Protestos em todo o mundo se solidarizam à Palestina e rechaçam Israel

Desde o dia 08 de maio, têm sido registradas manifestações de apoio à Palestina em todo o mundo, por conta dos mais recentes ataques perpetrados pelas forças da ocupação israelense. Os protestos se multiplicaram principalmente após as forças armadas de Israel invadirem a mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, e lançarem ataques aéreos contra a Faixa de Gaza, no dia 10/05, que deixaram mais de 80 mortos e outras centenas feridos até o momento.

Os protestos repudiaram as demonstrações de terrorismo contra os palestinos e os planos de despejar famílias palestinas que vivem em Jerusalém Oriental, com o fim de expandir a colonização da cidade por judeus.

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No dia 11/05, em Nova York, no Estados Unidos (USA), milhares de pessoas se concentraram nas proximidades do consulado israelense para, então, marcharem até a Times Square. No decorrer do percurso, manifestantes sionistas atacaram o protesto, levando a uma série de confrontos. Vários manifestantes pró-Palestina foram detidos pela repressão policial.

Carregando um mar de bandeiras palestinas, a multidão era encabeçada por uma enorme faixa com os dizeres Fim da Ocupação!, e entoava palavras de ordem como Palestina livre!, Defenda Jerusalém!, Gaza sob ataque! e Chega de dinheiro para crimes israelenses!. Reivindicava-se que o USA adotasse o boicote financeiro a Israel, país que mais recebe apoio financeiro do imperialismo ianque.

Manifestantes marcham na Times Square, em Nova York, com faixa da bandeira palestina que diz "Fim da ocupação", 11/05/2021. Foto: Eduardo Munoz

Na capital do USA, Washington, centenas de pessoas marcharam na manhã do dia 11/05 desde o Departamento de Estado ianque até a Casa Branca, coração da potência hegemônica única e onde vive o presidente. Os manifestantes protestavam contra o terrorismo colonial israelense e contra o governo de Biden, exigindo que o USA condene os ataques à Faixa de Gaza e cesse seu apoio a Israel. Dentre os presentes havia palestinos, judeus, turcos, árabes e muçulmanos solidários.

Na cidade de Los Angeles, Califórnia, uma centena de manifestantes pró-palestina se reuniu em frente ao consulado de Israel, no dia 11/05, em um protesto convocado pelo Al-Awda, Coalizão pelo Direito Palestino ao Retorno.

No mesmo dia, centenas de pessoas também participaram de manifestações em Berlim, na Alemanha, convocadas sob palavras de ordem como A hora da libertação chegou!. A polícia foi vista ameaçando os manifestantes para que saíssem das ruas e, em alguns casos, ameaçando-os com spray de pimenta. Após fustigamentos, detenções arbitrárias e tentativas de dispersão das forças de repressão, os manifestantes se defenderam atirando pedras e garrafas contra a polícia.

Também serão convocadas, em Berlim, manifestações pela libertação dos presos políticos palestinos – incluindo as crianças trancafiadas e torturadas nas masmorras israelenses – e para o Dia da Nakba (15 de maio), ou “Dia da catástrofe", em memória do início da ocupação israelense há 73 anos, e da consequente expulsão e genocídio dos palestinos de suas terras.

A ONG Samidoun (Rede Solidária aos Presos Palestinos), que tem promovido as manifestações na Alemanha e atua em outros 11 países, foi declarada uma “organização terrorista” pelo governo arquirreacionário israelense em março deste ano, com a intenção de criminalizar e frear os esforços de construir a solidariedade internacional com a Palestina.

Já na Inglaterra, houve protestos na capital, Londres, e nas cidades de Bradford, Birmingham, Leicester, Blackburn e Manchester. Organizadas pelo Fórum Palestino na Grã-Bretanha e outros grupos, as pessoas se reuniram em frente a Downing Street em Londres e no centro da cidade de Manchester para expressar sua indignação com a violência cometida contra os palestinos em Jerusalém e exigir o fim do apoio do imperialismo inglês a Israel.

“Estamos aqui hoje sabendo muito bem que os ocupantes estão transgredindo os direitos dos palestinos. O que está acontecendo na Palestina hoje, o que está acontecendo em Jerusalém hoje, é a continuação da ocupação ilegal. É a continuação do furto ilegal de terras iniciado em 1948”, afirmaram os organizadores da marcha.

