Paraguai: Duas sedes do partido no governo são incendiadas em meio à rebelião popular

Povo paraguaio se rebela contra velho Estado. Foto: César Olmedo.

Duas sedes da Associação Nacional Republicana - Partido Colorado, partido do atual presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, foram incendiadas após o impeachment contra o presidente não ser aprovado. Os incêndios ocorreram nos dias 17 e 18 de março.

No dia 17/03, uma manifestação ocorria em frente à sede oficial do partido, em Assunção, quando os manifestantes atearam fogo ao local.

Os protestos começaram mais cedo nas proximidades do Congresso durante a votação do Impeachment de Mario.

A polícia, reforçada com cavalaria e caminhão lança-águas, tentou dispersar os manifestantes ao final da sessão extraordinária. Em resposta, os manifestantes atiraram pedras nos agentes que protegiam o Congresso.

Uma sede da promotoria também foi destruída pelos cidadãos revoltados.

Já no dia 18, foi incendiado com uma bomba de coquetel molotov a seção do Partido Colorado na cidade de Luque.


Sede do Partido Colorado em Luque é incendiada. Foto: Reprodução.

Rebelar-se é justo!

Como dito na edição n° 239 de AND, os protestos ininterruptos vêm ocorrendo há três semanas, com as massas rebeladas rechaçando a velha ordem de opressão e exploração em geral, e em particular o genocídio planificado das massas acometido pelo velho na pandemia da Covid-19, além das medidas econômicas para salvar a crise do capitalismo burocrático a curto prazo, mas que agrava a sua crise e a miséria das massas a longo prazo.

Leia também: Paraguai: Massas se rebelam contra o genocídio planificado e o governo reacionário

O contágio pela Covid-19 no Paraguai se intensificou nas últimas semanas, o que levou ao colapso dos centros de saúde. No país, há apenas 304 leitos de UTI públicos para mais de 7 milhões de pessoas. Até 06/03, 3.256 mortes e 164.310 casos haviam sido relatados, de acordo com dados da Universidade John Hopkins.

Além disso, apenas 4 mil pessoas foram vacinadas no Paraguai. Proporcionalmente à nossa população, o equivalente seria de cerca de 550 mortes por dia.

Existem mais 202 leitos de UTI em hospitais privados, mas custam 5 mil dólares por dia se os pacientes não tiverem plano de saúde. O Instituto de Segurança Social (IPS) entrou em colapso desde muito antes da pandemia. Segundo dados oficiais, o Paraguai é um dos países com o menor “gasto social” da América Latina, depois da Guatemala e da República Domincana.

Durante a jornada de protestos. o Ministério da Fazenda foi incendiado pela multidão em rechaço à política econômica antipovo durante a pandemia: a dívida pública do Paraguai alcançou o equivalente a 25% do PIB em 2020 após novo empréstimo.

Contra a situação grave situação em que se encontram as massas, os protestos têm como alvo não só crise sanitária e econômica, mas também política que enfrenta o velho Estado paraguaio, de total ilegitimidade e descrédito com as massas.

Tanto a casa do atual presidente, Mário Benítez, quanto a do antigo, Horácio Cartes, e de outros políticos, foram atacadas por manifestantes.

Abdo Benítez já passara por uma crise que quase lhe levou ao impeachment: foi em julho de 2019, por negociar secretamente com o governo brasileiro de Jair Bolsonaro a renovação do tratado que rege a barragem de  Itaipu, que em 2023 deve ser atualizado.

Já a casa de Horácio foi alvo da fúria das massas após a repressão policial atingir o protesto que lá ocorria. Os manifestantes responderam às forças de repressão com pedras e queimando lixeiras. Os manifestantes também jogaram ovos e papel higiênico na casa de Cartes e picharam “Narco” (de narcotraficante) e “Máfia” nos muros de sua casa.

O ex-presidente — banqueiro e dono de indústrias como tabaco, agricultura e pecuária, hotelaria, indústrias de bebidas, sector tecnológico, entre outros — em 1985, foi condenado num caso de burla do Banco Central do Paraguai, num montante de cerca de 34 milhões de dólares. Foi também investigado pela Administração de Repressão às Drogas (DEA) do USA por lavar dinheiro derivado, entre outras coisas, do tráfico de drogas .

O tio de Cartes, Juan Domingo Viveros Cartes, passou seis anos em prisões brasileiras por tráfico de drogas.

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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