Mianmar: Mais de 90 pessoas são assassinadas pelo exército em um único dia de protestos

Manifestantes segura coquetel molotov durante protesto em Mianmar. Foto: Reuters

Mais de 90 mortes, incluindo de crianças, foram confirmadas pelo grupo de monitoramento da Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos (AAPP), durante o Dia Anual das Forças Armadas em Mianmar, em 29 de março. Os assassinatos tiveram como alvo as massas que se rebelaram e foram às ruas protestar, apesar da proibição, mas também foram vitimados transeuntes e moradores dentro de suas casas, arbitrariamente.

O dia de matança indiscriminada do povo pelos militares fez com que o número total de mortes durante a repressão dos protestos pelo velho Estado de Mianmar desde o golpe de 1° de fevereiro subisse para mais de 400.

"Eles estão nos matando como pássaros ou galinhas, mesmo em nossas casas", disse Thu Ya Zaw ao monopólio de imprensa Reuters, na cidade central de Myingyan. "Continuaremos protestando independentemente", afirmou.

Foram relatados casos de repressão com armas de fogo em mais de 40 locais em todo o país. A última violência levou o número de mortos na supressão dos protestos em Mianmar desde o golpe de 1 de fevereiro para mais de 400.

Povo enfrenta governo burocrático-militar

Manifestantes se reuniram em toda Mianmar no dia 29. A TV estatal chegou a transmitir um anúncio na noite anterior dizendo que as pessoas "devem aprender com a tragédia de mortes feias anteriores que você pode correr o risco de levar um tiro na cabeça e nas costas".

Imagens compartilhadas nas mídias sociais mostraram pessoas com ferimentos de balas e famílias desesperadas com os corpos. O site de notícias local Myanmar Now divulgou o número de mortos como 114.

Entre as vítimas estava uma menina de 13 anos que foi morta a tiros dentro de sua casa. Além dela, outra menina de um ano de idade foi atingida no olho com uma bala de borracha enquanto brincava na rua perto de sua casa em um subúrbio de Yangon.

Um garoto de cinco anos em Mandalay foi internado em estado grave após ter levado um tiro na cabeça pelas forças de repressão.

E, também, foi atacado um território do grupo étnico armado no leste de Mianmar, o União Nacional Karen, com foguetes dos militares. O ataque foi lançado horas depois que o grupo anunciou que havia invadido um posto militar perto da fronteira com a Tailândia.

No dia 30/02, as massas não recuaram diante do massacre e foram às ruas novamente, montando e incendiando diversas barricadas.



O que está acontecendo em Mianmar?

Como descrito na edição 239 de AND, com base na revista maoista Internacional Comunista, a conclusão a que chegam os maoistas é de que em Mianmar há uma situação complexa de contradições entre as diferentes frações das classes dominantes do país e de contradições interimperialistas sob a hegemonia do imperialismo ianque, manejadas por meios militares.

Segundo a Revista, um dos fatores para o golpe foi a perda do apoio do imperialismo ianque (Estados Unidos, USA) por Aung San Suu Kyi (conselheira de Estado), em que pese ser a China a principal potência imperialista a exercer dominação sobre o país.

Em resumo, afirma a Revista, “alguns representantes do velho Estado burocrático-latifundiário, a serviço do imperialismo, foram substituídos, não por uma farsa eleitoral, mas pela tomada através das autoridades militares, declarando o estado de emergência, argumentando que suas ações estão de acordo com a constituição. A diferença está nas formas, não no conteúdo. Tal tratamento de contradições entre as frações das classes dominantes não é nada fora do comum, pelo menos no Terceiro Mundo. Nesse caso vemos que, após as eleições, essas são contestadas pelos líderes golpistas militares, portanto, temos duas formas de mudança de governo, por meio da farsa eleitoral ou do golpe de Estado; o que, dependendo do caso, pode dar origem a um governo de democracia constitucional (designado por meio da farsa eleitoral) ou a um governo demoliberal através do golpe militar; mas também é possível que pelas duas formas de mudança de governo haja uma mudança de regime, ou seja, de demoliberal para fascista e vice-versa”.

Eles também acrescentam que, especialmente na imprensa reacionária ocidental, é traçado um retrato de Aung San Suu Kyi, modelo de “democracia” e “heroína” (até mesmo premiada com o Prêmio Nobel da Paz), como vítima, brutalizada por um golpe encenado pelos demônios militares. “Mas o que realmente acontece em Mianmar está por trás de uma cortina de silêncio – uma luta armada contínua (desde a colonização inglesa), liderada por várias frações, etnias ou grupos contra o reinado dos sucessores do colonialismo inglês. Isso é do nosso próprio interesse [dos maoistas], porque isso prova mais uma vez a situação revolucionária em desenvolvimento desigual em todos os países e em escala mundial e que as nações oprimidas são centros de tempestade da revolução mundial”.

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