México: Massivas mobilizações populares de camponeses, operários e jovens ocorrem no mês de abril

Foto: Solrojista.blogspot

Durante todo o mês de abril aconteceram contundentes mobilizações entre camponeses, jovens, operários e comerciantes informais no México. No dia 12/04 ocorreu o Dia Unitário do Campo e da Cidade, onde camponeses e operários de diversas regiões realizaram manifestações. Também, nesse mesmo mês, aconteceu o Acampamento da Juventude Popular, Democrática e Revolucionária, assim como ações dos vendedores ambulantes junto da Corrente do Povo - Sol Vermelho (CP-SV) em defesa dos seus direitos.

Camponeses e operários realizam Dia Unitário da Cidade e do Campo

Desde cedo no dia 12, nas diversas regiões do estado, contingentes populares de camponeses e trabalhadores sindicais pobres iniciaram as manifestações organizadas.

As mobilizações aconteceram no marco do 102º aniversário do assassinato do general Emiliano Zapata e do 2º aniversário do assassinato do companheiro Luis Armando Fuentes Aquino.

O Dia Unitário do Campo e da Cidade ocorreu, ainda, em um contexto onde o velho Estado mexicano prepara um novo ciclo da farsa eleitoral, normalizando inclusive todas as atividades antes restritas durante a pandemia, apenas para realizar suas campanhas eleitorais.

No Istmo, camponeses e indígenas se unem em luta contra a velha ordem de opressão e exploração

Na região do Istmo, de Palomares a Matias Romero, a União das Comunidades Indígenas da Zona Norte do Istmo (UCIZONI) demarcou sua presença em importantes pontos como a Rodovia Transistánica e as instalações da Comissão Federal de Eletricidade, novamente rechaçando as altas cobranças nas contas de eletricidade, denunciando também o despejo dos povos que representam o Corredor Inter-Oceânico do Istmo de Tehuantepec.

A UCIZONI exibiu faixas exigindo punição para os executores e mandantes dos assassinatos dos companheiros Luis Armando Fuentes Aquino, Samir Flores Soberanes e José Alberto Toledo, bem como exigindo a apresentação em vida do companheiro Sergio Rivera, desaparecido no estado de Puebla, membro da organização Movimiento Agrario Indígena Zapatista.

Também no Istmo, desde a cidade de Tehuantepec até Salina Cruz, o Movimento UNIDO, o Comitê Xhuba Yachi e a Corrente Popular - Sol Vermelho desfraldaram suas bandeiras em uma marcha que alcançou três quilômetros de extensão até chegar à Refinaria "Antonio Dovalí Jaime". Ao final, camponeses e posseiros de várias localidades rechaçaram os atos de assédio, despejo e contaminação que a companhia petrolífera estatal gerou em terras de uso comum, além da exploração desenfreada da água, entre outras coisas.

Ao mesmo tempo, na prisão de Tehuantepec, um contingente do CP-SV acompanhou a “caravana de busca pelo companheiro Dr. Ernesto Sernas García”, que está percorrendo as diferentes prisões do estado e outros centros de internação. Essa busca autônoma é o produto da mobilização popular e da firmeza dos familiares do advogado que exigem que ele seja apresentado vivo e que os culpados pelo seu desaparecimento sejam punidos.

Desde o início da manhã no Istmo, a presença de veículos da Polícia Estadual e da Guarda Nacional foi registrada na Zona Leste, no alto de Ostuta, no que parecia ser um posto de observação do qual fotografaram e filmaram os veículos das comunidades pesqueiras e camponesas que estavam transportando os militantes da CP-SV para a marcha.

Velho Estado e oportunistas se mobilizam para reprimir as massas

Mais tarde, na Refinaria de Salina Cruz, houve uma tentativa de confronto iniciada por oportunistas da chamada "Frente Liberal Sindicalista" que controla a estrutura da Seção 38 do Sindicato de Trabajadores Petroleros da República Mexicana, que, em conluio com a Marinha mexicana, tentou intimidar o contingente de pescadores e camponeses pobres, que responderam de forma exemplar tomando o acesso ao complexo petroquímico.

O velho Estado também mobilizou suas tropas a Secretaria da Marinha Armada e da Guarda Nacional, bem como veículos e drones anti-motim, mas a resposta enérgica e unida das massas rejeitou tais provocações.

Em diferentes localidades do México, grandiosos bloqueios de estrada

Na Cuenca del Papaloapan, trabalhadores e camponeses pobres bloquearam estradas enquanto marchavam em direção à capital municipal do Valle Nacional. As bandeiras da CP-SV também inundaram as ruas.

Durante a manifestação, houve uma homenagem a Florencio Medrano Mederos.  "Güero", como é conhecido, lutou à frente do Partido Proletariado Unido da América contra o velho Estado burocrático-latifundiário, no que hoje é reconhecido como o primeiro movimento guerrilheiro maoista no México. "Medrano veio com os Chinantecos organizando e lutando, tirando terras do latifúndio, realizando a distribuição agrária revolucionária, educando e mobilizando os camponeses pobres... ele caiu em combate em Oaxaca em março de 1979, apenas 42 anos atrás, e sua silhueta revolucionária ainda caminha nestas terras", disse um jovem orador.

