RO: Mesmo com repressão camponeses da LCP seguem produzindo seu sustento e melhorando suas condições de vida

Roça coletiva no Acampamento Manoel Ribeiro. Foto: Bohu-ija Biraissí

Reproduzimos matéria emitida pela Agência Jornalismo Investigativo Bohu-ija Biraissí no início de maio, sobre a produção camponesa feita nos acampamentos da Liga dos Camponeses Pobres em Rondônia. 

Nos últimos meses de 2020 e nos meses iniciais de 2021 Rondônia percorreu o noticiário local, nacional e internacional por conta de conflitos agrários. De forma mais acentuada, estes conflitos se deram em duas áreas dirigidas pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP): o Acampamento Tiago dos Santos, no extremo norte de Rondônia, no município de Porto Velho, e o Acampamento Manoel Ribeiro, na fazenda N. S. Aparecida (parte da antiga fazenda de Santa Elina), na divisa dos municípios de Chupinguaia/Corumbiara, Cone Sul do estado.

Destacou-se nestas duas áreas a atuação orquestrada pelos latifundiários e os gerentes de turno do velho Estado desde a esfera local – com o Governador Marcos Rocha (PSL) e com o carniceiro Hélio Pachá – até a manifestação de reacionários de plantão em Brasília tendo à frente Bolsonaro.

Recentemente, Bolsonaro voltou a atacar a Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia, em discurso a latifundiários pecuaristas, se referindo à LCP como “terrorista” e anunciando o envio da Força Nacional de Segurança para reforçar as ações armadas de pistoleiros e policiais militares.

Os camponeses persistem em sua luta e avançam na produção

Nas áreas onde a LCP atua, o período de acampamento é provisório. As terras são medidas, cortadas e entregue para os camponeses. Tudo em assembleia, democraticamente, por sorteio. Isso se chama Corte Popular, aplicado pela Liga e prática que se espalhou por diversas lutas e até em outros movimentos, que copiam o modelo aplicado pela LCP, renomeando de “Reforma Agrária Popular”.

“Não queremos a PM aqui. Queremos paz para produzir nosso sustento”, diz uma camponesa do acampamento Manoel Ribeiro. Outro camponês completou: “eles dizem que a gente hostiliza a polícia. Claro! A polícia só aparece aqui para humilhar, atacar o povo e criminalizar nossa luta! Ela [a PM] não é bem-vinda aqui mesmo!”, “Quanto mais longe de nós, melhor, pois haverá paz e sossego”, conclui. No acampamento Manoel Ribeiro, em Chupinguaia, mesmo sob ameaça, as famílias já iniciaram a produção em roças coletivas. Já pode se ver grande plantio de mandioca, hortaliças, melancia, abóbora, milho, etc.

Na área camponesa Tiago dos Santos, na região de Nova Mutum, município de Porto Velho, as famílias em seus lotes já produzem grande variedade de produtos: arroz, milho, abóbora, melancia e uma variedade de legumes e hortaliças. Também já é visível inúmeros lotes com criação de porcos e aves. O que era latifúndio improdutivo e grilado por Galo Velho, agora se transforma no sustento das mais de 600 famílias que lá vivem. A resposta dos camponeses é a mesma, quando se pergunta pela polícia: “só serve para perseguir os pequenos e proteger os fazendeiros. São guaxebas de farda à serviço dos grileiros”, afirma uma jovem camponesa. “Eles querem que a gente saia daqui pra ir para a cidade para morrer de fome ou de Covid?” desabafa uma idosa que não interrompe seu trabalho de alimentar sua criação enquanto conversa com a reportagem.

A expectativa dos camponeses está na abertura das estradas (as chamadas linhas), a instalação de rede elétrica e a conclusão da vila Alípio de Freitas que está sendo construída na área para abrir comércios, escola, posto de saúde, barracão de assembleias e, claro, um campo de futebol. “Aqui vivemos felizes, nunca vi meus pais tão contentes e unidos”, relata um adolescente de 12 anos que diz que quer estar na inauguração do campo. A expectativa das mães é principalmente com a escola, que irá acabar com o sofrimento de se deslocar em estradas precárias por dezenas de quilômetros para buscar as tarefas das “aulas remotas”. “Aqui teremos nossa escola Renato Nathan que será espaço para educar nossos filhos” afirma um camponês que ajuda no mutirão da construção da escola e posto de saúde. Todo o material empregado e trabalho é fruto do esforço coletivo dos camponeses, que se revezam nas inúmeras atividades. Também há mutirão para ajudar os vizinhos mais necessitados com a construção de casas e outras tarefas e até na divisão de alimentos. “Aqui é a terra prometida meu filho! Aqui tem espaço para todos que querem trabalhar! Só não é bem-vindo aqui quem vem nos atacar, com ou sem farda!”, desabafa uma senhora.

Apesar da alegria de trabalhar na própria terra, percebe-se em ambas as áreas camponesas, que há uma indignação pelas manifestações e declarações dadas pelo governador de Rondônia, Marcos Rocha, e por Bolsonaro, como denuncia um jovem camponês: “Eles é que são os criminosos e terroristas! Bolsonaro e essa cambada de milico em Brasília é que é responsável pelo genocídio de mais de 430 mil mortos em nosso país! Quem comandou a operação que torturou e executou camponeses em Corumbiara em 1995, inclusive a pequena Vanessa? Foi o Pachá que tá aí posando de bom moço! Quem é responsável pelas mortes por covid e pelo precário atendimento da saúde? Quem tá querendo entregar as reservas públicas naturais de nosso Estado para latifundiários? É o Marcos Rocha! Bolsonaro, Mourão, Marcos Rocha e Pachá são inimigos dos camponeses, dos indígenas e do povo pobre desse país!”.

Construção do posto de saúde no Acampamento Tiago dos Santos. Foto: Bohu-ija Biraissí

Vila Alípio de Freitas no Acampamento Tiago dos Santos. Foto: Bohu-ija Biraissí

Construção de escola no Acampamento Tiago dos Santos. Foto: Bohu-ija Biraissí

Roça coletiva no Acampamento Manoel Ribeiro. Foto: Bohu-ija Biraissí

Roça coletiva no Acampamento Manoel Ribeiro. Foto: Bohu-ija Biraissí

Roça coletiva no Acampamento Manoel Ribeiro. Foto: Bohu-ija Biraissí

Roça coletiva no Acampamento Manoel Ribeiro. Foto: Bohu-ija Biraissí

Roça coletiva no Acampamento Manoel Ribeiro. Foto: Bohu-ija Biraissí

Roça coletiva no Acampamento Manoel Ribeiro. Foto: Bohu-ija Biraissí

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