Colômbia: Protestos massivos derrubam nova reforma da saúde, apesar da repressão

O povo colombiano segue em luta mesmo após a derrubada da contrarreforma tributária, em uma jornada inciada em 28 de abril. Os protestos massivos e combativos lograram, agora, derrubar outra contrarreforma: a da saúde. Tal fato ocorreu no dia 19 de maio.

Os protestos não pararam, e o povo continua exigindo seus direitos mais elementares, usurpados pelo velho Estado e os grandes burgueses, como trabalho e alimentação dignos. Em resposta a isso, o velho Estado colombiano desatou a mais brutal repressão. Apenas no final de semana do dia 28 de maio (aniversário de um mês dos protestos), 14 pessoas foram mortas pela polícia ou grupelhos paramilitares aliados ao narcoestado colombiano.

Em 19/05 houve um novo chamado para mobilizações nacionais, que teve uma grande participação das massas e especialmente em algumas áreas do país a juventude revolucionária e popular lhe deu um caráter militante e independente, de acordo com o portal colombiano de notícias revolucionário El Comunero Prensa, “rompendo com o pacifismo e a desmobilização promovida pela liderança nacional burocrática dos atuais protestos”.

Juventude combativa realiza ‘contra-chamada’ em oposição ao Comitê Nacional de Greve

Manifestação combativa em Medellín. Foto: Reprodução/ Primera Línea Medellín

Na cidade de Medellín, organizações de juventude democratico-revolucionárias realizaram uma “contra-chamada” para outro protesto que ocorreria no mesmo dia, em oposição à burocracia sindical das grandes confederações sindicais centrais oportunistas e do Comitê Nacional de Greve (CNG).

O ponto de encontro foi o Parque da Resistência (parque renomeado que tem sido o centro da luta em Medellín) e o protesto rumou para a Avenida Regional, uma importante rodovia que atravessa a cidade na direção sudoeste-norte.

“O contra-chamado foi um sucesso, exigindo uma ruptura com a burocracia do CNG e reunindo centenas de jovens rebeldes que não se sentem representados por esses oportunistas que, desde o início da Greve Nacional, tentaram desmobilizar os jovens, mas que são os primeiros a sair e se vangloriar na mídia quando se trata de negociar com o governo ou comemorar as vitórias alcançadas durante a greve”, relata o El Comunero.

Manifestação combativa em Medellín. Foto: Reuters

À tarde, houve grandes confrontos entre a polícia reacionária e seu Esquadrão Antimotim (Esmad) contra uma multidão de jovens, na tentativa de os dispersar e massacrar o povo, como têm feito as forças de repressão do velho Estado desde o início dos protestos.

Os jovens, em sua legítima defesa, contavam com escudos, pedras, coquetéis Molotov, tintas, lasers, kits de primeiros socorros. E conseguiram sustentar verdadeiras batalhas por horas e manter suas posições até tarde da noite, forçando a polícia a recuar em alguns pontos. A resistência dos jovens teve grande apoio popular e, em alguns momentos, grupos de pessoas solidárias foram vistos fornecendo pedras e garrafas para os manifestantes.

Manifestação combativa em Medellín. Foto: Reprodução/ Primera Línea Medellín

Também em outros municípios, como Caldas, houve bloqueios e confrontos após a violenta investida das forças públicas, pela segunda noite consecutiva. O balanço oficial do gabinete do prefeito da cidade relata dezenas de feridos entre manifestantes e policiais.

Em Bogotá, estima-se que cerca de 16.000 pessoas participaram das jornadas de mobilização distribuídas em 15 pontos diferentes da capital do país. No Portal das Américas (renomeado Portal da Resistência pelos jovens) e em Suba, dois dos pontos mais combativos e reprimidos da cidade, também houve fortes confrontos com as forças do velho Estado.

Em outras cidades como Bucaramanga, Pasto, Barranquilla também houve ações combativas das massas durante o dia da mobilização nacional. Em Bucaramanga, foi gravado um vídeo que mostrou a Esmad agredindo uma mulher e seu bebê.

Na cidade de Pasto, o povo se manifestou maciçamente e, ao final do dia, a juventude rebelada atacou a sede administrativa do governo departamental e a prefeitura do município, causando grandes danos à sua infra-estrutura.

Em Barranquilla, pelo menos três mobilizações aconteceram durante o dia e uma delas bloqueou uma ponte importante que liga a cidade com outros departamentos do país. No final do dia, houve confrontos com a polícia e numerosas ações de confiscos de alimentos pelo povo de grandes cadeias de supermercados, impulsionados devido à fome que enfrentam as massas.

