Professora é perseguida pelo latifúndio por publicar pesquisas sobre o uso de agrotóxicos

A professora Larissa Mies Bombardi, pesquisadora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), denunciou através de uma carta publicada em 3 de março, uma série de intimidações que vem sofrendo devido à sua produção científica, fato que se agravou desde o lançamento do Atlas “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, em abril de 2017.

De acordo com a denúncia, após o lançamento do livro na Europa, a pesquisadora passou a ser intimidada. Em sua carta, ela relata: “Em junho de 2019 recebi indicação de lideranças de movimentos sociais para que eu evitasse os mesmos caminhos, para que eu alterasse os meus horários, para que alterasse a minha rotina, de forma a me proteger de possíveis ataques dos setores econômicos envolvidos com a temática sobre a qual eu me debruço”.

Um dos fatos relevantes que coincidem com o avanço das intimidações foi o impacto da pesquisa nas atividades do latifúndio, pois após sua publicação a maior rede de produtos orgânicos da Escandinávia suspendeu a compra de alimentos do Brasil.

Durante um trabalho de campo a pesquisadora foi orientada a mudar seu trajeto e não participou de um evento acadêmico em Chapecó, Santa Catarina, devido ao agravamento da situação de perseguição. 

Um artigo repleto de alegações, como “atlas promove falsificação da história”, onde a pesquisadora é acusada de “usar o agrotóxico como arma” contra o latifúndio, foi escrito pelo reacionário Xico Graziano. 

Em agosto de 2020, foi também vítima de um assalto em sua casa. Durante a ação, foi trancada no banheiro e teve seu computador pessoal roubado; o equipamento continha todo o banco de dados da pesquisadora, porém o material também se encontrava em um HD escondido, o que evitou maiores danos aos trabalhos. As provas das perseguições vão desde cartas e artigos à boletins de ocorrência.

Outras intimidações aconteceram por parte da Associação Brasileira dos Produtores de Proteína Animal e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), após a pesquisadora publicar, em 2020, estudos que relacionam a suinocultura à Covid-19, e publicar, em 2021, o artigo “Pandemia e Agronegócio”. A pesquisadora denuncia que recebeu junto à coordenação do curso onde é docente e a reitoria da USP, um email assinado pela associação citada acima, onde estes afirmam que ela não poderia tecer tais hipóteses, “num absoluto tom de intimidação”. 

Larissa Bombardi, que dedica sua produção às questões agrárias, em meio a cerca de 30 anos de atuação como docente, teve como professor e orientador Ariovaldo Humbelino de Oliveira e realizou contundentes denúncias através das pesquisas científicas a respeito das velhas práticas criminosas dos latifundiários em nosso país.

Professora e pesquisadora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), Larissa Mies Bombardi é perseguida devido as suas produções científicas. Foto: Cecília Bastos

 

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