Copa América: Bolsonaro e generais carrascos do povo brasileiro

Bolsonaro imita o seu ídolo Médici ao tentar associar sua imagem a seleção brasileira de futebol em um apelo populista. Foto: Sergio Moraes

O mundo acordou no dia 31 de maio com a espantosa notícia de que o Brasil, país que enfrenta uma crise sanitária gigantesca que já ceifou a vida de 460 mil pessoas, receberá a próxima edição da Copa América, com data de início prevista para o dia 13 de junho.

Jornais mundo afora repercutiram a notícia dando ênfase no descontrole da pandemia no país, que tem menos de um terço da população vacinada e o risco de circulação de novas cepas do coronavírus com o evento.

O Brasil virou sede após a recusa dos países-sedes originais em receber o evento. A Copa América 2021 seria originalmente disputada na Colômbia e na Argentina, porém os dois países alegaram à Confederação Sul-Americana de Futebol (conhecida como Conmebol) que não teriam condições de realizar o torneio; a Colômbia por conta dos massivos protestos que estão ocorrendo no país e a Argentina por conta do crescente número de mortes e casos de Covid-19. O país vizinho chegou ao número de 76 mil mortes por conta da doença.

Com este impasse, a Conmebol entrou em contato com o governo militar genocida de Bolsonaro e com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pedindo-lhes que o Brasil sediasse a Copa América, justamente o segundo país no mundo com mais mortes por Covid-19. O presidente fascista prontamente aceitou o pedido, demonstrando mais uma vez o seu total descaso com a vida dos brasileiros como parte de seu plano político genocida camuflado como negligência.

Bolsonaro declarou que ele, assim como todos os ministros, incluindo os generais do governo, concordam em receber a competição no país. “Fui instado no dia de ontem pela CBF. Conversei com todos os ministros interessados. Da nossa parte, positivo. No que depender de mim, e de todos os ministros, inclusive da Saúde, está acertado, haverá (a Copa América)”, disse Bolsonaro. O vice-presidente Hamilton Mourão também se disse favorável ao torneio, em entrevista: "Não tem público, não é? Não tendo público, não é problema. É só dividir bem essas sedes e acabou", afirmou o general golpista.

Repercussão

A notícia da transferência da competição para o Brasil causou severa indignação de amplas camadas da sociedade como: atletas e ex-atletas, jornalistas, médicos e especialistas na área de saúde, que criticaram a decisão de Bolsonaro.

“É uma loucura, uma aberração fazer uma Copa América neste momento. E pior ainda no Brasil, o país que todos sabemos como está na pandemia. O país com a pior situação sanitária, com mais casos (de coronavírus) na região", disse o ex-goleiro da seleção paraguaia Chilavert.

O epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), disse: "A Copa América no Brasil é um deboche e um desrespeito com as 460 mil famílias em luto no país. A decisão foi tomada exatamente no momento em que a terceira onda se inicia. Como fã de futebol, lamento que o esporte esteja cada vez mais se afastando do povo".

Marcelo Otsuka, infectologista e coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), afirma: “O Brasil tem um alto número de casos e ainda vive um platô de óbitos e números que ainda são alarmantes, próximos a duas mil mortes por dia", lembrou.

Antonio Augusto Moura da Silva, professor do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), disse:  "Estamos enfrentando uma segunda onda que não arrefeceu ainda. A taxa de transmissão também está muito elevada e estamos numa situação de descontrole. Além disso, a taxa de imunização está muito baixa, com apenas 10,4% da população vacinada com a segunda dose da vacina contra a covid", explica.

Para ele, "fazer jogos com participação de torcida é uma insanidade. É a mesma coisa que colocar as pessoas num matadouro. Para um técnico, a resposta de que esse campeonato não deveria ocorrer é óbvia. Mas nossos políticos não se importam com a morte das pessoas", apontou.

Segundo o infectologista Marcos Boulos, não há nenhuma base técnica ou sanitária para que o país aceite um evento desse porte em meio a uma pandemia. "Isso não pode existir do ponto de vista sanitário e só pode partir do presidente da República. É um absurdo ainda maior se tiver público. Se isso acontecer, tem que prender todo mundo. É uma loucura total. Só o jogo já não dá para entender. Se tiver torcida, é um crime", afirma.

O epidemiologista e professor do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Lucio Botelho, argumenta que um campeonato de futebol internacional em um país onde milhares de pessoas morrem diariamente e onde há filas de espera por um leito de UTI é uma insanidade: "Isso é uma loucura. É inconsequente em todos os aspectos. Talvez a minha análise tenha que ser política. É de novo algo para fazer a história do pão e circo. Não tem sentido dois países recusarem um evento desses e o Brasil chamar para cá. A vacina não anda e estamos trazendo mais riscos ao país", afirma.

A análise do Dr. Miguel Nicolelis, professor de Neurociências da Duke University, nos Estados Unidos, é que realizar a competição no Brasil “é um chute na boca dos brasileiros que perderam parentes e de todos nós que estamos em quarentena em casa há 14 meses. Nos tornamos o lixão do planeta. Tudo o que não deveria ser feito em uma pandemia está sendo feito aqui [no Brasil]. Essa notícia já se espalhou pelo mundo e é incrível que o segundo país em número de mortos seja sede de um evento continental”. O professor pede que a população boicote o evento.

O narrador Luís Roberto também se posicionou veementemente contra a realização da competição: “Já seria ridícula a realização dela em condições normais, e aí vem a notícia, depois da desistência de vários países irmãos, que não têm condições por conta da pandemia de realizar a Copa América, e no país que tem a pandemia descontrolada, que levou nove meses para responder à carta da Pfizer, respondeu em dez minutos que 'vamos fazer a Copa América'. Abertura em Brasília, jogos em Natal, Pernambuco, final com público. É inaceitável! A sociedade brasileira, a coletividade do futebol e do esporte, nós não podemos aceitar essa decisão. Que se realize, que faça o que bem entenderem, que os negacionistas façam caravanas à Brasília, para ter público na grande final. Momento apoteótico dessa porcaria dessa competição! É uma vergonha! É um tapa na cara dos brasileiros!", completou.

O jornalista Paulo Vinícius Coelho, conhecido com PVC, afirmou em seu blog que é necessário um novo movimento de massas, assim como em 2013. “Muito mais do que a Copa do Mundo e a Copa das Confederações, disputada em meio às manifestações de junho de 2013, esta aberração merece lançar o movimento ‘Não vai ter Copa América’”, conclamou.

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