O imortal Nelson Sargento

Nelson Sargento era expoente do genuíno samba nacional. Foto: Reprodução

Morreu hoje (27/05) por complicações da Covid-19, aos 96 anos, o grande sambista Nelson Mattos, o Nelson Sargento. Tinha sido internado em estado grave no Instituto Nacional de Câncer (Inca) no dia 20, diagnosticado com Covid-19, com desidratação e anorexia.

Com o nome de batismo Nelson Mattos, a alcunha de Sargento viria com a curta passagem no Exército. Nelson Sargento é um dos maiores nomes do samba brasileiro genuíno, membro da Velha Guarda da Mangueira e deixa para trás um gigantesco legado para a música popular, de mais de 400 sambas compostos; tendo como colaboradores de ofício figuras nobres como Cartola, Nelson Cavaquinho, Alfredo Português, Jamelão e Beth Carvalho, que dá sua voz ao maior sucesso de Sargento, “Agoniza mas não morre”.

O mangueirense e vascaíno convicto também deixou sua marca na literatura e nas artes plásticas, onde conformou com Wanderley Caramba, Sérgio Vidal e Heitorzinho dos Prazeres o grupo “Sambistas pintores”, criado na década de 80. Nelson também atuava, tendo deixado sua marca em filmes como O primeiro dia, de Walter Salles e Daniela Thomas e Orfeu, de Cacá Diegues.

Nelson era um grande expoente da cultura popular, muito particularmente do samba. Nascido no morro do Salgueiro, tornou-se morador da Mangueira aos 12 anos. A partir de então, passa a ser um entusiasta da Estação Primeira de Mangueira. Por essa atuação, se torna presidente da ala de compositores e em 2013 tornou-se seu presidente de honra.

Ainda que sua participação no samba tenha inciado ainda na primeira metade do século 20, Nelson teve seu reconhecimento aos 31 anos, com uma canção escrita em 1955. Porém, só gravaria seu primeiro disco em 1979, com o LP Sonho de um Sambista. Outros quatro discos seriam lançados, com composições que exaltavam sua escola do coração, a Mangueira, seus compositores e retratavam a vida do povo.

No início da pandemia, uma campanha de arrecadação foi organizada para apoiar Nelson Sargento, que havia sido prejudicado com o cancelamento de shows que estavam marcados. Nelson já tinha tomado as duas doses da vacina contra o coronavírus. Acredita-se que sua idade avançada e a condição de estar em tratamento contra câncer de próstata por longos anos agravaram a manifestação da doença. Mais uma vítima do genocídio contra o povo em decorrência da Covid-19 feito por um governo que segue persistindo na propagação desenfreada do coronavírus.

Como homenagem à esse grande e genuíno artista brasileiro, reproduzimos duas de suas mais famosas composições e estimulamos leitura de entrevista realizada para AND na edição n. 41 (Nelson Sargento: A história do bom samba). Nelson, assim como o samba que ele tanto amou, defendeu, e impulsionou adiante, é imortal.

Samba do Operário

Se o operário soubesse

Reconhecer o valor que tem seu dia

Por certo que valeria

Duas vezes mais o seu salário

Mas como não quer reconhecer

É ele escravo sem ser

De qualquer usurário

Abafa-se a voz do oprimido

Com a dor e o gemido

Não se pode desabafar

Trabalho feito por minha mão

Só encontrei exploração

Em todo lugar

Agoniza mas não morre

Samba,

Agoniza mas não morre,

Alguém sempre te socorre,

Antes do suspiro derradeiro.

Samba,

Negro, forte, destemido,

Foi duramente perseguido,

Na esquina, no botequim, no terreiro.

Samba,

Inocente, pé-no-chão,

A fidalguia do salão,

Te abraçou, te envolveu,

Mudaram toda a sua estrutura,

Te impuseram outra cultura,

E você não percebeu,

Mudaram toda a sua estrutura,

Te impuseram outra cultura,

E você não percebeu.

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