Yanomami resistem a ataques de garimpeiros ligados ao narcotráfico

Guerreiros Yanomamis protegem TI. Foto: Condisi-YY

No dia 10 de maio, os indígenas da Terra Indígena (TI) Yanomami foram alvejados por tiros de fuzil, em Alto Alegre, ao norte de Roraima, e revidaram com flechas e tiros de espingarda.

O ataque começou pela manhã, quando cerca de sete embarcações de garimpeiros ligados ao narcotráfico abriram fogo contra os indígenas da comunidade Palimiú. A comunidade fica às margens do rio Uraricoera onde no momento do ataque se encontravam dezenas de pessoas, entre elas várias crianças.

Em meio ao conflito que envolveu indígenas, garimpeiros e até mesmo a polícia, três garimpeiros foram mortos, outros foram baleados e um indígena ferido, conforme denúncias explicitam. Os próprios garimpeiros se apressaram em retirar os corpos. Um dos invasores feridos foi deixado para trás pelos comparsas e entregue para polícia pelos indígenas. Foram encontradas no local munições de fuzis e pistolas, e cartuchos de espingardas.

Um fato se destaca em meio às denúncias. De acordo com Junior Hekurari, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye´kuana (Considi-Y), em entrevista concedida ao portal Amazônia Real, as vestimentas eram pretas e em algumas estava escrito “polícia”, algo que causou estranheza dos moradores da comunidade.

O ataque se deu após os indígenas apreenderem os maquinários dos invasores e criarem barreiras nos caminhos onde circula o garimpo ilegal. Este é o terceiro ataque contra o povo Yanomami em um período de 15 dias, as lideranças têm recebido diversas ameaças de morte. 

Momento em que garimpeiros disparam contra Yanomamis. Foto: Reprodução

Bolsonaro em apoio mineração ilegal, demonstra a ansia pelo saqueio

No dia 06/05 os povos Yanomamis e Ye'kuana emitiram uma nota em repúdio à visita de Bolsonaro aos garimpos ilegais e tropas militares situados dentro da TI Yanomami anunciada em vídeo no dia 29/04. 

Na ocasião, Bolsonaro falou: “Não vamos prender ninguém. Não vai ser uma operação para ir atrás. Eu quero conversar com o pessoal, como eles vivem lá, para começar a ter uma noção de quanto sai de ouro”. Disse ainda também em vídeo que “gostaria de ter junto a pelotões de fronteira, um posto ali da Caixa Econômica Federal para a gente comprar ouro”.

Na nota os indígenas denunciam que o governo militar de Bolsonaro e generais quer legalizar o garimpo dentro da terra indígena, fato que beneficiará o latifúndio minerador que anseia por saquear a Amazônia. Dizem ainda que naquelas terras há três pelotões, na região de Maturacá, Auaris e Surucucus, e que o governo, no lugar de fiscalizar e proteger contra atividades ilegais, busca contra a vontade dos indígenas de viabilizar o roubo nas TIs. 

Em entrevista ao portal DW Brasil, Dário Vitório Kopenawa Yanomami, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY), afirmou: "Esses garimpeiros não trabalham sozinhos. Eles têm muito apoio e financiamento de políticos importantes e empresários grandes". 

Sobre os garimpeiros, Dario apontou ainda: "Eles entram com drogas no nosso território. O aliciamento é muito grande, dão comida, cachaça, arma de fogo e cartucho aos indígenas e depois dizem que são garimpeiros ‘bons', que vão ajudar".

Dois dias antes do ataque à TI Yanomami, em 08/05, Bolsonaro em meio a uma visita ao Rio de Janeiro, afirmou sobre a região: "Terra riquíssima. Se junta com a Raposa Serra do Sol, é um absurdo o que temos de minerais ali. Estou procurando o 'primeiro mundo' para explorar essas áreas em parceria e agregando valor", evidenciando o entreguismo e interesse no saqueio da Amazônia.

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