RJ: Moradores do morro da Providência protestam contra violência policial; jovem foi executado após se render na favela

Moradores do morro da Providência fecham linhas de trens em protesto contra a violência policial. Foto: Reprodução

No dia 27 de maio, moradores do morro da Providência, no centro do Rio de Janeiro, protestaram contra a violência, crimes e abusos cometidos por policiais militares (PMs) dentro da comunidade. Os moradores levaram faixas e cartazes relatando a rotina de terror imposta pelos PMs dentro da comunidade.

Os manifestantes começaram o protesto pela manhã por volta de 6h50, caminhando pela linha do trem, bem próximo a estação da Central do Brasil. O protesto fez com que os cinco ramais de trens da Supervia ficassem paralisados, portanto nenhum trem saia e nem chegava à estação central. PMs e funcionários da Supervia tentaram retirar os manifestantes dali, contudo, demonstrando espírito de resistência e combatividade, eles rumaram para outros lugares e seguiram com o protesto.

Depois os moradores fecharam as linhas 1 e 2 do VLT, no Santo Cristo, também paralisando este transporte. Os manifestantes seguiram marchando e fecharam também o acesso ao Viaduto 31 de março, no sentido túnel Santa Bárbara. Por volta das 7h30 o ato se dispersou.

Todos os ramais de trens foram paralisados por conta do ato. Foto: Reprodução

Jovem executado após se render

Durante o protesto, os moradores denunciaram também a execução do jovem Ravi dos Santos Casas Novas. O jovem foi morto por PMs no dia 19 de maio, após decidir se render e se entregar aos policiais que cercaram a casa onde o rapaz se escondia após uma operação policial dentro da comunidade.

Um vídeo que circula na internet mostra PMs na frente da casa onde o jovem se escondia, minutos depois o vídeo é pausado e depois mostra os PMs saindo da casa levando o corpo de Ravi enrolado em um lençol branco.

Testemunhas contaram que viram o momento em que os policiais renderam o jovem: “Vi quando o policial estava com uma chave abrindo a porta. Assim que eles abriram, eles renderam o menino”, afirmou uma testemunha que não quis se identificar.

Outra testemunha contou que viu o momento em que um dos policiais deu a ordem para executar Ravi: “Outro policial mandou ele sair. Ele saiu com a mão para cima, e os outros policiais estavam na porta. Aí o outro policial mandou ele descer. O outro policial falou: 'executa'. Foi a hora que eu escutei os tiros”, contou o morador.

Outra pessoa relatou que também ouviu um policial falando que executou o jovem, porém não denuncia na delegacia por medo de represália por parte do PMs: “Ele falou: ‘executamos um dentro de uma casa’. Eu ouvi, ele falou na minha cara. Não [registrou o caso na delegacia] porque eu tenho medo”.

Os próprios PMs ao registrarem a ocorrência no Batalhão, mudaram de versão. Inicialmente contaram que houve troca de tiros com Ravi e estilhaços de bala atingiram um PM. Depois mudaram a versão e disseram que já encontraram o jovem ferido e tentaram socorrê-lo.

Rotina de violência e abusos

Um outro vídeo que  também circula na internet mostra um jovem sentado sendo chutado por um PM.

O jovem contou que havia sido abordado pelos policiais que mandaram ele desbloquear o celular. O jovem se recusou e os policiais começaram a espancá-lo. 

“Eu estava andando na rua, aí eu fui abordado e ele me pediu para desbloquear o telefone. Eu falei que não ia desbloquear e eles começaram a me bater. Me botaram no chão e começaram a me bater”, disse o jovem morador da Providência.

Seguranças da Supervia tentaram retirar os manifestantes da linhas de trens, porém os moradores resistiram. Foto: Reprodução

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