PA: Trabalhadores da saúde realizam ato contra precarização em Belém

Trabalhadores da saúde protestam no centro de Belém, no Pará. Foto: Akira Onuma

Cerca de 200 trabalhadores da saúde realizaram um ato na manhã do dia 03/05 em frente ao Hospital Beneficente Portuguesa, um dos maiores hospitais privados do Pará. Durante o ato a Rua João Balbi no Umarizal, um dos bairros centrais de Belém, foi totalmente interditada. O ato durou toda a manhã e foi encerrado no início da tarde.

Com cartazes e palavras de ordem os trabalhadores protestavam contra descontos abusivos nos salários; atrasos nos salários e férias; falta de pagamento de adicional noturno e insalubridade; recusa de atestados médicos apresentados pelos trabalhadores; alimentação de baixa qualidade; além da sobrecarga de trabalho por conta do número reduzido de trabalhadores.

O ato foi organizado por enfermeiros, técnicos de enfermagem, maqueiros, serviços gerais, além de outros trabalhadores. Temendo represálias pelos donos do hospital, muitos preferiram não se identificar. Já no início do ato a polícia militar estava presente tentando intimidar o justo ato dos trabalhadores da saúde.

A técnica de enfermagem Karen Sayuri, em entrevista ao monopólio de imprensa TV Liberal, denuncia que os trabalhadores atuam na linha de frente da pandemia e apesar disso são desvalorizados. “A gente tá arriscando a nossa vida pra cuidar da vida dos pacientes que precisam e quando chega final do mês a gente recebe R$ 500, R$ 700, isso não é justo! A enfermagem tá sendo desvalorizada! Durante três meses a gente tá tendo descontos indevidos, sem justificativas. Estão dando faltas, sem a gente faltar. A gente não pode adoecer, porque se a gente adoecer eles não estão aceitando nossos atestados”

Enquanto o técnico de enfermagem Carlos Pereira, relata que os trabalhadores merecem respeito. “Nós como profissionais de saúde o mínimo que a gente quer é respeito e um salário digno. A sensação agora é de desrespeito mesmo, estamos cada vez mais sendo desvalorizados!”

O técnico de enfermagem, José Nildo, denuncia falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) e falta de pagamentos dos direitos trabalhistas. “Nós tamos numa linha de frente trabalhando sobrecarregado, não temos descanso digno no hospital. Pra nós trabalharmos eles oferecem duas máscaras para um plantão de 12 horas. Arriscando nossa vida. Não recebemos adicional noturno que é um direito por lei, os trabalhadores recebem R$ 2,25. Sempre o Recursos Humanos diz que é sistema, mas esse sistema é operado pela mão de homem. Só queremos nosso direito pelo que trabalhamos no mês”

Outra trabalhadora da saúde que preferiu não se identificar, denuncia que com a sobrecarga de trabalho os trabalhadores não podem ficar doentes. “Não tão aceitando nossos atestados. Quando você adoece, nossos atestados são metidos na gaveta. Quando chega no final do mês é descontos absurdos.”

Durante o ato a polícia tentou liberar uma das vias para melhorar o trânsito quando na verdade tentava acabar com o ato. Em um dos momentos um dos policiais militares tentou intimidar os trabalhadores da saúde, ameaçando prender as lideranças do ato. “Vamos começar a respeitar ou vou te levar preso a gente tá conversando desde o começo”

Em nota ao monopólio de imprensa, a direção do hospital menosprezou o ato. “Pedir adicional noturno nas jornadas 12 por 36 ou 24 por 48 não é nem previsto na CLT. Quanto à sobrecarga de trabalho, isso é uma realidade do mundo, devido à pandemia. Todos os hospitais estão lotados e nós aqui estamos em 100% da nossa capacidade. É compreensível que o trabalho aumente".

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