Colômbia: velho Estado utiliza disparador múltiplo de projéteis contra manifestantes

Dispositivo Venom empregado contra manifestantes na Colômbia. Foto: Oscar Pérez

Acontece, agora, na colômbia, algo nunca antes visto na América Latina ou Estados Unidos (USA): a utilização de “lançadores horizontais de alta velocidade de projéteis múltiplos”, mais precisamente a máquina de guerra “Venom” (Veneno, em português), contra manifestantes que protestam desde o final de abril no país. A princípio, os protestos aconteciam devido à proposta de uma reforma tributária antipovo (já retirada). Mas agora, o povo colombiano exige seus direitos mais elementares negados há décadas, como alimentação digna e emprego.

O Diretor Executivo do Observatório dos Direitos Humanos para as Américas, José Miguel Vivanco, afirmou que a organização nunca policiais se utilizaram desse tipo de arma.

O ministro da Defesa, Diego Molano, declarou que os trambolhos em questão serão utilizados em caso de “distúrbios” que “afetem a tranquilidade e segurança”.

Disparos indiscriminados

Vivanco explicou que os tanques são equipados com um tipo de "lançadores horizontais, não ascendentes, horizontais, multiprojetos que aparentemente podem lançar gás lacrimogêneo ou bombas de efeito moral de uma forma indiscriminada".

“Parece um procedimento muito perigoso e de alto risco, e acredito que esse tipo de prática é o que causa as denúncias de extrema brutalidade policial”, reiterou.

A polêmica começou depois que Vivanco publicou um vídeo na quarta-feira no qualse pode ver como policiais disparam vários projéteis de um tanque contra manifestantes na Colômbia.

“Com testemunhas oculares e verificação de vídeo digital corroboramos o uso de tanques com múltiplos lançadores de projéteis dirigidos a manifestantes”, escreveu ele em sua conta no Twitter, alertando que se trata de uma “arma perigosa e indiscriminada”.

‘Veneno’ de milhares de reais

Venom, disparador múltiplo de projéteis eletrônicos, usado pela Esmad (Esquadrão Móvel Antimotim). Foto tirada do catálogo da empresa CSI Combined System / Reprodução

Enquanto a repressão aos protestos aumenta de maneira inédita, o monopólio de imprensa El Espectador informa que a arma em questão não é nova, mas sim um lançador de projéteis eletrônicos múltiplos, apelidado de “Venom”. Segundo o jornal, é "uma das armas 'não letais' mais sofisticadas e caras que a Esmad [Esquadrão Móvel Antimotim] tem para dispersar manifestações", que, segundo um direito de petição do Ministério da Defesa respondido à Comissão Sexta do Senado, custa cerca de 400 milhões de pesos (cerca de 600 mil reais).

A arma possui três compartimentos de carga, cada um dos quais pode acomodar 10 cartuchos eletrônicos. Realiza disparos de até 150 metros de distância.

O Venom usa dois tipos de munição: cartuchos de choque elétrico que geram um flash de luz e som e cartuchos que geram uma dispersão de fumaça e gás.

As munições flash-rumble oferecem "alerta de longo prazo e capacidades de distração durante as operações diurnas e noturnas", enquanto outras têm "a capacidade de lançar grandes volumes de substâncias irritantes ou fumaça para cobrir uma grande área em poucos segundos".

USA impulsionou fortalecimento da repressão

Já são mais de 40 mortos em apenas 13 dias de protestos na Colômbia. Esse número se dá devido à enorme e desproporcional repressão do velho Estado contra o povo em luta. Foram denunciados pelos manifestantes atrocidades como tiros à queima roupa, desaparecimentos, abusos sexuais e espancamentos pelas forças repressivas.

Grande parte dos meios e do impulsionamento para cometer tamanhos crimes contra o povo vêm da militarização já existente do Estado colombiano. Essa militarização se desenvolveu a partir da sua importância estratégica para o imperialismo ianque (Estados Unidos, USA), que por anos forneceu e fornece recursos financeiros e humanos para o velho Estado e Exército, no intuito de combater as guerrilhas locais.

Agora, assim como antes, todo esse arsenal bélico é voltado contra o povo colombiano para prevenir e aplastar as rebeliões geradas inevitavelmente diante da mais desapiedada exploração das massas.

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