País ultrapassa 3.000 mortes diárias: retrato de um Estado em decomposição

Eis os números que retratam uma época: 3.127 mortes em 24 horas (16/03). 280.400 mortos em um ano de pandemia. Somente nos últimos 15 dias morreram 25 mil brasileiros. O mesmo número de mortos no massacre realizado em Canudos, ao longo de um ano inteiro (entre outubro de 1896 e 1897, quando as forças repressivas da “República” massacraram o povoado de Belo Monte). [1]

Em 17 de março, hoje, todos os 26 estados estão com nível crítico de ocupação de leitos de UTI, com exceção somente de dois. Deles, 15 estão com a taxa de ocupação acima de 90%. O município do Rio de Janeiro (que fica em um estado classificado como nível médio, e não crítico) se encontra com 94% dos leitos ocupados, sendo que 353 novos leitos foram abertos nos últimos dias - número que é insuficiente para desafogar o sistema de saúde, indicando o colapso do sistema de saúde de um município que atende 1.100 pessoas diariamente.

Não bastassem esses números, há ainda outros: 71% das famílias viram sua renda mensal cair pela metade no período de um ano; a cesta básica subiu em 33%; 82% das famílias que vivem em favelas em todo o país não fazem duas refeições por dia; 68% delas não tiveram dinheiro para comprar comida em ao menos um dia em duas semanas. E que ninguém duvide que esse quadro se agrava dia após dia, no momento mesmo em que são escritas estas linhas.

O drama das vacinas já atinge cinco capitais do Nordeste (Fortaleza, Salvador, Recife, São Luís e Teresina), além de dezenas de outros municípios do interior. As cidades paralisaram a aplicação das doses pela falta das mesmas.

Os ataques talvez mais mórbidos, porém, não vêm do vírus (ainda que este agrave aqueles): os inimigos do povo aprovaram a chamada “PEC Emergencial”. Com a votação, prometendo a “volta do auxílio” em valor irrisório, o que os deputados permitiram foi a exclusão de 17 milhões de brasileiros do acesso ao mesmo. O novo valor do auxílio deverá ficar entre R$ 150 e R$ 375.

O lockdown (com a existência de renda mínima que garanta os serviços básicos para o isolamento social em casa) foi sempre negado ao povo trabalhador e aos pequenos proprietários. O protesto deles contra tal situação, ainda que estejam sendo dirigidos e pautados por elementos reacionários com interesses contrários aos dessas massas (o que explica as formas dúbias que tomam os protestos), guarda um sentimento justo de insatisfação das massas populares com os governos reacionários. O fechamento total, com medidas repressivas e restritivas, é justificado como necessário para reduzir a circulação de pessoas no momento em que fugiu de qualquer controle a pandemia. Porém, isso não significa qualquer solução para o povo, pois seguirão sem vacinação, sem auxílio emergencial digno de no mínimo um salário mínimo e sem testagem em massa - únicas medidas que podem fazer frente ao colapso sanitário e social.

Esse momento, além de representar o maior colapso sanitário combinado com a maior crise econômica da história do país, demonstrou a que grau de decomposição se pode chegar uma Nação vítima de um Estado submisso e lacaio ao imperialismo, governado por algo mais que psicopatas. Condições que aqui perduram pelo fato de existir sanguessugas insaciáveis e sem qualquer desfaçatez.

Vejamos os representantes da medula-espinhal desse velho Estado, os generais do Exército reacionário: se esforçam não apenas na sustentação de seu governo, mas nos atos finais de seu golpe militar preventivo ao que será a real oposição a todo atual cenário (um grande levante das massas). Ofereceram, o Alto Comando das Forças Armadas, os seus melhores nomes para a perpetuação do genocídio. Tudo em função de manter de pé e ativa a máquina de moer pobres, da qual são os sentinelas do imperialismo ianque, porque, afinal de contas, “aquele que te guarda não dorme”. São, enfim, os maiores entusiastas defensores desta velha ordem de opressão e exploração.


Nota:

[1] As semelhanças não param no número de mortes. Euclides da Cunha, em Os Sertões, obra na qual relata os acontecimentos em Canudos, assim qualificou aquele episódio (qualificação que pode ser, se quisermos, uma analogia ao genocídio em marcha): "Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo".

Caixões com mortos pela Covid-19 são enterrados em valas comuns em Manaus, no mês de abril de 2020. Foto: Chico Batata

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