RJ: Povo se rebela após policiais assassinarem mototaxista e passageiro na Cidade de Deus

Policiais arrastam corpo de trabalhador depois de assassiná-lo. Foto: Reprodução

Moradores da favela Cidade de Deus, na zona oeste do Rio de Janeiro, fizeram uma combativa manifestação, logo após o assassinato de dois homens por agentes da Polícia Militar (PM), na noite do dia 18 de maio. O ato ocorreu logo após o corpo do trabalhador ser arrastado para dentro da viatura por policiais.

Os manifestantes queimaram pneus e montaram barricadas para fechar a avenida Edgar Werneck, que fica em frente a comunidade. PMs do Batalhão de Choque se deslocaram à região para reprimir os trabalhadores. Os militares dispararam bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os moradores, que, por sua vez, responderam aos carniceiros do velho Estado disparando pedras e fogos de artifício. Também foram registrados disparos de arma de fogo contra a tropa de Choque, fato que os obrigou a se retirar. Os militares tiveram que utilizar um carro blindado “caveirão” para retirar os bloqueios montados na via.

O mototaxista Edvaldo Viana, de 42, e um passageiro ainda não identificado, foram mortos por PMs quando passavam pelo viaduto localizado embaixo da linha amarela, importante via expressa que liga a zona oeste ao centro do Rio. Segundo testemunhas, os PMs mandaram Edvaldo para a moto e quando este estacionou, os policiais disparam um tiro de fuzil 7.62 de dentro do carro, acertando o trabalhador. Os militares desceram do carro e efetuaram outro disparo, dessa vez acertando o carona.

Moradores revoltados protestaram contra ação covarde de PMs. Foto: Reprodução

Após os assassinatos, moradores da região começaram a filmar, os vídeos mostram os policiais alterando a cena do crime e arrastando os corpos para dentro da viatura, segundo as testemunhas os homens já estavam mortos.

Na tarde do dia 19, mototaxistas fizeram uma manifestação em homenagem a Edvaldo e contra a violência policial contra a categoria.

Mototaxistas protestam contra morte de Edvaldo. Foto: Luciano Belford

PM acusa sem provas jovem de ser ‘suspeito’

O enteado de Edvaldo, Paulo Henrique dos Santos Duarte contou que quando chegou ao local e perguntou aos policiais pelo padrasto, os militares se referiram ao trabalhador e a outra vítima como "gansos", jargão utilizado pelos PMs para descreverem suspeitos.

“A gente chegou lá e os policiais disseram que 'os dois gansos já foram levados'. Uma pessoa me disse que meu padrasto parou a moto e os policiais atiraram de dentro do carro. Eles levaram para o Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, podendo levar eles para o Hospital Lourenço Jorge, na Barra", contou Paulo Henrique.

Ainda segundo Paulo Henrique, trabalhadores que passavam pelo local presenciaram os assassinatos. Ele ainda relembrou de um outro caso de um trabalhador assassinado por PMs quando ia para o trabalho, em janeiro deste ano: “Um pessoal que estava no lava-jato disse: ‘colega, seu padrasto parou a moto e eles, de dentro do carro, dispararam. Seu padrasto caiu, e eles desceram do carro e atiraram no outro’. Todo mundo saiu falando a mesma coisa: que ele simplesmente foi fazer a bandalha onde todo mundo faz e sempre acontece isso. Seis meses atrás foi com outro rapaz. Foi mais um que entrou para a estatística. E agora aconteceu com meu padrasto”, relatou Paulo Henrique.

Edvaldo com sua esposa Miriam. Foto: Reprodução

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A esposa de Edvaldo ficou revoltada com o assassinato do marido. Miriam dos Santos, de 40 anos, deu entrevista ao monopólio de imprensa quando foi liberar o corpo de Edvaldo, no Instituto Médico Legal (IML), ela responsabilizou os PMs pelo assassinato covarde do marido: “A polícia mata mais inocente do que prende bandidos. Queremos saber aonde isso vai parar, um inocente vai pra rua e está sendo morto nas mãos da polícia”. A mulher cobrou justiça e punição aos policiais: “Mais um inocente morrendo, eu só quero justiça. Quem fez isso com meu marido, inocente, vai pagar”, afirmou Miriam.

Miriam também relembrou do assassinato do outro trabalhador, em janeiro deste ano: “Eu cheguei lá, e ele estava morto. É muito sofrimento. Esses homens vão para a rua para matar inocentes. Eles só matam inocentes. No mesmo local onde há seis meses mataram outro inocente”, disse Miriam.

A advogada Nadine Monteiro Borges, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), em entrevista ao jornal do Monopólio de imprensa Extra, condenou a ação dos policiais, que desfizeram a cena do crime e lembrou que tal prática configura crime: “A constatação pelas imagens, indicam o desfazimento da cena do crime e fraude processual. Isso fere todos os protocolos internacionais. Nós, juntamente com a Defensoria (Pública), avisamos ao Ministério Público sobre a ação policial e pedimos que o órgão faça uma intenção urgente. Os vídeos falam por si só. Vamos acompanhar, como observadores, se as investigações indicam o desfazimento do crime”, afirmou.

Esposa de mototaxista assassinado exibe cápsula de fuzil que, segundo ela, matou o seu marido. Foto: Fabiano Rocha 

Assassinato de trabalhador nos primeiros dias do ano

No dia 4 de janeiro, PMs assassinaram o trabalhador Marcelo Guimarães no mesmo local em que assassinaram Edvaldo. Na época, moradores chegaram a fechar a Linha Amarela e enfrentaram com pedras em barricadas um blindado da PM, obrigando este a recuar.

O modus operandi foi o mesmo, um policial atirou com o fuzil  de dentro do caveirão enquanto Marcelo passava de moto.

Na ocasião, um policial usou as redes sociais para fazer ameaças aos trabalhadores que se rebelassem, ameaça que não foi suficiente para conter a fúria dos trabalhadores que se manifestaram de maneira ainda mais voraz.

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