AL: Camponeses erguem barricadas na BR-104 em celebração ao 1º de Maio exigindo terras

Faixa com a frase "Viva o dia internacional dos trabalhadores! Tomar todas as terras das usinas" é levantada durante o ato. Foto: Banco de dados AND.

Em manifestação camponeses da LCP e MLT celebram o 1º de maio. Foto: Banco de dados AND.

Faixa com a frase "Abaixo o governo militar genocida de Bolsonaro" é levantada durante o ato, enquanto barricada queimando canas e pneus toma forma. Foto: Banco de dados AND.

Camponeses interditam com barricadas BR-104 em meio ao protesto. Foto Larissa Galindo

No dia 3 de maio, camponeses de vários movimentos populares ergueram barricadas no quilômetro 73 da BR-104, na cidade de Messias, em Alagoas, em homenagem ao 1º de maio, exigindo terra para quem nela trabalha.

Durante a manhã de segunda-feira, deu-se início ao protesto que durou ao menos três horas. Pneus e galhos formaram a barricada enquanto faixas, denunciando o governo genocida e exaltando o dia internacional dos trabalhadores, foram erguidas. O ato foi realizado em homenagem ao Dia Internacional dos Trabalhadores.

Bandeiras da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e do Movimento de Luta pela Terra (MLT) podem ser vistas nas imagens da manifestação. Camponeses da Área Revolucionária Renato Nathan e do acampamento Sapucaia, organizados pelos respectivos movimentos participaram da ação.

Com palavras de ordem, cantando hinos e agitando bandeiras, os camponeses denunciaram a tentativa do judiciário de Alagoas de realizar reintegração de posse nas suas terras em benefício da Usina Utinga Leão, latifúndio canavieiro que nunca comprovou ser dono dessas terras. Há anos que a Usina tenta expulsar os camponeses, e mesmo sem documentos, a “Justiça” segue cumprindo seu papel de servir e obedecer ao latifúndio, dando ordem de despejo de forma arbitrária e ilegal.

O ato denunciou também os crimes do governo militar de Bolsonaro e seu projeto de genocídio contra as massas durante a pandemia, apontando que o caminho para a solução da crise na qual o Brasil se afunda, é tomar todas as terras do latifúndio e entregá-las aos camponeses pobres sem terras ou com pouca terra.

A luta pela terra em Messias

Em setembro de 2020, conforme noticiado pelo AND, uma ordem de despejo foi emitida contra mais de 115 famílias camponesas que vivem e produzem há décadas nas terras da antiga fazenda Lajeiro, no município de Messias-AL. 

O judiciário acatou o pedido da usina sucroalcooleira Utinga Leão S/A pertencente ao Grupo Eduardo Queiroz Monteiro (EQM), mesmo sem estes conseguirem provar a suposta propriedade sobre as terras dos camponeses. Porém, naquela mesma ocasião os camponeses realizaram uma Assembleia Popular e decidiram resistir ao despejo e os ataques de militares e paramilitares contra os camponeses.

O despejo das famílias é pleiteado para atender os objetivos do latifúndio de plantar cana-de-açúcar, o que nem reduz o preço do combustível e nem fortalece a economia. Na contramão do atraso que o latifúndio produz, os camponeses abastecem as feiras e fomentam o comércio local, impulsionando a economia

De acordo com nota emitida pela LCP na ocasião “Desde 2008, a Liga dos Camponeses Pobres do Nordeste (LCP-NE) iniciou seus trabalhos de organização junto às famílias de camponeses posseiros das terras da antiga fazenda Lajeiro. Em 2012, realizamos a primeira etapa do Corte Popular e em 2014 concluímos com a entrega dos Certificados de Posse correspondentes a 115 parcelas de terra”. 

Leia também: AL: Camponeses que vivem há gerações em Messias são ameaçados de despejo em meio à pandemia

Prosseguem dizendo: “Neste período, os camponeses edificaram sua Assembleia Popular e promoveram muitas conquistas. Fundaram uma Escola Popular, onde companheiros e companheiras tiveram oportunidade de aprender a ler e escrever, como também debater sobre a situação política e sobre a luta pela terra. Construíram pontes e casas, abriram estradas e roçados. Em 2018, após muita luta, conquistaram a eletrificação de todos os lotes da área”.

Declaram também que em 2020, os camponeses organizaram seu próprio Comitê Sanitário de Defesa Popular (CSDP) para se proteger do COVID-19 e através deste lutaram por atendimento médico, acompanhamento de agente de saúde, iluminação pública nas vias rurais, tratores e máquinas para impulsionar a produção.

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