Cebraspo: "Chacina na favela do Jacarezinho é Terrorismo de Estado!"

Compartilhamos com os leitores de AND nota assinada pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo) denunciando a chacina do Jacarezinho, maior chacina ocorrida em operações militares no estado do Rio de Janeiro.

A nota pode ser lida também no portal do Cebraspo.


Polícia Civil realiza operação de guerra no Rio de Janeiro: Chacina na favela do Jacarezinho é Terrorismo de Estado!

A operação da polícia civil ocorrida no dia 06 de maio na favela do Jacarezinho foi uma verdadeira chacina. Oficialmente deixou 25 pessoas mortas (moradores denunciam que o número é maior), inúmeros feridos e até passageiros que estavam em vagão do metrô que passava nas proximidades foram atingidos por projeteis de arma de fogo e estilhaços. Denúncias de moradores e da Defensoria Pública do Rio de Janeiro relatam violações de direitos, invasões de residência, extrema violência armada, evidências de práticas de execução extrajudicial e o desfazimento de cenas de crime por parte dos agentes policiais para impedir o trabalho da perícia. Foi a chacina mais letal da história do Rio até hoje.

Há que se ressaltar que a operação no Jacarezinho foi coordenada pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Agora podemos crer que as crianças da favela do Jacarezinho estão com seus direitos assegurados e com certeza não correrão mais o risco de no curso de sua vida ingressarem para trabalhar no tráfico varejista de drogas? Não há limites para o cinismo, o sadismo, e o sentimento anti-povo destes senhores, que após cometerem a barbárie vão as câmeras com as justificativas mais vis.

Representantes da polícia civil falam em “ativismo judicial”, em frontal escárnio à decisão do STF que restringe operações policiais nas favelas a casos excepcionais. A continuidade dessas operações que só resultam em mortes e o desafio ao órgão supremo do Judiciário no país apenas evidencia a decadência do Estado Democrático de Direito que não é capaz de assegurar o mínimo de direitos e garantias civis à população pobre, que historicamente vive as consequências das desigualdades, ausência dos direitos básicos para uma vida digna e a barbárie cotidiana da violência policial.

A chacina do Jacarezinho é mais um nefasto episódio onde o Estado dilacera as vidas do povo pobre e negro das favelas e periferias e seu sangue lava as ruas, becos e vielas. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), 453 pessoas foram mortas pela polícia do Rio apenas entre janeiro e março deste ano, em média são mais de 5 mortos pela polícia por dia no Rio de Janeiro, segundo dados oficiais. A quantidade de mortos e episódios recorrentes de chacinas nas décadas recentes, para citarmos os casos mais conhecidos, chacina de Acari (1990); da Candelária (1993); de Vigário Geral (1993); da Nova Brasília (1994 e 1995); do Borel (2003); Favela da Coreia (2003); do Caju (2004); da Baixada (2005); chacina do Pan no Complexo do Alemão (2007); do Falet/Prazeres (2019); do Alemão (2020); da Vila Ibirapitanga (2020) e tantas outras pouco noticiadas pelo monopólio de imprensa, mostram o verdadeiro caráter da política de guerra contra o povo pobre do Estado brasileiro. Assassinar pobres não é exceção, é a regra, e periodicamente os algozes do povo decidem deixar esse lastro de sangue e terror em alguma favela para mostrar sua verdadeira face.

A política contra insurgente do Estado brasileiro segue a sua lógica de mando sobre a vida e a morte da população pobre e negra das favelas, de tempos em tempos revela sua face genocida e o caráter fascista de suas ações. É de conhecimento público e notório a alta letalidade policial e a ineficácia de décadas de ações policiais midiáticas e espetaculares, sempre recheadas de requintes de crueldade e covardia.

Nos solidarizamos com os moradores da favela do Jacarezinho que mesmo sob o terror imposto pelas forças policiais lançaram-se as ruas da favela para protestar contra a covardia que estavam submetidos. Apoiamos todas as iniciativas que surjam para denunciar mais esse crime cometido contra a população das favelas do Rio de Janeiro e defendemos que o povo tenha o direito de se organizar e criar suas formas de luta para garantir seus direitos, entre eles o mais elementar que é o direito à vida. Convocamos todas as entidades democráticas e progressistas a se manifestarem contra este crime de estado e a exigirem punição aos mandantes e executores desta barbárie cometida contra o povo trabalhador.

Abaixo o Terrorismo de Estado!

Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos - Cebraspo

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Paula Montenegro
Taís Souza
Rodrigo Duarte Baptista
Victor Benjamin

Ilustração
Paula Montenegro