RR: Vacinas que deveriam ser destinadas a Yanomamis são trocadas por ouro

De acordo com uma grave denúncia realizada pela Hutukara Associação Yanomami (HAY), diversas doses de vacinas destinadas ao povo Yanomami, em Roraima, foram “trocadas” por ouro. Junto a isso, a precarização do atendimento à saúde dos indígenas e o avanço da mineração pelo latifúndio intensifica o cenário de genocídio que se abate sobre os povos indígenas. 

A associação relata que em 19 de janeiro, um total de 26,2 mil doses de vacinas foram disponibilizadas para o Distrito Especial de Saúde - Yanomami (DSEI-Y), na Terra Indígena (TI) Yanomami. Estas doses abarcariam a primeira e segunda dose de vacinação de 100% dos indígenas da TI maiores de 18 anos. Porém, dois meses depois, apenas 29% da população havia recebido as duas doses, sendo que algumas regiões não receberam nenhuma das doses ainda.

Neste tortuoso cenário, em denúncia enviada ao Ministério da Saúde, os indígenas afirmam que uma técnica de enfermagem de um polo base do DSEI-Y estaria aplicando vacinas em garimpeiros em troca de pagamento em ouro.

Sem a realização dos esforços necessários para dar cabo a vacinação, em uma clara demonstração de descaso com as vidas indígenas, a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa Roraima também sugeriu desviar as vacinas dos povos indígenas devido às "dificuldades logísticas” em aplicá-las. Um típico caso, onde o velho Estado “cria a doença para vender a cura”.

Soma-se a todos estes casos, as denúncias de diversos postos fechados, como em Xitei, Haxiu e Hakoma. Por um lado, a precarização do atendimento à saúde age contra a vacinação. Por outro, os grandes garimpeiros seguem se assegurando de impedir a vacinação dos indígenas a ser realizada pelos trabalhadores da saúde, como acontece em Parafuri.

A associação afirma que devido a não aplicação das medidas de urgência, e caso a vacinação seguir este ritmo, a previsão é que nem ao fim do primeiro semestre os indígenas estejam vacinados, mesmo estes já contando com as doses para aplicação.

Todas essas denúncias enfrentaram ainda dificuldade em serem formuladas, pois não havia transparência nos dados. Os indígenas só puderam ter acesso a elas mediante a exigência do uso da Lei de acesso.

Na TI Yanomami, de acordo com levantamento realizado pela Rede Pró-Yanomami e Ye’kwana, 21 óbitos em decorrência da Covid-19 foram confirmados, 13 óbitos estão sob suspeita e 10 estão sendo investigados. A maioria dos casos incidiu sobre os anciões.

Conforme noticiado em janeiro pelo AND, de acordo com denúncia realizada pelo Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuanna (Condisi-YY) dez crianças morreram com suspeita de Covid-19, fato que expressa o avanço e gravidade da doença sobre os indígenas, uma vez que esta faixa etária é uma das menos atingidas letalmente pela pandemia.

Leia também: RR: Yanomamis perdem 10 crianças com sintomas da Covid-19

Em contrapartida, a mineração ilegal promovida pelo latifúndio sobre o território segue a todo vapor e cada vez mais impulsionado pelo velho Estado. Com a alta do ouro, mais de 150 mil reais foram destinados a cada núcleo de mineração e mais de 35 pistas de pouso clandestinas foram encontradas. Houve apenas em 2020 uma alta de 30% na degradação do território. Todos estes dados estão presentes no relatório "Cicatrizes na Floresta: Evolução do garimpo ilegal na TI Yanomami em 2020" realizado pela HAY e a Associação Wanasseduume Ye’kwana (SEDUUME).

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