LCP denuncia prisão ilegal de quatro camponeses no Manoel Ribeiro e exige: ‘Liberdade imediata!’

Os camponeses Ezequiel, Luis Carlos, Estefane e Ricardo foram presos após uma operação de cerco ilegal promovido pela PM de Rondônia. Os flagrantes forjados foram feitos pelos policiais por necessidade de enquadrar o movimento camponês como "guerrilha terrorista". Foto: Banco de dados AND

A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) de Rondônia e Amazônia Ocidental, juntamente com a Comissão Nacional das LCP’s, divulgou uma nota no dia 16 de maio exigindo a soltura dos quatro camponeses presos pela Polícia Militar (PM). A prisão se deu em mais uma invasão ilegal ao acampamento.

A nota denuncia que os policiais têm realizado cercos ilegais no Acampamento que fica no município de Chupinguaia (RO). No dia 14 de maio, os policiais atacaram covardemente dez camponeses, prendendo outros quatro, em acusações infundadas e forjadas com maquinação ilegal de plantar provas de crimes.

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Os camponeses que estão agora presos foram autuados por “tentativa de homicídio, dano e depredação, esbulho possessório [quando alguém possuidor de um bem tem sua posse tomada de forma injusta sem o uso da força], associação criminosa e posse irregular de arma de fogo”. 

A LCP denuncia que “os policiais plantaram um revólver e cartuchos de espingarda entre os objetos apreendidos” como forma de “provar os crimes” e continuar sua tentativa de enquadrar o movimento camponês como “guerrilha terrorista”. Com isso, buscavam atacar todos os camponeses em luta por terra no estado de Rondônia, particularmente o Acampamento Manoel Ribeiro.

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Na verdade, a LCP afirma foram apreendidos com os quatro presos apenas “estilingues, fogos de artifício, bombinhas e materiais de trabalho camponês como botina, facão e canivete”, materiais comuns na vida do camponês. Percebendo que não teriam meios de justificar a operação ilegal, os policiais procederam a mais uma ilegalidade: plantar flagrante de crime com aqueles que estavam sendo abordados. A prática criminosa é realizada por todo o país pelas polícias estaduais.

PM atua como braço do latifúndio ladrão de terra

A nota faz uma grave denúncia contra a PM. Os policiais que têm ficado permanentemente nos arredores do Acampamento Manoel Ribeiro estão cumprindo, na realidade, papel de apoio ao latifúndio. O apoio se dá através das operações de cerco ilegais, ações de intimidação, de humilhação e de repressão aos camponeses pobres. 

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Recentemente, nesse acampamento, a polícia substituiu a pistolagem dos latifundiários, passando a cumprir tal papel. Essa teve seus bandos armados desarticulados após denúncia acatada pelo Ministério Público Estadual. Desde então, em ações ilegais, o que os policiais têm feito é cercear a liberdade dos camponeses e perseguir, reprimir e criminalizar a torto e a direito todo e qualquer camponês que se encontra em luta no Acampamento Manoel Ribeiro.

O discurso em torno de crimes e emboscada, por sua vez, foi impulsionada pelos monopólios de imprensa local.

“Cortina de fumaça para encobrir e justificar sua ação de guaxebas fardados do latifúndio”, apontou o movimento camponês. E completou: “Os camponeses das áreas vizinhas querem a saída das polícias militar e civil, que desde final de março estão promovendo o terror na região ameaçando de morte, invadindo casa e sítio de apoiadores do acampamento, humilhando e agredindo trabalhadores com suas blitze arbitrárias”. 

Tal é a prática que tem sido encontrada por parte dos policiais de Chupinguaia, Rondônia.

Dois pesos e duas medidas

A nota finaliza denunciando que no mesmo dia do ocorrido, o governador Marcos Rocha fez a defesa de seu secretário chefe da Casa Civil, Júnior Gonçalves, acusado de desviar verba pública. A denúncia, feita pelo Ministério Público, aponta que o integrante do governo estadual desviou mais de R$ 120 milhões através de fraudes em contratos de serviços publicitários.

Sobre o caso, o governador Marcos Rocha, que não guarda nenhuma ressalva para atacar os camponeses pobres em luta, falou: “Governador não condena nem absolve ninguém, quem faz isso é a justiça, eu respeito a justiça e vamos aguardar a definição, o julgamento, as provas. O que a gente não pode fazer é condenar alguém sem o devido processo legal. Aquele que é acusado tem o direito de se defender. De poder falar o contrário, mostrar a controvérsia da situação.” Tais ideias sobre a justiça, no entanto, não se aplicam aos camponeses pobres.

Liberdade já para os quatro camponeses presos!

A nota finaliza com o chamado a uma grande campanha pela liberdade imediata dos quatro camponeses presos, pelo fim do injusto processo dos quatro e também de outros dois camponeses presos no último mês de março, condenados a dois anos de prisão. Tal chamado feito pela LCP se direciona a “todos os camponeses, operários, estudantes, professores, trabalhadores em geral, entidades e pessoas verdadeiramente democráticas”

A íntegra da nota pode ser lida no portal Resistência Camponesa, ou clicando aqui.

Imagem da Campanha pela liberdade imediata dos quatro camponeses divulgada pelo portal Resistência Camponesa. Foto: Reprodução

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