Soldados sionistas admitem 'sucesso dos grupos de Gaza'

Foguetes da Resistência lograram atingir alvos por todo território israelense. Foto: Khalil Hamra/AP Photo

“Fui em uma missão para realizar ataques aéreos com a sensação de que destruir as torres é uma forma de aliviar a frustração com o que está acontecendo conosco e com o sucesso dos grupos [da Resistência] em Gaza”, disse um piloto israelense ao Canal 12 da TV local. Além dele, vários outros pilotos que participaram da ofensiva contra a Faixa de Gaza entre os dias 10 e 21 de maio, que deixou 248 palestinos mortos, falaram anonimamente ao canal sobre sua experiência durante os ataques aéreos.

O piloto, identificado como “Major D”, declarou ainda: "Não temos sucesso em parar os foguetes, falhamos em controlar esses grupos, por isso destruímos as torres”.

Durante as incursões israelenses contra a Faixa de Gaza, nove edifícios foram bombardeados e destruídos, dos quais o que mais repercurtiu foi a torre al-Jalaa, que abrigava apartamentos e escritórios, incluindo o das agências Associated Press, Al Jazeera e Middle East Eye.

Segundo a Al Jazeera, 17 mil propriedades residenciais e comerciais em Gaza foram completa ou parcialmente destruídas por causa dos ataques aéreos. 

Destruição da torre Al-Jalaa, onde ficavam os escritórios da Associated Press e da Al Jazeera, na Faixa de Gaza, após um bombardeio israelense, 15/05/2021. Foto: Majdi Fathi/NurPhoto

Apesar de todo o aparato bélico e de inteligência por parte de Israel, a genocida Operação “Guardian of the Walls” (“Guardião dos Muros”), como foi chamada, foi interpretada tanto pela população israelense, como pelo povo palestino como um retumbante fracasso para o sionismo, principalmente por conta da repercussão negativa que este teve ao redor do mundo. 

Na matéria “‘Guardian of the Walls’ não foi a vitória retumbante que as IDF [Forças de Defesa de Israel] esperavam”, do monopólio de imprensa israelense Times of Israel, evidencia-se que, mesmo destruindo a Faixa de Gaza, as forças da ocupação ainda foram incapazes de destruir os núcleos e arsenais da Resistência no território cercado.

Admite-se também que “o Hamas e a Jihad Islâmica estavam totalmente livres para lançar ataques massivos nos principais centros populacionais e infraestrutura de Israel”. 

No decorrer da ofensiva, a Resistência Palestina em Gaza disparou mais de 4.360 foguetes contra Israel, dos quais pelo menos 3.400 cruzaram o território de fato, segundo o próprio exército sionista, o que representa taxas quase três vezes mais altas do que durante a ofensiva de 2014 contra Gaza. 

No dia 25/05, o exército israelense também admitiu que o Domo de Ferro – o sistema de defesa antiaérea de Israel –, havia derrubado um dos seus próprios drones durante os 11 dias de ataques contra Gaza, porque o havia identificado erroneamente como uma aeronave hostil.

HISTÓRICO DE ABUSOS E CRIMES DE GUERRA ISRAELENSES

A lista de abusos cometidos pela ocupação israelense contra o povo palestino é longa. Vários deles são citados e explicados pela ONG israelense B’Tselem, que considera Israel como um regime de ocupação e Apartheid racial, dentre os quais figura o uso de “escudos humanos”, prática que Israel acusa o Hamas de utilizar. Em 2005, o judiciário israelense considerou a prática ilegal, porém há denúncias de que os soldados ainda fazem uso dela, especialmente durante operações militares, e ações na Cisjordânia ocupada. 

Segundo o B’Tselem, “ao longo dos anos, os militares praticaram uma política oficial de usar os palestinos como escudos humanos, ordenando-os a realizar atividades militares que colocavam suas vidas em risco: os palestinos foram forçados a remover objetos suspeitos das estradas, mandar outros palestinos saírem e se renderem, protegem fisicamente os soldados enquanto eles disparam e muito mais”. 

Se tornou comum que soldados israelenses denunciem anonimamente os crimes da ocupação, apesar de muitos sofrerem retaliações do próprio exército por fazê-lo. A ONG Breaking the Silence (“Quebrando o Silêncio”), que é “uma organização de soldados veteranos que serviram no exército israelense desde o início da Segunda Intifada e assumiram a responsabilidade de expor o público israelense à realidade da vida cotidiana nos Territórios Ocupados”, nas suas próprias palavras, reúne dezenas de denúncias desse tipo.

Em um desses testemunhos, um sargento anonimamente conta que, durante a Operação “Chumbo Fundido” contra a Faixa de Gaza, em 2009, “nosso objetivo era fragmentar a Faixa, na verdade fomos informados que enquanto estivéssemos lá, sem saber por quanto tempo, teríamos que arrasar a área o máximo possível. Razing é um eufemismo para destruição sistemática”. 

“A lógica é deixar uma área estéril para trás e a melhor maneira de fazer isso é arrasando-a. Em termos práticos, significa que você pega uma casa que não é suspeita, sua única transgressão é que ela fica em uma colina em Gaza. Posso até dizer que em uma conversa com meu comandante de batalhão, ele mencionou isso e disse meio sorrindo, meio triste, que isso é algo para adicionar à sua lista de crimes de guerra”, diz ele. 

Em outro vídeo, mais um sargento anônimo, dessa vez falando de uma ação em Nablus, na Cisjordânia, em 2014, conta que “‘Provocação e reação’ é o ato de entrar em uma aldeia, fazer muito barulho, esperar que as pedras sejam atiradas em você para depois prendê-las, dizendo: ‘Lá, eles está jogando pedras’”.

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