China imperialista aprofunda exploração na Serra Leoa

Black Johnson Beach, o local do porto de pesca proposto. Foto: Folheto.

No mês de maio, o governo de Serra Leoa anunciou ter recebido 55 milhões de dólares da China para financiar o desenvolvimento de um porto de pesca e uma fábrica de farinha de peixe em Black Johnson Beach. O projeto desenvolveria 250 acres da área costeira e, de acordo com o povo e pescadores do lugar, arruinaria a economia local e provocaria o êxodo da comunidade.

O projeto fora inicialmente concebido pelo governo de Serra Leoa nos anos 70, mas não havia sido colocado em prática devido à falta de financiamento. Os moradores e donos de pequenos negócios da área rechaçaram o projeto imperialista. Tito Gbandewa, um ex-pescador e pequeno-empresário de turismo, disse ao monopólio de imprensa The Guardian: "Nossos próprios pescadores não terão um lugar para pescar. Tudo será arruinado". O turismo terminará".

Inversão de capitais imperialistas

Projetos de “desenvolvimento” como esse, por mais que na superfície pareçam planos do próprio governo nacional, se tratam na verdade de “investimentos” diretos ou indiretos dos países imperialistas. As potências entram com o capital e as nações subjugadas depois devem pagar com mão de obra barata, matérias primas, tecnologias e o que mais for gerado a partir do investimento, além de todo tipo de acordos políticos palacianos entre os políticos reacionários do velho Estado e os imperialistas.

Em resposta às críticas ao “projeto de desenvolvimento”, as autoridades chinesas negaram que se tratasse de qualquer tipo de exploração do país. Du Zijun, o conselheiro econômico e comercial chinês da embaixada chinesa em Serra Leoa, disse que a China simplesmente “ofereceu o dinheiro para Serra Leoa”, afirmando que se trata de "projeto de assistência que o governo de Serra Leoa solicitou ao governo chinês que ajudasse a construir, com o objetivo de promover o desenvolvimento do próprio setor pesqueiro de Serra Leoa".

Organizações não-governamentais (ONGs) em Serra Leoa, em que pese seu caráter de serviçais do imperialismo, também criticaram o plano. Steve Trent, o diretor executivo da Fundação de Justiça Ambiental, apontou ao impacto sobre o povo serra-leonês, afirmando: "Isso restringiria as áreas em que os pescadores de pequena escala podem ganhar a vida, e deslocaria as pessoas que dependem da praia para outros meios de subsistência, incluindo o ecoturismo".

A riqueza de Serra Leoa e a pobreza de seu povo

Um dos países mais pobres do mundo, a economia de Serra Leoa é composta em grande parte pela agricultura (a maior parte de seu PIB), serviços/exportações/turismo como a segunda maior parte de sua economia, e “indústria” (liderada pela mineração), como a terceira maior parte de sua economia.  A Trading Economics informou que 66% da população vivia abaixo da linha de pobreza. Serra Leoa é rica em recursos minerais, como diamantes, ouro, minério de ferro, etc., bem como petróleo. Suas principais exportações são diamantes, cacau, café e peixe.

A China é, atualmente, seu principal “parceiro comercial” e, por isso, tem grande influência para a execução de megaprojetos no país. O atual projeto discutido também cria uma base para as empresas chinesas que procuram explorar Serra Leoa à parte dos projetos governamentais.

Desde os anos 2000, a China aumentou suas negociações na África, agora financiando quase 1 em cada 5 projetos de construção que ocorrem no continente. Estes projetos endividam as nações econômica e politicamente quanto à China.

A agenda imperialista da China na África não é por boa vontade,  o país social-imperialista passa longe de fornecer “ajuda” às nações “subdesenvolvidas” a seu desenvolvimento; se trata da expansão  do seu domínio econômico-político. Com isso, os investimentos milionários terminam por promover uma superexploração ainda maior do povo de Serra Leoa. 

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