“Estamos aqui juntos em solidariedade com nossos irmãos e irmãs na Palestina que estão enfrentando uma grave injustiça nas mãos de seus ocupantes. Eles estão indefesos diante de balas, gás lacrimogêneo e granadas, mas mantêm sua fé e convicção de que estão lutando contra a tirania e a injustiça e defendendo seu povo e outros em todo o mundo”, acrescentaram.

Manifestação multitudinária em Londres. Foto: Middle East Eye

Em Leicester, foi realizada uma manifestação em que centenas de pessoas compareceram, organizada pela Campanha de Solidariedade e Amigos de Al Aqsa. Na cidade de Blackburn a manifestação também teve centenas de pessoas.

No ato convocado pela associação Solidariedade França-Palestina em Paris, França, dia 12/05, o presidente da associação foi colocado sob custódia policial. Ela havia convocado protestos em todo o país sob a palavra de ordem Proteger os palestinos de Jerusalém! A França deve agir!. O protesto ocorreu perto do Ministério das Relações Exteriores e foi rapidamente reprimido pela polícia, que tentou dispersar o ato e multar os manifestantes. Mesmo assim, eles resistiram e permaneceram no local.

Cerca de 400 pessoas participaram de uma manifestação em frente ao Ministério das Relações Exteriores em Bruxelas, capital da Bélgica, no dia 12/05, para rechaçar a agressão sionista contra a Palestina. Convocados pela Associação Belgo-palestina (ABP), os manifestantes balançavam altivas bandeiras palestinas.

No dia 11/05, 300 pessoas se reuniram na avenidade Ouellete, em Windsor, no Canadá, para rechaçar os ataques de Israel à Gaza e a ocupação do território palestino pelos colonos. Já na cidade de Sydney, na Austrália, uma manifestante pró-Palestina foi detida e processada por queimar uma bandeira de Israel durante uma grande manifestação que ocorria durante as festividades do Ramadan, com as massas fazendo discursos e balançando bandeiras palestinas.

Manifestação pró-Palestina em Windsor, Canadá, 11/05/2021. Foto: Dax Melmer

Em Glasgow, na Escócia, dezenas de pessoas se reuniram no dia 10/05 para demonstrar solidariedade ao povo palestino na praça George. Os manifestantes levaram várias bandeiras da Palestina e ergueram faixas com os dizeres Lute contra o racismo, lute contra o imperialismo! e Salve Sheikh Jarrah!

No dia 11/05, mais de mil manifestantes bloquearam as ruas da Cidade do Cabo, segunda maior cidade da África do Sul, para protestar, cantando Palestina livre, livre! e Abaixo de Israel, abaixo!. "As pessoas estão morrendo, as pessoas estão sendo deslocadas, as pessoas estão sendo feridas e as pessoas estão sendo tratadas injustamente, e nós tivemos a mesma coisa aqui na África do Sul", disse um professor da escola Tasneem Saunders ao monopólio de imprensa France24. Outro manifestante, Kashiefa Achmat, disse também que o que ocorre na Palestina "nos lembra [sul-africanos] da brutalidade da polícia (…), do sistema do apartheid que costumávamos ter".

Manifestações similares organizadas pelo movimento Boicote, Desinvestimento, Sanções (BDS) também foram realizadas no distrito comercial de Sandton, em Johanesburgo. O país sul-africano está entre os mais de 130 países que reconhecem a Palestina como um Estado soberano, e desclassificou sua embaixada em Tel Aviv em 2019.

Manifestantes defendem a Palestina na África do Sul. Foto: Rodger Bosch

No dia 08/05, jogadores do time de futebol chileno Palestino entraram em campo no jogo contra o Colo-Colo vestindo keffiyeh, lenços que são símbolo da identidade palestina. O time afirmou oficialmente que o uso dos keffiyeh representa a conexão que o time, fundado em 1920 por imigrantes palestinos, mantém até hoje com a "terra natal". O Chile abriga uma das maiores comunidades palestinas fora do Oriente Médio, chegando a cerca de meio milhão de descendentes de imigrantes e refugiados.

