América Latina é refém dos imperialistas na obtenção de vacinas contra a Covid-19

A América Latina e o Caribe receberam o suficiente para imunizar somente 2,8% da sua população, mas 87% das doses se concentram em quatro países: Brasil, Chile, México e Argentina. Países como Cuba e Honduras não receberam nem uma dose sequer. Os dados foram divulgados pelo monopólio de imprensa El País no dia 5 de março.

A quantidade de vacinas disponíveis possibilita somente administrar menos de seis doses para cada 100 habitantes do subcontinente. Esse número é o resultado da população total de todos os países divididos pela escassa quantidade de vacinas que há atualmente. 

Diego Tipping, presidente da Cruz Vermelha Argentina, afirmou que “dois terços das vacinas foram destinadas aos 50 países mais poderosos, e 0,1% aos 50 países mais pobres”.

Somente para compararmos: no Estados Unidos (USA), potência imperialista hegemônica, a taxa de vacinação a cada 100 pessoas chega a 29,7 cidadãos que já receberam o imunizante. Na Inglaterra, o número é de 36,5 para 100 pessoas. 

Não obstante, a cifra total de doses pode ser enganosa quanto à capacidade da América Latina e do Caribe de atender às suas populações, pois 87% das doses estão nas mãos de apenas quatro países: Brasil (15 milhões), Chile (8,6 milhões), México e Argentina (4 milhões). Já países como Cuba e Honduras não receberam nem uma dose sequer. Outros, como Paraguai (4 mil doses), Equador (73 mil doses) e El Salvador (20 doses) contam com apenas alguns milhares. 

Mauricio Meschoulam, professor da Universidade Iberoamericana explica que a margem de ação é muito reduzida para os países de renda média e baixa porque o fator determinante nas negociações com as farmacêuticas é o financiamento para o desenvolvimento de suas vacinas. Desse modo, os países ricos pediram mais vacinas do que necessitam, e os laboratórios ofereceram mais do que podem produzir, deixando as demais nações no limbo. “Estamos diante de uma desigualdade brutal na distribuição de vacinas no mundo”, diz Meschoulam.

A maioria dos países da América Latina e do Caribe hoje depende do “Covax Facility”, o mecanismo conjunto da OMS e da Aliança Global para Vacinas e Imunização (GAVI) para distribuir de forma “equitativa” 281 milhões de doses.

As farmacêuticas imperialistas (como a ianque Pzifer e a britânica AstraZeneca) cumpriram apenas 1,6% e 0,26% respectivamente de seus contratos com a região. É o que explica o colombiano Johnattan García Ruiz, pesquisador do Dejusticia e professor de Direito e Saúde Global da Universidade de Los Andes. “Uma coisa é fechar a negociação. Outra é que o laboratório cumpra com as entregas.”

O Brasil é um bom exemplo dos problemas relacionados com os envios. O país reservou 415 milhões de doses (mais da metade delas da AstraZeneca), mas só recebeu 15 milhões para uma população de 210 milhões de pessoas.

Marcio Sommer Bittencourt, médico e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) lamenta que o país não esteja desenvolvendo sua própria vacina contra a Covid-19, embora tenha a tecnologia necessária. Gonzalo Vecina, ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), lembra que o Brasil “exporta a vacina contra a febre amarela”, por exemplo.

Em 23 de dezembro passado, o México foi o primeiro país latino-americano a receber a vacina contra a Covid-19. E, assim como o Brasil, está muito atrasado por problemas de escassez. O governo reacionário de Andrés Manuel López Obrador fechou a compra de mais de 234 milhões de doses de cinco imunizantes diferentes, mas recebeu apenas 1,7%. 

E, em meio ao genocídio premeditado do povo na pandemia, os algozes do povo furam filas de vacinação em diversos países.

O Peru recebeu em fevereiro um milhão de frascos da chinesa Sinopharm, uma compra que foi marcada pelo chamado vacinagate, escândalo que envolve mais de 450 pessoas ligadas aos altos cargos do velho Estado que se imunizaram irregularmente entre setembro e janeiro com doses que a empresa ofereceu ao Governo peruano em agosto. Casos semelhantes ocorreram na Argentina e no Equador.

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