RJ: Operação de guerra da Polícia deixa 28 mortos na favela do Jacarezinho

Policiais carregam corpo de pessoa morta durante operação no Jacarezinho. Foto: Redes Sociais

Uma megaoperação das Polícias Civil (PC) e Militar (PM) deixou um saldo de 28 mortos na favela do Jacarezinho, zona norte do Rio, no dia 06 de maio. Duas pessoas que estavam dentro do Metrô na estação de Triagem também foram baleadas.

Por volta das 05h50m da manhã, 200 agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro, apoiados por quatro carros blindados e dois helicópteros, invadiram a favela do Jacarezinho, com a desculpa de efetuar a prisão de pessoas ligadas ao tráfico de drogas. Policiais militares se posicionaram na linha férrea para impedir a fuga de traficantes.

Jovem morto com dedo na boca. Advogados ligados a organizações de Direitos Humanos suspeitam de ação de deboche por parte de policiais. Foto: Redes Sociais

Moradores baleados dentro de casa

Denúncias dão conta de moradores baleados dentro de suas próprias casas, assim como de residências invadidas pelos agentes.

Familiares de pessoas que foram baleadas ou presas estão em frente a Cidade da Polícia, que fica em frente a comunidade, para saber o paradeiro de seus entes. "Meu marido estava com a cabeça ensanguentada. A última vez que vi, estava vivo, em pé. Agora fiquei sabendo que está morto. Nem sei em qual hospital, qual delegacia ir", contou uma mulher.

Um outro morador comentou "Acho que eles pensam que estão no Iraque", sobre a conduta violenta dos agentes durante a operação. Outro morador denunciou que policiais estavam pegando celulares das pessoas durante a operação "Estão pegando telefone, agredindo morador e fazendo agressão", denunciou.

Corpos ficaram espalhados por ruas da comunidade. Foto: Redes Sociais

Pessoas baleadas dentro do metrô

O confronto se estendeu às estações de metrô e trens, fazendo com que duas pessoas fossem atingidas por tiros quando estavam dentro do metrô, na estação de Triagem. A circulação de trens foi interrompida na região.

Com a operação, moradores que saiam para trabalhar ficaram sob o fogo cruzado, muitos se trancaram dentro de casa para não serem atingidos pelos disparos. Vídeos que circulam em redes sociais mostram corpos espalhados pelas ruas da comunidade e policiais realizando incursões pelas vielas. Até o fechamento desta matéria, comércios, escolas e a clínica da família da comunidade ainda não estavam funcionando.

Moradores são obrigados a ver cadáveres desfigurados e decepados após ação assassina da Polícia. Foto: Redes Sociais

Justificativa ridícula

A operação denominada Exceptis tem a justificativa de investigar o aliciamento de crianças e adolescentes para o tráfico de drogas. Contudo, segundo o sociólogo e professor Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-UERJ), a justificativa da Polícia Civil é inócua: "dizer que traficantes aliciam crianças e adolescentes é uma questão quase risível porque a gente sabe que todas as estruturas do tráfico têm menores de idade que colaboram. Dizer que vão fazer uma megaoperação porque descobriram que traficantes aliciam crianças é uma brincadeira", afirmou o professor.

Ação teve o maior números de mortes em 5 anos na cidade do Rio. Foto: Redes Socias

Maior número de mortos em uma só operação

A plataforma digital Fogo Cruzado, que analisa dados da violência na região metropolitana do Rio de Janeiro, divulgou que desde o início dos levantamentos em 2016, a operação do dia 6 no Jacarezinho foi a maior em termo de pessoas mortas, isso mesmo durante uma pandemia mortal e durante o decreto do Supremo Tribunal Federal, em que proíbe operações policiais em favelas do Rio.

Morador exibe manchas de sangue de homem baleado que buscou abrigo em sua residência. Foto: Redes Sociais

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