Camponeses exigem terra para as vítimas da chacina de Pau D'arco

Camponeses retomam latifúndio Santa Lúcia após Chacina que resultou no assassinato de dez camponeses em Pau D’Arco. Foto: Banco de dados AND

No dia 24 de maio de 2017, acontecia um dos maiores massacres de camponeses em luta pela terra no Brasil, a Chacina de Pau D’arco. O crime protagonizado por policiais civis e militares, a Delegacia Especializada em Conflitos Agrários (Deca) e por pistoleiros, contou com o aval da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (FETRAF), ligada à CUT e  com o velho Estado à serviço do latifúndio, ceifou a vida de dez camponeses. Alguns dias depois as famílias retomaram as terras e formaram o Acampamento Jane Júlia, onde vivem até hoje. 

Os desdobramentos deste episódio na história dos camponeses pobres, revelam as batalhas que enfrentam os que lutam pela terra travadas pelas grandes massas trabalhadoras.

A incansável busca por justiça

Quatro anos após o ocorrido, a Comissão Nacional da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) publicou um boletim intitulado Terra para as vítimas da Chacina de Pau D`arco, expondo os fatos que transcorrem desde o crime praticado contra as famílias e exigem a entrega imediata das terras da antiga Fazenda Santa Elina, hoje Acampamento Jane Júlia, para os camponeses que ali vivem e produzem.

O boletim expõe que 20 dias antes da Chacina, um outro ataque contra camponeses ocorreu em Colniza, Mato Grosso, onde nove camponeses foram assassinados por pistoleiros chefiados pelo Sargento Moisés, policial militar e pistoleiro em Rondônia, sujeito inúmeras vezes denunciado pela LCP. Expõe também o ataque ocorrido contra os indígenas Gamelas no Maranhão no mesmo ano. O crime foi organizado latifundiários, políticos e policiais militares, na ocasião 22 pessoas foram feridas e duas tiveram suas mãos decepadas, o atual governador do Maranhão, o oportunista Flávio Dino, desqualificou e questionou os indígenas diante do crime.

Na tentativa de imputar este novo crime na conta dos camponeses que foram atacados e assassinados, o Deca disseminou a versão onde eles teriam sido atacados pelos posseiros, diz o texto. Porém, a tentativa dos reacionários foi desmascarada pelas denúncias da LCP do Sul do Pará e Tocantins e pela Associação Brasileira  dos Advogados do Povo (Abrapo) e confirmada pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos e pelo Ministério Público Federal. 

Enfrentando torturas e assassinatos, os camponeses conquistam a terra!

A verdade dos fatos, levantada no boletim a partir de uma matéria do AND e comprovada após as investigações, demonstraram que a ação criminosa das forças policiais do velho Estado foi  premeditada e planejada. O texto afirma: “Os policiais invadiram o acampamento, divididos em grupos, sendo que um seguiu a pé e os outros em veículos, buscando cercar e encurralar os trabalhadores que ocupavam a fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco”, segue declarando que a ação teria acontecido supostamente para vingar a morte de um pistoleiro na região. Nenhum policial envolvido na operação saiu ferido. Já os camponeses apresentavam sinais de tortura, uma das pistolas utilizadas para assassinar cinco camponeses nunca foi encontrada.

Todavia, a tentativa de frear a luta pela terra foi mais uma vez derrotada. Com o apoio da Liga, as cerca de 200 famílias camponesas retomaram a área, apenas uma semana depois da chacina. Hoje, os camponeses vivem e produzem em seus lotes no Acampamento Jane Júlia.

Velho Estado é cúmplice dos crimes do latifúndio

O boletim denuncia que não houve punição para os criminosos e que eles seguem soltos. Os documentos definitivos das terras aos camponeses tambẽm não foi entregue pelos órgãos do velho Estado. Em meio a sucessivas ameaças, o camponês Fernando dos Santos, um dos sobreviventes e uma das principais testemunhas da chacina, foi assassinado com um tiro na nuca no início deste ano. As famílias até hoje não foram indenizadas e a desapropriação dos latifundiários não aconteceu.

Segundo o texto, as fraudes relativas à posse no Pará são históricas e regulamentadas dentro de grandes esquemas e os registros de propriedades somam quatro vezes a área do Estado.

A LCP afirma que todas as razões descritas acima respaldam a exigência das terras para aqueles que lá vivem e trabalham. Afirma também que os reacionários e seus crimes “Não passarão!”. Concluem dizendo: “Que a gloriosa resistência do Acampamento  Manoel Ribeiro, em Rondônia, protagonizado pelas vítimas de Santa Elina, seu exemplo de organização e combatividade, ilumine a luta dos camponeses do Pará”. 

O texto completo pode ser lido aqui.

Camponeses assassinados em Pau D'arco. Foto: Banco de dados AND

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