Na Sierra Sur, em Miahuatlán, a CP-SV também manteve um bloqueio de estrada por algumas horas e depois marcharam até o centro da cidade, onde realizaram um vigoroso comício na esplanada municipal.

Trabalhadores combatem contundentemente ataques aos seus direitos

Nos Vales Centrais, o Sindicato Único dos Trabalhadores Comunitários Telebachillerato do Estado de Oaxaca (SUTTBCEO), a Seção 9 do Sindicato Nacional Independente dos Trabalhadores da Saúde (SINTS) e a Seção de Oaxaca do Sindicato Nacional Livre dos Trabalhadores da Previdência Social (SNLTSS) conduziram uma marcha de da Fonte das Oito Regiões até a Casa Oficial do Governo. Durante a marcha, os sindicatos que vêm promovendo o processo de reconstituição da Federação Intersindical realizaram um comício no Instituto Mexicano de Seguridade Social onde expressaram sua solidariedade com a luta dos trabalhadores da saúde que atendem à emergência da Covid-19 em péssimas condições de trabalho dentro daquela instituição.

A Intersindical divulgou o chamado à greve do SUTTBCEO por revisão salarial e violações do Contrato Coletivo de Trabalho, também exigiram a demissão de Jesus Madri Jiménez como diretor da Comunidade Telebachilleratos de Oaxaca por ser “um rude e déspota contra os trabalhadores e as comunidades servidas por este subsistema de ensino superior”. Por sua vez, a Seção 9 do SINTS exige o pagamento de mais de seis quinzenas que os Serviços de Saúde de Oaxaca devem aos trabalhadores, que foram obrigados a trabalhar em meio à pandemia sem remuneração ou benefícios ou previdência social, bem como a recontratação do pessoal demitido por pertencer a este sindicato.

Também participaram desta marcha representantes da Rede Internacional de Indígenas Oaxaquenhos e da Frente Democrática Popular, organizações populares da região de Mixteca do estado.

A Corrente do Povo-Sol Vermelho também esteve presente, levantando combativamente a luta pela justiça para o companheiro Luis Armando Fuentes Aquino, dois anos após seu covarde assassinato, bem como a apresentação viva do companheiro Dr. Ernesto Sernas García quase três anos após seu desaparecimento forçado, em 2018.

Na cidade de Oaxaca, a marcha também bloqueou importantes cruzamentos de trânsito e um cerco popular foi estabelecido na Casa Oficial do Governo, onde os contingentes de trabalhadores sindicalizados, posseiros e camponeses pobres se mantiveram até tarde da noite.

Guarda Nacional é destacada para reprimir os trabalhadores organizados

Durante a manifestação, indivíduos desconhecidos tentaram, sem sucesso, furar o bloqueio em um dos cruzamentos dos contingentes mobilizados, uma ação que foi repelida pelas massas, que conseguiram identificar três indivíduos a bordo do veículo vestindo farda militar e algumas camisas camufladas da Guarda Nacional, que fugiram a toda velocidade.

Também foi relatado que indivíduos que se autoidentificaram como membros da Guarda Nacional estavam telefonando para vários números de telefone de dirigentes conhecidos pedindo detalhes pessoais tais como nome, endereço e ocupação.

Tais operações revelam a farsa das promessas do governo de López Obrador, que disse que "não militarizaria o país". Com a criação da Guarda Nacional até mesmo o processo de vacinação, os aeroportos, as alfândegas e os mega-projetos foram militarizados.

O presidente também afirmou que "nunca mais a polícia seria usada para reprimir o povo", sendo que a repressão acometida contra os protestos de mulheres contra o feminicídio a nível nacional, contra as bases de apoio zapatista em Chiapas e contra a militância da CP-SV em Oaxaca mostram o oposto.

“Mesmo com tudo, a CP-SV e as fileiras das diferentes organizações sindicais e populares responderam de forma exemplar, agindo de forma unida e contundente”, afirma o solrojista.blogspot.

Juventude popular, democrática e revolucionária se reúne em acampamento

O Acampamento da Juventude Popular, Democrática e Revolucionária foi realizado com sucesso ao final de abril com a presença de dezenas de jovens de diferentes áreas geográficas como a Serra, o Istmo, as Montanhas e o Vale do México, assim como de várias organizações, como as Brigadas da Juventude Popular, o Coletivo Cultural Gueza, a Rádio Combate-Nuestra Voz e o Movimento Estudantil Popular. O evento aconteceu em meio a diversas atividades culturais e esportivas, mesas de trabalho, oficinas, uma discussão e uma sessão plenária, fornecendo “elementos para análise e debate entre as novas gerações de quadros que estão se formando na perspectiva revolucionária”, de acordo com o site revolucionário solrojista.blogspot.


Foto: Solrojista.blogspot

Vendedores ambulantes aderem à Corrente do povo-Sol Vermelho

No Estado do México, vendedores ambulantes aderiram à Corrente do povo - Sol Vermelho, mobilizados em defesa de seus companheiros de profissão que foram atacados pelas “autoridades” municipais de Nezahualcoyotl. Em sua denúncia, os manifestantes asseguraram que as autoridades agiram de forma arrogante, tentando extorquir e cobrar dos vendedores. Os vendedores também exigem espaços dignos para a venda de seus produtos.

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