manifestações, carros foram incendiados, lojas saqueadas, e as forças da repressão rechaçadas. Pelo menos 10 pessoas morreram por conta da brutalidade da repressão do velho Estado.

Os principais alvos da fúria incendiária das massas foram os empreendimentos e símbolos franceses, como postos de gasolina Total, cabines telefônicas da empresa Orange, pedágios Eiffage e 21 supermercados Auchan. Segundo os entrevistados pela Al Jazeera, essas empresas saqueadas e incendiadas representam o monopólio imperialista para os senegaleses, além de símbolos da dominação da nação pelo imperialismo francês e seu histórico de colonização pela mesma potência. 

Até hoje, tropas francesas ainda permanecem no país, que também abriga a maior embaixada francesa da África subsaariana e ainda usa a moeda do franco CFA, da era colonial, além de manter o francês como língua oficial. Nos últimos anos, têm surgido movimentos, principalmente de jovens, que repudiam essa manutenção da dominação francesa e seus símbolos, como o fato de que a França continua a ser o principal “parceiro comercial” do Senegal, exprimindo os antigos laços coloniais. 

Segundo a Al Jazeera, os senegaleses consideram as empresas francesas culpadas pela eliminação da competição local e supressão de empreendimentos de capital genuinamente nacional. A rede de supermercados Auchan, por exemplo, é acusada de usar sua posição no setor de distribuição de alimentos para prejudicar seus competidores no mercado nacional. 

Já as estradas do país que são administradas pela empresa de engenharia francesa Eiffage tiveram seus pedágios destruídos pelas massas, por conta dos altos preços que o povo não consegue pagar, e precisa recorrer a estradas de piores condições e com muito congestionamento no trânsito. Agora, após a sua destruição, a circulação por essas estradas é livre. 

No dia 8 de março, após a liberação de Sonko, os militares no centro de Dakar dispararam gás lacrimogêneo para tentar dispersar os milhares de manifestantes, que por sua vez ergueram barricadas e atiraram pedras e objetos contra as forças de repressão. Veículos militares com metralhadoras foram estacionados em áreas da capital, e uma dúzia de outros foram vistos passando pela praça da Independência, no bairro governamental da cidade, onde está localizado o palácio presidencial. As escolas na capital foram fechadas por uma semana.

Manifestantes fazem sinal para que os militares não atirem. Foto: Zohra Bensethemra.

São muitos os remanescentes coloniais que se materializam no Senegal hoje, como o fato de que a maior parte das ruas do Senegal têm nomes em homenagem a soldados franceses do período da colonização. A principal via da capital Dakar, por exemplo, é uma homenagem ao Comandante Louis Faidherbe, responsável pela morte de 20.000 pessoas em apenas oito meses. 

Nos últimos anos, todavia, têm crescido os movimentos de rechaço à dominação da França e à subordinação da burguesia burocrática do país ao imperialismo. Em 2018 surgiu o movimento popular denominado “France Degage” (que se traduz literalmente para “França, vá”), que reivindica, entre outras pautas anticoloniais, a extinção do uso do franco CFA, moeda utilizada por 14 ex-colônias francesas na África Subsaariana e considerado o símbolo mais pungente do neocolonialismo francês. 

Outra pauta é o reconhecimento dos combatentes que lutaram pela Libertação Nacional da nação, como Maba Diakhouba e Sheikh Ahmadu Bamba, e dos crimes de genocídio do colonialismo francês, como o massacre de Thiaroye, em 1944, em que centenas de soldados da África Ocidental que lutavam pela libertação da França na Segunda Guerra Mundial foram executados.

Foto: Zohra Bensethemra.

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