Durante a semana anterior, houve manifestações combativas fora do Estádio Metropolitano da cidade em rechaço à realização dos jogos da Copa das Américas, um torneio de futebol continental, enquanto o povo era reprimido selvagemente pelas classes dominantes e o velho Estado. Essas ações deram a volta ao mundo à medida que a forte repressão estatal e a resistência heróica do povo de Barranquilla foram registradas no meio das transmissões das partidas.

Já na cidade de Bucaramanga, houve confrontos entre os jovens manifestantes e a Esmad nas proximidades e dentro da Universidade Industrial de Santander (UIS), uma instituição com grande tradição de combatividade e rebelião estudantil.

No decorrer do dia, foi anunciada a notícia de nova vitória parcial da revolta popular no país: a queda da contrarreforma criminosa da saúde. O projeto das classes dominantes pretendia aprofundar ainda mais a privatização do sistema de saúde colombiano em benefício das seguradoras privadas e das grandes empresas da saúde, ao mesmo tempo em que prejudicam o acesso das classes pobres a cuidados de saúde de qualidade.

Esse triunfo do povo se soma a outros, como a retirada do projeto inicial de reforma tributária, a renúncia do banqueiro que ocupava o cargo de Ministro da Economia, do comandante da polícia de Cali e outros, assim como toda uma série de promessas do governo de apaziguar a juventude em termos de emprego, educação e investigações de policiais e civis armados após os assassinatos de manifestantes cometidos durante os protestos.

Manifestação combativa em Medellín. Foto: Reprodução/ Primera Línea Medellín

Mulheres despertam sua fúria revolucionária

"Mães da Primeira Linha" da Colômbia. Foto: Reprodução/ El Comunero

Em La Macarena (no departamento de Meta), ainda no dia 19, jovens mulheres lançaram bombas de tinta e pedras no Comando de Atenção Imediata da Polícia (CAI), em rechaço ao caso de violência sexual por vários membros da Esmad contra a jovem Allison Meléndez, que mais tarde cometeu suicídio como resultado da agressão, no dia 12/05.

As jovens distribuíram bombas de tinta entre as mulheres presentes na manifestação. Elas foramjogadas contra a fachada da CAI (centros de tortura e estupro profundamente odiados pelo povo). As cercas também foram destruíram e pedras lançadas pelos manifestantes em direção a essas instalações policiais.

Outra expressão significativa da combatividade das mulheres foi vista no Portal da Resistência, em Bogotá, onde um grupo de mães se uniu à resistência juvenil contra os ataques das forças policiais e se organizou com escudos e capacetes, chamando-se de "Mães da Primeira Linha". O grupo de mães resistiu e enfrentou a polícia até o final do ato junto dos jovens. Sob o mesmo nome, diversas mães se organizam em outras cidades do país para participar das manifestações.

Em um final de semana, 14 manifestantes são mortos pelas forças de repressão

Em apenas dois dias, dos dias 28 ao 30/05, 14 pessoas foram assassinadas em Cali pelas forças do velho Estado numa repressão desenfreada aos protestos populares.

O exército interveio na cidade no dia 29 após confrontos entre a polícia e o povo armado, que respondeu à repressão na mesma moeda.

A ONG imperialista Human Rights Watch relatou "relatórios confiáveis" de pelo menos 63 mortes em todo o país, e chamou a situação em Cali de "muito grave". De acordo com os relatos da ONU, 98 pessoas haviam sido feridas em Cali, incluindo 54 por armas de fogo.

Entre os mortos em Cali incluíam um policial que havia assassinado com arma de fogo dois manifestantes em um bloqueio de rua, matando um deles. A multidão de manifestantes que se encontrava no local respondeu ao assassinato do jovem, partindo contra o reacionário.

Grupos paramilitares reacionários também atiraram contra manifestantes em diferentes localidades.

Palácio da Justiça de Tuluá é queimado

Em 25/05, na cidade de Tuluá, Valle do Cauca, o Palácio de Justiça foi incendiado por manifestantes, em rechaço ao velho Estado reacionário, que massacra o povo dia após dia, direta ou indiretamente.

No mesmo dia, nas localidades de Kennedy e no Portal das Américas, em Bogotá, a multidão enfurecida com os políticos corruptos atirou pedras contra representantes da prefeitura, entrando em confronto com a Esmad.





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