Os jogadores do Club Deportivo Palestino do Chile usam keffiyeh para mostrar apoio ao povo palestino, antes da partida contra o Colo Colo, em Santiago, 08/05/2021. Foto: EPA

NAÇÕES PRÓXIMAS E A COMUNIDADE ÁRABE SE SOLIDARIZAM

No dia 11/05, libaneses e palestinos marcharam juntos em Beirute, capital do Líbano. Eles se concentraram no campo de refugiados Mar Elias, no sul da cidade, e marcharam até o campo de Chatila, a 2 quilômetros de distância. Depois, os manifestantes se reuniram na Praça dos Mártires, no centro de Beirute, onde continuaram até à noite. Também houve um ato organizado por refugiados do campo de Beddawi, no norte do país, onde entoava-se a palavra de ordem: Para Jerusalém estamos indo, somos mártires aos milhões!

“O que está acontecendo em Sheikh Jarrah não está separado do que os refugiados palestinos estão passando no Líbano nos campos ou do que está acontecendo em Gaza”, disse uma manifestante chamada Thurayya ao portal Middle East Eye durante o protesto em Beirute. “O Líbano marginalizou os refugiados palestinos por muito tempo. Forçados a trabalhar ilegalmente e sem proteção legal, os palestinos enfrentam severa discriminação em salários e contratações”, explica. Atualmente há cerca de 300 mil refugiados palestinos vivendo em cerca de 12 campos de refugiados no Líbano, de acordo com a ONG Anera.

Em outra manifestação de solidariedade, a União de Escritores do Líbano, que reúne intelectuais honestos, publicou uma declaração no dia 10/05 condenando a violência israelense em Jerusalém. Ela afirma que "O levante crescente confirma mais uma vez que a força bruta não pode derrotar a vontade de liberdade entre o povo de Jerusalém", e que "Esta revolta provavelmente se transformará em uma revolta que permeia todas as terras árabes ocupadas e vem à luz de transformações internacionais de profundo impacto e de longo alcance".

No Paquistão, centenas de pessoas participaram de um protesto em Karachi no dia 11/05, onde uma enorme faixa também foi estendida com os dizeres: Israel é um Estado ilegítimo! e Al-Aqsa sob ataque!. Sob gritos de Abaixo ao USA!, os manifestantes atearam fogo a bandeiras do imperialismo ianque, de Israel, da França e da Índia – esta última, por conta da questão da Caxemira, região dividida entre o Paquistão e a Índia que luta por sua independência em relação ao velho Estado indiano.

No dia 10/05, centenas protestaram em frente ao consulado israelense na capital da Turquia, Istambul, agitando bandeiras da Palestina e cantando palavras de ordem que cobravam retaliação pelos ataques israelenses, como Olho por olho, dente por dente!, e outras que condenavam Israel chamando-o de "Estado terrorista".

Na grande cidade turca de Ancara, outra marcha também cercou o escritório diplomático israelense. Por conta da repercussão dos acontecimentos de Jerusalém entre o povo, o velho Estado turco foi pressionado a retirar o convite feito ao ministro israelense da Energia para uma conferência diplomática internacional que ocorrerá em junho.

No Marrocos, as forças da repressão tentaram dispersar com brutalidade manifestantes que protestavam em Rabat, capital do país, no dia 11/05. Além de se solidarizar com o povo palestino, os manifestantes também condenavam o acordo de normalização de relações firmado em dezembro de 2020 entre o velho Estado marroquinho e Israel. O acordo fora comandado pelo imperialismo ianque, sob chefia de Donald Trump, que, em troca, prometeu o reconhecimento da soberania marroquina sobre as áreas ocupadas do Saara Ocidental, cujo povo, assim como a Palestina, também luta por libertação nacional. No curso do ato, entoava-se O povo condena a normalização com Israel!.

Na Jordânia foram organizadas vigílias pela Palestina em várias localidades, e também houve protestos nas cidades de Amã, Maan, Tafileh, Aqaba, Mafraq e Irbid no dia 11/05. No Kuwait, 14 organizações emitiram uma declaração conjunta de apoio e solidariedade aos palestinos de Jerusalém, a quem chamam de "defensores da mesquita de Al-Aqsa". Na nota, afirmam que os ataques israelenses "vêm no contexto de um esquema para evitar reuniões palestinas em Jerusalém, para fortalecer a hegemonia israelense sobre Jerusalém e para tentar perpetuar as violações e práticas lançadas pela ocupação para incitar colonos extremistas a invadir a Mesquita de Al-Aqsa durante o Ramadã". 

Turcos rechaçam ataques coloniais de Israel e celebram a Resistência Palestina, 10/05/2021. Foto: Reuters

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